DEU EM GRAMSCI E O BRASIL

 

A CIDADE FUTURA

Giorgio Baratta

Tradução: Giovanni Menegoz

Hoje, pensar junto com Gramsci significa não resignar-se, resistir, manter viva a contradição entre 1919 e 1989, entre passado e presente, realidade e imaginação; significa reconquistar um olhar sobre o futuro, sem mitologias nem nostalgias, com a certeza de que o sonho foi sonhado, der Traum ist ausgetraumt, mas também com a vontade e capacidade de manter vivos os rastros daquele sonho, que foi - como qualquer sonho - a realização simbólica de um desejo concreto, uma necessidade real, uma tendência do existente. O fato é que, passada a época de Yalta e do socialismo, primeiro num “só” país, depois cinzentamente “real” - quando o capitalismo volta a marchar no mundo como um tanque de exército, queimando terras ainda virgens ou ricas de tradições -, o cenário internacional, na passagem “entre um século e outro”, parece reproduzir intensamente o clima de há cem anos: a arrogância tecnocrática e positivista é novamente a máscara através do qual se anuncia e se afirma brutalmente o direito do mais forte. Ontem como hoje, o progresso é portador de seu contrário e anuncia retrocessos espantosos, mas também joga para frente as contradições da vida social. A crítica social aguça suas armas. Análise objetiva do real e imaginação cognitiva, juntas, põem em discussão o existente, produzem a visão do possível.