| |
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
INSPIRAÇÃO CARIOCA
Dora Kramer
“O que acontece no Rio, inspira o Brasil”. A frase, perdida lá no meio da entrevista do governador Aécio Neves sobre a aliança do PSDB com Fernando Gabeira para a eleição da Prefeitura do Rio de Janeiro, é mais que uma frase inspirada.
A começar pelo fato de não ser propriamente uma aliança, mas um ato de adoção: o PSDB incorpora Gabeira não como parceiro, mas como um dos seus, num lance em que a ficha de filiação é detalhe. O importante é o simbolismo.
Quando abre mão da candidatura própria, do ponto de vista formal, porque não tem um nome forte para disputar na segunda cidade mais importante do País, o PSDB mostra que resolveu não assistir impávido à movimentação do governo federal e começa a se mexer para a eleição municipal, esquentando os tamborins para a sucessão presidencial de 2010.
O controle das três principais capitais brasileiras, Rio, São Paulo e Belo Horizonte, já é, para o tucanato, um excelente início de conversa para 2010. À exceção de Minas, onde o peso do governador assegura a vantagem independentemente da vitória na capital, nos outros dois Estados a briga é dura. Em São Paulo com o PT e no Rio contra a própria fragilidade dos tucanos.
O PSDB emite sinal evidente, já detectado pelo prefeito Cesar Maia, de que não pretende dar prioridade, muito menos exclusividade, à tradicional parceria com o ex-PFL, hoje Democratas.
A análise de Maia põe a candidatura de Gabeira num cenário de “preparação” da candidatura presidencial tucana à Presidência da República (ele aposta que com José Serra na cabeça da chapa) e de aproximação com a esquerda.
Claro que o PSDB faz esse movimento. Vai disputar um eleitorado que ainda identifica o PT com esse campo ideológico e precisa pescar nessas águas. Mas se o tucanato não pretende ficar preso só ao Democratas, tampouco tem intenção de abrir mão dessa companhia. A ação não é excludente.
Obviamente quer todos os parceiros que puder conseguir, entre eles o PMDB, que estará com Lula enquanto ele for presidente da República, continuará com ele se exibir capacidade de transferir votos e eleger o sucessor, mas mudará de idéia ao menor sinal de alteração do quadro em matéria de perspectiva de poder.
O jogo do PSDB começa - o Rio é o exemplo - diferente do que foi em 2006, quando o partido fez a opção preferencial por jogar tudo para garantir o governo de São Paulo e, no mais, parecia concorrer para cumprir a tabela eleitoral, aí incluída a eleição para presidente.
Os tucanos deram-se ao desfrute de apresentar um candidato (Eduardo Paes) com zero chance, só para constar. Agora, porém, o gesto é na direção oposta: o PSDB deixa de lado afirmações partidárias irrealistas e adota um ícone do bom combate como candidato na cidade que produz as modas, cria as ondas, como diz Aécio, inspira o País, e pode forjar um discurso novo para substituir a cansativa, anacrônica e artificial cantilena de liberalismos versus esquerdismos que dominou o debate na última eleição presidencial.
A exigência de Gabeira, de que sua candidatura não sirva de instrumento à briga entre governo e oposição no plano federal, não é um obstáculo. Ao contrário: combina exatamente com o plano do PSDB de não se confrontar com Lula, mas de tentar suplantá-lo sem desqualificar seu papel de mito. Mas de uma época que se encerra.
Trindade
Juntos na operação de retirada da candidatura do radialista Wagner Montes, líder nas pesquisas, para abrir espaço ao senador Marcelo Crivella na disputa pela Prefeitura do Rio, o PDT e a Igreja Universal estão juntos também no furor litigante de abrir milhares de ações judiciais contra veículos de comunicação País afora.
Naquela fidalguia que lhe é peculiar, o deputado pedetista e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, anunciou aos palavrões que, assim como a Universal, vai retaliar.
Ambas as estruturas, a Força e a “Igreja”, cresceram a poder de dízimos (a versão laica do imposto sindical) e favorecimentos do Estado ao qual sempre se aliam, seja quem for o ocupante da vez. Desse caixa forte sai o dinheiro para financiar suas ações, inclusive as judiciais.
Por identidade de procedimentos vai se configurando uma aproximação em que Força, PDT e Universal atuam como braços político, religioso e sindical de uma nem um pouco santíssima trindade.
A contar pela reação de ministros do Supremo, da OAB e da Associação dos Magistrados Brasileiros, a Justiça dificilmente aceitará servir de instrumento a esse tipo de guerra.
O custo financeiro de derrotas na Justiça não preocupa os “bispos”, os sindicalistas nem os pedetistas, já que o dinheiro vem do alheio e não é problema.
Já o custo político é um risco para o Palácio do Planalto, pois a tríade hoje é fiel, mas poderá vir a ser uma desconfortável aliada.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h29
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO PORTAL DO PPS
PPS DO RIO NEGA EXIGÊNCIA PARA APOIAR GABEIRA |
|
|
|
O Presidente do PPS da cidade do Rio de Janeiro, Roberto Percinoto, enviou nesta quinta-feira carta ao jornal O Globo reafirmando a intenção do PPS em apoiar a candidatura do deputado federal Fernando Gabeira a prefeito da capital e negando que a legenda tenha feito qualquer exigência para participar de uma aliança em torno do nome dele. O esclarecimento foi feito em função de matéria publicada pelo jornal, nesta quinta-feira, deixando a entender que o partido exige apoios em outras cidades para "fechar com Gabeira". Leia abaixo a íntegra da carta:
Há uma matéria na edição de O GLOBO de hoje que, já pelo título, não corresponde a posição do PPS da Capital, instância responsável pela decisão e condução do processo eleitoral no Rio de Janeiro.
Participamos, desde o início, do processo de negociação na sede do PSDB e, em momento algum, fizemos qualquer tipo de exigência para apoiar a candidatura de deputado Gabeira. Nossa representação nessas negociações foi sempre composta de, no mínimo, 6 representantes, entre eles deputados, ex-deputados e o vereador da Capital.
A candidatura do Gabeira, na forma como ela vem sendo exposta, corresponde perfeitamente aos princípios gerais do PPS que são, na verdade, expressos em seu programa:
"Um programa de esperança*
Nosso horizonte é a construção, no Brasil, de uma sociedade profundamente democrática, onde o espaço público se afirme sobre todas as demais instâncias derivadas do Estado, do mercado, de grupos econômicos ou mesmo de organizações sociais formais. Estado, mercado e sociedade civil, mesmo tendo relações de contradição entre si, não são adversários em seus papéis institucionais e históricos.
Essas instâncias devem se voltar para a promoção do bem-estar da população e orientar-se pela maior busca da liberdade, que tem em sua base mínima o cidadão. Daí o PPS realçar a importância política de se promover um deslocamento cada vez maior do poder central em direção ao poder local, no rumo de um amplo e profundo processo histórico de descentralização."
Não é da nossa tradição fazer política estabelecendo exigências do tipo "toma lá dá cá". Quanto à candidatura da juíza Denise Frossard fomos levados a respeitar o seu desejo de concorrer ao Senado em 2010.
Na segunda-feira, dia 10, às 14 horas, as Executivas Estadual e Municipal-Rio estarão reunidas para uma tomada final de decisão.
Para seu conhecimento transcrevo abaixo posicionamento do Roberto Freire, presidente Nacional do PPS
.Cordialmente,
Roberto Percinoto
Presidente do PPS/Rio |
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h19
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO PORTAL DO PPS
GABEIRA E O RESGATE ELEITORAL DA ESQUERDA
Rosângela Bittar
|
|
Se depender de Roberto Freire, presidente do PPS, serão aceitas integralmente as condições impostas pelo deputado Fernando Gabeira para ser o candidato da aliança PV, PPS e PSDB à Prefeitura do Rio. Freire deu ontem as reais dimensões desta aliança que começa a se consolidar pelo Rio, já está em negociação adiantada em Recife, com a candidatura de Raul Jungmann (que representa o PPS na cabeça de chapa), tem um começo de conversa em Belém, e pretende, a partir de agora ir se insinuando em outras capitais e grandes cidades.
No caso do Rio, onde o PPS tem uma de suas estrelas partidárias, não houve uma decisão formal de não lançar candidatura própria. A preferência do partido é ter candidatos, até para impulsionar a eleição de uma bancada de vereadores. Porém, Denise Frossard, ex-juíza, ex-deputada e ex-candidata ao governo, há muito avisou ao partido que não queria disputar em 2008. A alternativa Gabeira, para Freire, revelou-se ótima, melhor até que os planos iniciais, porque uma aliança desses três partidos pode representar, na sua opinião, um início de resgate do projeto da esquerda no Brasil.
"Vamos tentar fazer alianças de partidos do campo democrático da esquerda, que não estejam na base de sustentação do governo, que tenham um passado incólume depois de todos esses processos judiciais e políticos", afirma Freire.
Na opinião do presidente do PPS, esta coligação pode se transformar em instrumento para que a sociedade reaja ao que tem se apresentado sem solução, "o desgaste da política, a desmoralização dos políticos. Só podemos superar isto na política, não tem outra forma".
Como o PPS, todos os partidos querem ter candidato próprio, mas Freire comenta que as conversas atuais no âmbito desta aliança Rio, com estímulo para criar o bloco desde as eleições municipais em várias grandes cidades, pode "ajudar em 2010". Este é o ponto. E ajudar o PSDB, que é o partido com candidaturas melhor situadas na sucessão presidencial.
Alianças de 2008 tendo 2010 no horizonte
"O que a gente precisa é ter uma alternativa do ponto de vista moral, alguém capaz de promover o desaparelhamento do estado e, ao mesmo tempo, apresentar uma boa opção de política econômica", diz Freire. A seu ver, a candidatura Gabeira, agora, pode consolidar a idéia do bloco. "Não podemos deixar isto para 2010, o que pudermos fazer agora, vamos tentar".
Entre políticos e analistas, Gabeira é visto como uma alternativa para a "zona sul", elite do Rio, e não como uma opção viável a vencer nos redutos eleitorais mais densos, porém de classe média baixa. Roberto Freire discorda: "O Gabeira é uma alternativa não apenas para um projeto de administração do Rio, isto ele é mesmo; mas ele eleva a disputa do Rio, talvez vá ser uma disputa que se equipare à de São Paulo do ponto de vista do confronto. O Gabeira se credenciou muito nos últimos anos, inclusive como crítico desta degradação moral que atingiu o país a partir do mensalão".
Freire admite que a idéia de que Gabeira é alternativo demais pode emergir dos setores mais conservadores, manipuláveis até por um adversário evangélico. Porém o Rio, na sua opinião, tem um peso grande na questão da mudança de costumes, de meios e modos, que pode prevalecer. "Não podemos ficar pensando que não há alternativas à crise que estamos vivendo", afirma.
Segundo Freire, alguns grupos da direita estão "tremendamente raivosos" e estão subindo o tom das críticas. Isto foi possível porque, na sua opinião, o PT chegou ao governo e, com o processo de corrupção em todos os lugares, abriu um flanco fácil para as críticas à esquerda. "E a esquerda que não está metida nisto acaba envolvida".
Não é que a esquerda, no mundo, não tenha sido nunca corrupta, ressalva Freire, apontando que em alguns lugares ela foi. "Mas no Brasil não foi. Esta nunca foi uma característica nossa". Mesmo na guerra fria, lembra, havia ataques por todos os lados, mas "tínhamos dignidade". Agora, afirma, "é a avacalhação da esquerda, como se fôssemos todos iguais a esses caras. Não somos".
E como é que o PSDB, que estaria nas alianças de resgate da esquerda, se inclui nesta alternativa? Freire assinala que, em alguns lugares, o PSDB é "mais complicado", mas na maioria não. Ele próprio já conversou com o presidente do partido, Sérgio Guerra, com o governador de São Paulo, José Serra, virtual candidato à Presidência, e em Minas já estão aliados a Aécio Neves, para um começo de conversa. O presidente do PPS defende uma chapa Serra-Aécio em 2010, como opção do ponto de vista moral e de mudança da política econômica a que se referiu. "Serra sempre criticou e ainda critica a política econômica. E é bom que o faça. A nossa crítica a este governo não é que ele seja corrupto. Corrupto ele é, onde você mete o dedo a podridão aparece. Mas a oposição maior que fazemos é que ele está sendo nocivo aos interesses do país. Vamos pagar caro no futuro pela continuidade desta política econômica".
Freire destaca o crescimento medíocre aqui, quando o contrário ocorreu nos demais países, em um momento virtuoso da política internacional, e critica a euforia por resultados que nada mais foram que obviedades provocadas pela própria situação internacional. Critica, ainda, a política de expansão do crédito, um dos destaques deste governo: "O endividamento louco que estamos promovendo é para dar lucro à indústria automobilística, ao comércio e, no fundo, ao sistema financeiro". Isto, na sua opinião, não vai dar certo. E pergunta: "Qual será nosso subprime? O crédito é importante mas o que estamos vendo no Brasil foge ao tradicional, não estamos tendo crescimento na mesma proporção".
A política econômica do governo petista é a mesma do governo do PSDB, mas Freire lembra que não é uma questão programática nem para um nem para outro partido. "O Serra achava, como nós, que era equivocada já no governo Fernando Henrique". O PPS, diz seu presidente, está tendo a coragem de dizer isto, alguns economistas, até do PT, estão alertando para isto, mas "a grande maioria entrou no clima do governo". É mais uma razão, segundo diz, para a esquerda se reorganizar de alguma forma e as eleições municipais são uma boa tentativa.
Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras |
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h18
[]
[envie esta mensagem]
[link]
ESPECIAL PARA O BLOG
A HERANÇA QUE NÃO RENUNCIAMOS: EM DEFESA DA FRENTE CARIOCA
Vagner Gomes de Souza
(...) Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada. Assim, Lutero adotou a máscara do apóstolo Paulo, a Revolução de 1789-1814 vestiu-se alternadamente como a república romana e como o império romano, e a Revolução de 1848 não soube fazer nada melhor do que parodiar ora 1789, ora a tradição revolucionária de 1793-1795. De maneira idêntica, o principiante que aprende um novo idioma, traduz sempre as palavras deste idioma para sua língua natal; mas só quando puder manejá-lo sem apelar para o passado e esquecer sua própria língua no emprego da nova, terá assimilado o espírito desta última e poderá produzir livremente nela. (...)
Karl Marx – O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte.
Havia muita apreensão pelas eleições municipais do Rio de Janeiro em 2008 como se a cultura política carioca estivesse se americanizado no sentido “bushiano”. Víamos a popularidade da alternativa do apresentador de TV Wagner Montes como uma derrota das forças democráticas. A cidade poderia realmente se partir nessa conjuntura que polarizava duas vertentes da “centro-direita” americanizada: a alternativa Rudolph Giuliani “tupiniquim” e o “neopetencostalismo” do Senador Crivela. Assim como o ex-prefeito de Nova Iorque nas primárias republicanas, a candidatura de Montes se afundou na falta de apoio de sua legenda partidária (PDT) que sempre teve uma tradição política de condenar as incursões policiais em comunidades carentes.
Afinal, as forças políticas do centro democrático movimentaram suas lideranças políticas e articularam possibilidades de viabilizarem suas candidaturas com novos sinais de reaproximação com a “esquerda” sempre fragmentada. O centro-democrático continuísta do “cesarismo” programou mudanças na tabela salarial dos quadros de funcionários da prefeitura de nível superior o que implica uma busca do eleitorado da classe média e simpatizante das “esquerdas” (não esquecer do recuo no IPTU). A possível candidatura do PMDB está sempre sinalizando por um diálogo com o PT a partir da condição de reforçar a base governista federal carioca em 2010. Por outro lado, foi do PSDB que surgiu a possibilidade de reinvenção política da cultura de “frente democrática” com o convite ao deputado Fernando Gabeira para ser candidato por um conjunto de forças democráticas (PSDB, PPS e PV).
Essas mudanças não implicam no enfraquecimento político da alternativa de “centro-direita”, pois a renúncia de Wagner Montes pode empurrar parte de seu eleitorado para as bases do DEM e da candidatura do PRB, mas o protagonismo desse campo foi transformado à medida que a tendência de nacionalizar a eleição municipal carioca foi se consolidando. O jogo eleitoral de 2010 foi ensaiado para as eleições do Rio de Janeiro na memorável vaia ao mandatário da República na abertura dos Jogos do Pan em julho de 2007. Agora, as forças políticas estão construindo a correlação eleitoral dessa disputa presidencial num cenário de poder local. Portanto, não há alternativa mais viável para o chamado “Bloco de Esquerda” (PDT, PCdoB e PSB) e a “Frente de Esquerda” (PSOL, PSTU e PCB) que lançarem candidaturas próprias para se credenciarem nas eleições municipais.
Contudo, a formação da Frente Carioca (PSDB, PPS e PV) sofre resistências do “localismo”, ou seja, analisar a conjuntura política de 2008 pelo cálculo imediato e local de alguns grupos políticos. Respeitadas as digníssimas ponderações, informamos que as circunstâncias estão modificadas mas podem viabilizar a interiorização do aliancismo da Frente Carioca para municípios estratégicos numa formação de base eleitoral para as eleições proporcionais de 2010 (particularmente Niterói, Petrópolis, Nova Iguaçu e São Gonçalo).
Neste momento, lembremos que há algo que vai além da disputa majoritária nas eleições cariocas. Necessitamos de uma Câmara Municipal comprometida com um debate político de qualidade e que configure uma ressonância nacional nessa instituição. Há 60 anos a bancada municipal do PCB, maioria nessa casa, era cassada como resultado da cassação da legenda no STF. Em 2008, o PPS poderia contribuir nesse processo apresentando uma candidatura que serviria como grande “puxadora” de votos em favor de uma “oxigenação política” do legislativo municipal. Essa seria a relevância de uma candidatura de Denise Frossard para a Câmara Municipal, pois seria uma grande liderança capaz até de mudar as constantes mesas diretoras que ninguém sabe citar algum nome. Além disso, poderíamos citar nomes que fariam parte de um “arco-íris” político comprometido dos os pensamentos da Frente Carioca mesmo estando em outras siglas e que contribuiriam no enfraquecimento da política clientelista de troca de favores.
Enfim, em resposta ao Ex-blog do alcaide do Rio de Janeiro, realmente a esquerda nunca esteve tão fraca no cenário eleitoral do município; porém a sua melhor política (implementar o reformismo por uma Frente Democrática) é a herança que pesa sobre todos nós do campo progressista. Sobre isso jamais devemos renunciar e defender os novos ventos que a Frente Carioca está possibilitando no sentido da refundação da esquerda brasileira como uma força política de Reformismo e Democracia aonde os partidos aliados (PSDB, PPS e PV) seriam o núcleo dessa constituinte programática com outros setores políticos espalhados em diversos partidos.
Rio de Janeiro, março de 2008.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 12h34
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO INFORME JB
CABO ELEITORAL
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso começou a campanha pelo xará Fernando Gabeira, que disputará a prefeitura do Rio. Ligou para os tucanos pré-candidatos, para convencê-los da importância da chapa PV-PPS-PSDB. O partido dará a resposta na terça. Vai aceitar o acordo.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h17
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO Nhenhenhém - O GLOBO
LARANJA VERDE
Legalmente impossibilitado de acumular o governo de Minas com a prefeitura da sua cidade, Aécio Neves escolheu um laranja para ser candidato à prefeitura do Rio.
Fernando Gabeira.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO JORNAL DO BRASIL
CPI DOS CARTÕES AGONIZA NA PRAIA
Villas-Bôas Corrêa
Antes mesmo de exalar o último suspiro e sumir nas profundezas do oceano, a indesejada CPI dos Cartões de Crédito Corporativo agoniza na praia, sem ter o gostinho de molhar os pés na arrebentação. Enjeitada antes de nascer, a pobre coitada saboreou poucos momentos de prestígio, brilhando nas manchetes da primeira página dos jornais, repicando nas revistas de fim de semana, rebolando nos blogs da moda e na internet.
Pouco a pouco, muito lentamente, a desafortunada acusou o amortecimento do interesse, que se foi dissolvendo, como torrão de açúcar no copo de limonada, sem disfarçar o azedo que trava a garganta. Os indicadores da silenciosa e dissimulada marcha-à-ré, como cortina de fumaça, dificultava a clara visão crítica da suspeita de um acerto, mais uma acomodação que esvaziou o ímpeto oposicionista e cauterizou os receios do governo de uma devassa em regra no último escândalo da série, com os saques dos cartões corporativos por ministros e assessores premiados com a chave mágica da fortuna.
Logo na estréia, a naturalidade com que a ex-ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, como quem faz a feira, concedeu-se o privilégio de umas comprinhas no free shop, no total de R$ 461,16, soou o alarme. Nos bares e resorts do Rio, pagou a mixaria de R$ 117 mil ao longo de 2007. Este ano, antes de despedir-se do posto de delícias e sacrifícios sem acertar as contas, a inconformada ministra pagou despesas no total de R$ 15 mil com aluguel de carro com motorista e outras coisitas.
Saiu sem dizer até logo, como vítima da ingratidão humana, no caso, do governo que não soube entender o seu sacrifício. Lá é exato que os elogios calorosos do presidente Lula à sua dedicação a tão nobre causa, repercutiram no fundo da alma ferida. O episódio inicial da ex-ministra Matilde Ribeiro merece ser relembrado para o destaque da mudança do cenário para encenação de nova peça.
A gana oposicionista com o presente inesperado de mais um escândalo, e dos mais indefensáveis pela amplitude da suspeita que atingiu aos mais de 11 mil usuários dos cartões corporativos, buscou o atalho da briga pela instalação de uma ou de duas CPIs: a mista, de senadores e deputados, ou a CPI de senadores, a Casa de senhores de calvas e cabelos brancos, onde conta com uma bancada boa de briga e de lideranças do prestígio dos senadores Arthur Virgílio e José Agripino Maia, além de outros aliados.
Mas algumas sombras na linha do horizonte injetaram bom senso e cautela, em doses iguais para governo e oposição. Algumas de uma obviedade translúcida para o presidente Lula e a banda governista: em ano eleitoral, com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) que promete transformar o país num canteiro de obras, enrolado com a demora na aprovação do Orçamento para este ano que já entrou no terceiro mês desaconselhavam o confronto em campo aberto com a oposição.
E, para mal ou bem dos pecadores, o debate disparou e foi parar nas alturas der um bate-boca presidencial. Lula cutucou o seu odiado antecessor com as provocações da sua incontrolável oratória. FH subiu um tom na resposta contundente.
As coisas começaram a ficar mal-paradas. Mas sempre há um jeito para apartar brigões quando ninguém quer ir às vias de fato.
A CPI deslizou do centro do debate para as amenidades da periferia. Numa comovente pacificação dos espíritos, o PT, que não é de ceder nem uma migalha do poder, abriu mão da presidência da CPI dos Cartões para atender à exigência da oposição. A gratidão tucana foi imediata e sem restrições, com o elogio do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) à sensatez dos adversários, que abre o caminho para o bom entendimento entre a presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB- MS), e o relator governista, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).
Há sempre um risco à espreita na crônica das CPIs. A conciliação de interesse de governo e oposição atenua a rispidez dos grandes debates da história recente das CPIs.
Mas não detém os imprevistos. Nunca se sabe como uma CPI acaba. Ela tem vida própria. Basta a aragem de uma denúncia que atinja em cheio o governo ou a oposição para incendiar o circo e puxar a moribunda para o centro dos debates.
Mais alguns dias ou semanas e saberemos até onde irá a CPI dos Cartões Corporativos - um moderno instrumento para o controle e agilização das despesas públicas, que está sendo desmoralizado pela praga da corrupção em seus muitos disfarces.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h02
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA GAZETA DO POVO (PR)
REFÉNS DA IDEOLOGIA
Em entrevista concedida ao jornal Le Figaro e publicada na quarta-feira, o assessor presidencial Marco Aurélio Garcia afirmou que o Brasil tem posição neutra sobre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Em suas palavras, “nós não as qualificamos nem de grupo terrorista nem de força beligerante”. No entanto, a sua frase seguinte revela para que lado pende sua balança: “Acusá-las de terrorismo não serve para nada quando queremos negociar”.Os Estados Unidos e países europeus, nações que já viveram (ou ainda vivem) em seu território a experiência do terror, não hesitam em qualificar as Farc como o que são – um grupo terrorista – e rejeitaram a proposta do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de retirar esse status das Farc e reconhecê-las como um grupo beligerante legítimo em território colombiano. No entanto, pode-se imaginar que, ao menos enquanto durar o atual governo, o Brasil não seguirá o exemplo das nações desenvolvidas. Ocorre que, desde 1990, as Farc e o Partido dos Trabalhadores são ambos ligados a uma entidade chamada Foro de São Paulo, criada por iniciativa do PT e que reúne grupos esquerdistas de toda a América Latina, com o objetivo de espalhar sua agenda pela região. É sob o manto desta parceria que se interpreta a posição brasileira em relação aos narcoterroristas colombianos.É lamentável perceber que a diplomacia brasileira, que já teve nomes como Barão do Rio Branco, Rui Barbosa e Oswaldo Aranha, que ainda hoje gozam de reconhecimento internacional – a ponto de o Brasil ser sempre o país que abre as reuniões da Assembléia Geral das Nações Unidas –, tenha se tornado refém de uma ideologia de esquerda, omitindo-se em relação ao terror que desestabiliza a América do Sul.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h59
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
SOBERANIA
Merval Pereira
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, estava apoiado em uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), citada de maneira indireta na resolução do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o conflito territorial com o Equador, quando se referiu ontem à interpretação expandida do conceito de violação de soberania na reunião do Grupo do Rio. Segundo sua acusação, esse tipo de violação estaria sendo sistematicamente praticado pelo governo do Equador ao proteger a guerrilha das Farc, permitindo que elas tenham feito nada menos que 40 ataques a alvos na Colômbia a partir do território equatoriano desde 2004.
Uribe estava protegido por uma resolução de codificação da Carta das Nações Unidas de 1970, que se refere às "relações amistosas e de cooperação entre os Estados". Além de falar do dever de não intervir nos assuntos de um outro estado, diz o texto que "todos os Estados devem abster-se de organizar, ajudar, fomentar, financiar, encorajar ou tolerar atividades armadas subversivas ou terroristas destinadas a mudar pela violência um regime de um outro Estado, bem como de intervir nas lutas internas de um outro Estado".
Na visão do ex-chanceler brasileiro Celso Lafer, essa referência está implícita na decisão do Conselho Permanente da OEA que, ao contrário do Conselho de Segurança da ONU, não tem membros com poder de veto. Como a decisão foi tomada por unanimidade, esse é um elemento de consenso e legitimidade política, ressalva Lafer.
A decisão "não condenou ninguém, e reafirmou certos princípios, entre eles o de que o território de um Estado é inviolável, não pode ser objeto de ação militar e de força, ainda que transitória".
Mas Celso Lafer lembra que o corolário lógico do princípio da soberania territorial é a não-intervenção, e por isso na resolução há uma menção ao artigo 19 da Carta da OEA que repete os mesmos conceitos da Carta da ONU, que diz que nenhum estado pode intervir ou ter ingerência nos assuntos internos de qualquer outro.
Esse princípio, destaca Lafer, significa não apenas não recorrer à força armada, mas também a qualquer outra forma de interferência ou de tendência atentatória à personalidade do Estado e dos elementos políticos, econômicos e culturais que o constituem. "Evidentemente as Farc fazem isso, e a referência pode ser interpretada como pelo menos uma preocupação com a ação das Farc".
Falando sobre as atividades criminosas do grupo guerrilheiro colombiano, Lafer se refere não apenas ao tráfico de drogas, mas aos métodos da atividade supostamente política do grupo.
Ele ressalta que no estatuto do Tribunal Penal Internacional estão tipificados como crimes atos de violência contra a vida e contra a pessoa, mutilações, tratamentos cruéis e tortura, ultrajes à dignidade da pessoa, em particular por meio de tratamentos degradantes, e a tomada de reféns.
As Farc têm no momento cerca de 700 reféns, sendo a mais famosa deles a ex-senadora Ingrid Bettancourt, por causa de quem o governo francês está empenhado em negociações diretas entre os guerrilheiros e os governos de Hugo Chávez e Rafael Correa.
Os relatos dos reféns soltos ou que conseguiram fugir evidenciam que as Farc usam tratamentos cruéis com seus prisioneiros, e há inclusive fotos de campos de prisioneiros na selva que mais parecem campos de concentração.
Reféns contam que são acorrentados pelo pescoço, e a própria Ingrid Bettancourt, em correspondência à sua família, fala de torturas psicológicas e maus-tratos.
Na reunião de ontem do Grupo do Rio em Santo Domingo, o presidente da Colômbia voltou a acusar tanto Chávez quanto Correa de apoiarem e financiarem o grupo de narcoguerrilheiros, e voltou a ser acusado de invasão territorial.
Tendo sido aprovada pela Assembléia Geral da ONU em 1970, a codificação da Carta da ONU que proíbe países de apoiar de qualquer maneira grupos terroristas ou atividades armadas contra outro Estado não teve nenhuma influência do clima antiterrorista que predomina no mundo depois dos atentados de 2001 nos Estados Unidos.
Com essa lembrança, Celso Lafer quer deixar claro que a condenação da ONU ao apoio de Estados a grupos terroristas não está contaminada pela doutrina Bush de ataques preventivos.
Uma comissão como a que foi formada para analisar in loco o que ocorreu e fazer um relato oficial à OEA é uma clássica saída para a solução desse tipo de controvérsias no plano internacional. A conclusão deverá ser apresentada em uma reunião de consultas de ministros, instrumento de alto nível para resolver grandes problemas, marcada para o próximo dia 17.
Para Celso Lafer, a OEA montou um enquadramento institucional que não isolou a Colômbia, reafirmou um princípio, deixou implícito que um Estado não pode também fomentar ações contra outro Estado. "Quem perde é a Venezuela", que ficou isolada na sua tentativa de se fazer parte do conflito sem que nada tivesse com a questão.
Na reunião de Santo Domingo, além de cantar e fazer outras tentativas de mudar a imagem beligerante pela de "paz e amor", Chávez defendeu que as Farc se transformem em um grupo político na Colômbia, passando a atuar dentro das regras democráticas.
Essa seria a solução ideal, desde que o grupo guerrilheiro depusesse as armas e abandonasse suas ligações com o narcotráfico. A fala de Chávez talvez reflita o estado de ânimo da organização criminosa, que sofreu mais um duro baque com a morte, anunciada também ontem, de outro membro de seu "secretariado", Ivan Rios.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h48
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
'APOIO DE CHÁVEZ ÀS FARC É OBSTÁCULO PARA A PAZ'
JORGE CASTAÑEDA
Forte crítico das idéias e do governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda assegurou ontem, em entrevista ao GLOBO, que o principal obstáculo para a paz no continente é o respaldo dado pelo líder bolivariano às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "A comunidade latino-americana deveria, antes de mais nada, censurar Chávez pelo apoio dado às Farc", assegurou Castañeda, atualmente professor de estudos latino-americanos na Universidade de Nova York.
Janaína Figueiredo
Que avaliação o senhor faz sobre a crise entre os governos de Venezuela, Equador e Colômbia?
JORGE CASTAÑEDA: Considero que a Venezuela é o centro do problema, porque o já provado apoio do presidente Hugo Chávez às Farc é totalmente contrário ao que os governos democráticos da região defendem. Não existirá uma boa solução para a Colômbia enquanto Chávez continuar apoiando as Farc, uma narcoguerrilha que combate um governo democraticamente eleito, como o do presidente Álvaro Uribe.
A participação da Venezuela impede uma solução ao conflito?
CASTAÑEDA: A Venezuela é a origem do problema. A origem deste problema é o apoio dado pela Venezuela às Farc. Todo o resto tem solução.
O senhor considera o ataque dos colombianos ao acampamento das Farc em território equatoriano justificável?
CASTAÑEDA: Não sei se é justificável, a questão é que esse não é o problema. Evidentemente a ação colombiana não seria justificável. O problema é saber o que é mais justificável: o ataque colombiano ou o aberto apoio de Chávez à guerrilha colombiana. Sem falar no aberto apoio de (Rafael) Correa às Farc. Essa deveria ser a discussão. A comunidade latino-americana deveria, antes de mais nada, censurar Chávez pelo apoio dado às Farc. Depois, censurar a Colômbia por ter se defendido do apoio de Chávez e do Equador às Farc.
Que país latino-americano deveria liderar os esforços pela paz no continente?
CASTAÑEDA: O Brasil tem um papel importante, porque tem fronteiras com a Colômbia e com a Venezuela. O México também, porque nosso país tem afinidade com o governo colombiano, coisa que outros países da região não têm. O mais importante é que a comunidade internacional deveria ser muito clara: é justificável ou não que um país, especificamente a Venezuela, apóie abertamente uma guerrilha vinculada ao narcotráfico e que busca derrubar um governo legitimamente democrático? Essa é a pergunta que devemos responder, não a quantos metros estava o acampamento. Lamentamos as mortes, evidentemente foi uma violação da integridade territorial equatoriana, não existe discussão. O governo da Colômbia foi o primeiro a reconhecer isso. Mas a discussão importante é outra.
Que papel desempenha o governo americano nesta crise, como forte aliado da Colômbia na região?
CASTAÑEDA: Sem dúvida os Estados Unidos ajudaram a Colômbia na localização do acampamento. É lógico que os Estados Unidos ajudem a Colômbia, eles estão ajudando o país há dez anos. O México também vai receber ajuda dos Estados Unidos na luta contra o narcotráfico e isso não é um pecado, salvo para Chávez.
Os debates na reunião de presidentes do Grupo do Rio foram muito tensos e os países do continente não parecem dispostos a condenar a atitude da Venezuela...
CASTAÑEDA: O eixo esquerdista latino-americano está vivo.
O senhor se refere aos presidentes Chávez, Morales e Correa?
CASTAÑEDA: Os adversários da democracia são mais ruidosos do que os defensores da democracia na América Latina. Acho que países como México, Peru, Chile e Brasil deveriam falar com mais clareza. Insisto, aqui o problema é que um governo, dois governos, três ou vários governos latino-americanos estão apoiando uma narcoguerrilha que busca derrotar um governo legitimamente eleito.
Governos como os de Chávez, Morales e Correa não são democráticos?
CASTAÑEDA: São democráticos, mas apóiam um esforço não democrático. Ninguém questiona sua legitimidade democrática, mas eles questionam a legitimidade democrática de Uribe ao financiar uma guerrilha que busca derrotá-lo.
É possível pensar numa guerra na região?
CASTAÑEDA: Não, no fim do dia todos somos latino-americanos. É pura retórica.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h43
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM GRAMSCI E O BRASIL
¿CUÁL LA ACTITUD DEL POLO FRENTE A LA CRISIS?
Mauricio Trujillo-Uribe
Luego de que la Dirección Nacional del PDA [Polo Democrático Alternativo] aprobara el pasado 2 de marzo de 2008 una declaración pública frente a la crisis de las relaciones de Colombia con Ecuador y Venezuela, han tenido lugar una serie de hechos que han profundizado esa crisis y, si la escalada no se detiene, la polarización creciente podría conducir a un enfrentamiento de graves consecuencias para los pueblos y países de la región.
El Polo debe fijar su posición como partido de izquierda democrática ante estos nuevos hechos, contribuyendo en lo posible a proponer salidas que ayuden a que la tensión disminuya y se restablezcan las relaciones entre los tres países hermanos. Es necesario intentar medir lo sucedido en su justa dimensión, me permito presentar al PDA las siguientes reflexiones:
El Estado colombiano, el actual, tiene el legítimo derecho del monopolio de las armas, tiene el legítimo derecho de perseguir y combatir a los grupos armados ilegales, entre ellos a las FARC. En consecuencia, el gobierno colombiano tiene la obligación de enfrentar sin excepción a esos grupos. Al mismo tiempo, es su deber buscar salidas políticas para poner fin a un conflicto armado que lleva más de cuarenta años.
En los acontecimientos que culminaron el pasado 1 de marzo de 2008 con la muerte del comandante de las FARC, Raúl Reyes, el gobierno de Colombia no atacó a la población civil, ni a las autoridades, ni a los bienes del Ecuador. Las Fuerzas Armadas atacaron un campamento de las FARC que se encontraba en Ecuador, al borde de la frontera con Colombia, sin que hubiese la intención de atacar al país hermano.
Sin embargo, el asalto al campamento violó la soberanía y la integridad territorial del Ecuador. En este sentido se trata de un acto reprobable y condenable, como lo es todo acto por parte de las autoridades colombianas que, en el marco del combate a los grupos armados ilegales, viole las leyes. Le cabe al gobierno de Uribe toda la responsabilidad legal por la violación del Derecho Internacional en que ha incurrido, como le cabe a las FARC toda la responsabilidad política por utilizar las fronteras de los países vecinos.
Las pruebas que supuestamente el gobierno de Colombia dice haber encontrado en los computadores incautados en el asalto, indican que el gobierno del Ecuador estaba apoyando a las FARC. Seguramente esto es falso, el gobierno ecuatoriano sostiene que mantenía contactos con las FARC con el fin de facilitar la liberación de las personas secuestradas, entre ellas Ingrid Betancur. ¿Pero es normal que esos contactos con las FARC se estuviesen adelantando sin el conocimiento del gobierno de Colombia? ¿Esta relación unilateral con las FARC por parte del gobierno de Ecuador, aun si fuese por motivos humanitarios, no es a su vez una violación de la soberanía de Colombia?
Con motivo del asalto al campamento de las FARC en territorio ecuatoriano, el presidente de Venezuela, Hugo Chávez, ha expresado improperios contra el Presidente Uribe. No en vano las declaraciones de Carlos Gaviria el pasado 2 de marzo: “Yo soy el Presidente de un partido de oposición pero nosotros debemos tener presente que al Presidente lo eligieron los colombianos y que el Presidente no puede ser tratado de una manera tan irrespetuosa por Jefes de Estado de países extranjeros y mucho menos vecinos”.
El presidente Chávez también ha amenazado con guerra si un tal hecho llegase a producirse en territorio venezolano, ha cerrado la embajada de Venezuela en Bogota, ha expulsado el embajador de Colombia en Caracas y ha anunciado el cierre de la frontera con Colombia. Actuando de esta manera, el presidente Chávez, lejos de conseguir que la opinión pública colombiana entienda sus razones, provoca la adhesión de la misma al presidente Uribe y le “da manivela” a la escalada de la confrontación entre los dos países. ¿No estamos acaso frente a una respuesta desproporcionada por parte del presidente Chávez, cuando en realidad los hechos sucedieron en Ecuador y no en Venezuela?
Es inconveniente y provocador el anuncio del presidente Uribe de presentar una demanda contra el presidente Chávez ante la Corte Penal Internacional por patrocinio de grupos terroristas, tanto más cuando cerca del 30% de congresistas que apoyaron al primer mandatario en su pasada campaña electoral se encuentran investigados por vínculos con grupos paramilitares. Todo lo anterior cierra aun más las puertas a la posible gestión del presidente Chávez para facilitar un Acuerdo Humanitario (luego de quedar demostrado su valioso concurso en la reciente liberación de los secuestrados) y a su acción en aras de un acuerdo político para acabar con el conflicto interno armado. ¿Podría ser el presidente Lula quien entre a jugar un rol de intermediación?
En la OEA, varios gobiernos de países de América Latina han apoyado el pedido del gobierno de Ecuador de condenar a Colombia por la violación de su soberanía nacional. ¿Tal petición puede considerarse justa, sin considerar injusta la solicitud de que se investigue el supuesto apoyo financiero del gobierno de Venezuela a las FARC?
La bancada del partido Liberal en el Congreso de Colombia ha anunciado su respaldo al Presidente Uribe “para que solucione la crisis, pero no para que la profundice”. A su vez, muchos colombianos y colombianas, así como la comunidad internacional, mirarán con atención la posición del Polo frente al presidente Uribe en esta crisis regional. ¿Cuál actitud del PDA en tanto que principal fuerza política de oposición al gobierno y como partido que defiende los intereses de la nación y propugna por la paz en la región?
México, 5 de marzo de 2008
Mauricio Trujillo-Uribe es miembro del Comité Ejecutivo Nacional del Polo Democrático Alternativo, de Colombia.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h36
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
CORPOS DE CONSUMO
Rose Marie Muraro e Maria Tereza Maldonado
O modelo ideal de homem e mulher, em vez de elevar a auto-estima, só faz com que esta diminua e seja substituída por mal-estar
DESDE QUE começamos a trabalhar com mulheres, a pergunta básica que nunca deixou de ser a mesma é sobre o tratamento da mídia a respeito do corpo feminino. Agora, contudo, devido ao avanço da tecnologia, a coisa está se tornando mais grave. O consumo não é mais sobre a forma física da mulher, que é sempre jovem, magra e bela, mas sobre seus laços mais profundos.
Sites americanos e brasileiros apresentam o "pacote de cirurgia pós-parto": lipoaspiração para retirada das gordurinhas extras, correção da vulva e dos seios, tudo para consertar o "estrago" que a gravidez faz no corpo da mulher. Médicos mais sensatos recomendam alguns meses de espera para que a própria fisiologia se encarregue de fazer boa parte do trabalho, mas outros vendem a idéia de "aproveitar a oportunidade do parto" e cuidar de recuperar rapidamente a auto-estima supostamente perdida com a "deformação" provocada pelo feto.
O vínculo amoroso imprescindível com o bebê, a intimidade da amamentação, a importância dos primeiros dias e semanas após o parto para incluir o bebê na família deixaram de ser a prioridade?
Sim. Para a sociedade de consumo, nem o corpo da mulher nem o da criança nem o do homem são prioridades. A prioridade única e exclusiva é o lucro. O lucro vale mais do que a vida humana.
No depoimento de algumas mulheres motivadas a comprar o "pacote", os argumentos giravam em torno de garantir a permanência do desejo do marido, preservar a boa imagem no ambiente de trabalho, destacar a importância do corpo perfeito. E agora perguntamos: vale a pena ficar com um companheiro que só nos quer se estivermos "com tudo em cima"? O consumo também engole os valores mais profundos do amor.
Em conversa com uma moça na faixa dos 20 anos, vimos a insegurança de ir para a cama com o namorado sem estar perfeitamente depilada. Este, por sua vez, também depila os pêlos do peito: não é à toa que cresce o nicho das clínicas de depilação. Será que o desejo ficou tão vulnerável à estética, tão volátil, que desaparece sem os devidos cremes, as horas nas academias e os tratamentos de beleza para corrigir as imperfeições?
É isso que se faz com a juventude.
Ao invés de aumentar a auto-estima, o "modelo perfeito" de homens e mulheres só faz com que esta diminua e seja substituída por um mal-estar subjacente que, desde a adolescência, persegue homens e mulheres a respeito de sua imagem até o fim da vida. Porque é impossível para o ser humano médio competir com os padrões de beleza que vê nas revistas, nos filmes e nas novelas de televisão. O fato se agrava cada vez mais à medida que a mulher vai amadurecendo.
Na maioria dos países desenvolvidos, os anos de vida útil aumentam cada vez mais, e cada vez mais se faz uma publicidade para a beleza amadurecida. No Brasil, as companhias de cosméticos não conseguem furar a barreira do preconceito da eterna juventude, a fim de criar uma "juventude" interna que não se desgasta com o correr dos anos.
Em meio a intensas dores e desconforto de uma plástica de abdome para tirar a barriguinha que ficou mal na foto, uma mulher de meia-idade pensa na calça jeans e nos vestidos de malha que conseguirá usar depois de atravessar a via-crúcis do pós-cirúrgico e das várias limitações à sua mobilidade nas primeiras semanas.
Qual o verdadeiro sentido desse sofrimento auto-imposto?
O amor, o desejo, a ternura e a cumplicidade podem existir entre pessoas com corpos imperfeitos. Ao contrário do que a mídia apregoa, quanto mais maduros homens e mulheres, mais profundas se tornam suas relações, mais independentes de estereótipos e mais prazerosas, de um prazer inabalável, se não fosse o bombardeio midiático de que a velhice é uma doença, e não uma plenitude.
Para onde nos leva o capital/dinheiro? São inaceitáveis as marcas (e os marcos) do tempo no corpo? É imoral envelhecer?
O pior é que não é só o corpo que o capital/dinheiro destrói. Ele destrói também a capacidade de homens e mulheres de aprofundarem a sua relação com a realidade. Destruir o corpo real e substituí-lo por um corpo de consumo é também substituir a "realidade real" por uma "realidade de consumo", que tende a destruir a própria espécie humana (a partir do desequilíbrio climático pelo excesso de consumo).
ROSE MARIE MURARO, 75, escritora e editora, é patrona do feminismo brasileiro (Lei 11.261/2005).
MARIA TEREZA MALDONADO, 59, psicóloga, é integrante da American Family Therapy Academy, com mais de 20 livros publicados.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h48
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO PORTAL DO PPS
PPS DEFENDE MAIS ESPAÇO PARA MULHER NA POLÍTICA |
|
|
|
Em nota lembrando a passagem do Dia Internacional da Mulher, neste 8 de março, o PPS defende a abertura de mais oportunidades para uma maior participação delas no meio político. O texto lembra que essa é uma bandeira histórica do partido e ressalta que "O PPS, atento aos problemas enfrentados pelas mulheres nas diferentes regiões, está permanentemente engajado na luta por uma agenda positiva".
Também critica a política para as Mulheres do governo Lula que, segundo o partido, é mais peça de marketing do que realidade. Cita, por exemplo, que o I Plano Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, lançado pelo presidente em 2004, pouco representou para elas. "Acontece que tais recursos foram alocados no Orçamento, e a maior parte deles foi contingenciada ou simplesmente não executada", denuncia a nota. Leia abaixo a sua íntegra.
NOTA PÚBLICA
Neste Dia Internacional da Mulher de 2008, o PPS conclama a sociedade a fazer ampla e profunda reflexão sobre as possibilidades de construção de um mundo melhor para mulheres e homens. E propõe que ela se manifeste, pelas mais variadas formas, em defesa de amplas liberdades e oportunidades iguais para todos, acreditando ser esta a forma de dar continuidade aos anseios populares de fortalecimento de uma convivência mais democrática, mais solidária, e na qual as mulheres tenham seu lugar e o seu papel garantidos.
O PPS, atento aos problemas enfrentados pelas mulheres nas diferentes regiões, está permanentemente engajado na luta por uma agenda positiva pela autonomia, igualdade no mundo do trabalho e cidadania; pela educação inclusiva e não-sexista; pela saúde das mulheres, direitos sexuais e direitos reprodutivos; e pelo enfrentamento à violência contra as mulheres.
Para que tais conquistas se materializem é decisiva a ampliação da participação social e política das mulheres. Nesse sentido, o governo atual, como é de seu estilo, tem lançado seus programas também anunciando o empoderamento feminino. Lamentavelmente, porém, dá com uma mão e retira com a outra e, o que é gravíssimo. De um lado, anuncia com espalhafato as boas novas com repercussão de mídia e, de outro, não materializa o proposto utilizando-se de articulações dissimuladas. É o caso, por exemplo, do I Plano Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, lançado em 2004, no qual foram prometidas verbas para os programas e ações governamentais específicos que, embora não se tratasse de um montante milionário, ajudariam muito à execução do que foi nele definido. Acontece que tais recursos foram alocados no Orçamento, e a maior parte deles foi contingenciada ou simplesmente não executada. Eis que, nesta semana de comemorações, o presidente Lula anuncia, como sempre em tom de palanque eleitoral, o II Plano, o qual somente terá garantida sua execução orçamentária se os partidos e os movimentos de mulheres acompanharem e exigirem a aplicabilidade dos recursos.
As mulheres já perceberam, na sua dura batalha diária, no trabalho, em casa e nas ruas, que para avançar na sua integração maior e melhor na sociedade brasileira, elas dependem sobretudo dos seus próprios esforços e não de programas quase sempre demagógicos dos governantes que, ao contrário do proposto, reproduzem as desigualdades entre homens e mulheres, elas que são a maioria da nossa população.
Saúdo as mulheres brasileiras e, em particular, as militantes do PPS. Estamos com vocês!
Roberto Freire Presidente Nacional do PPS |
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h41
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
EM CASA
Eliane Cantanhêde
BRASÍLIA - Não há crise boa, mas sempre se podem tirar boas lições de uma crise. Uma dessas lições agora é que a OEA (Organização dos Estados Americanos) não apenas ressurgiu das cinzas como conseguiu algo inédito, ou pelo menos muito raro, ao discutir o conflito Colômbia-Equador. Os EUA não ficaram no centro das discussões e das decisões. Prevaleceu a diplomacia latino-americana.
A ofensiva diplomática dos países mais moderados do continente, como Brasil, Chile e Argentina, surtiu efeito: a OEA condenou um ato, não um país. Condenou a violação territorial do Equador, sem atacar diretamente o governo da Colômbia. Isso resultou numa decisão por aclamação, com Rafael Correa (Equador) e Alvaro Uribe (Colômbia) concordando com os termos e com as duas decisões práticas: 1) a criação de uma comissão de investigação das circunstâncias em que forças militares colombianas aniquilaram um acampamento das Farc em solo equatoriano; 2) uma reunião de chanceleres no próximo dia 17 para avaliar resultados.
"É o início do fim da crise", ouvi de um diplomata de primeiro escalão. Mas ainda há muito o que fazer. No mínimo, os "bombeiros" ganham tempo, enquanto trabalham intensamente para obter um pedido de desculpas formal e incisivo do colombiano Uribe e se preparam para apaziguar os ânimos, ainda exaltados, do equatoriano Correa.
Lula e Celso Amorim conseguiram manter o Brasil muitíssimo bem posicionado, em condições de tanto negociar com Uribe quanto com Correa, junto com Chile e Argentina. Para isso, recorreram desde o início à mesma estratégia que veio a ser adotada pela OEA: condenar atos, não governos; sugerir a comissão para chegar a uma versão única do episódio; tirar os belicosos Chávez e Bush da jogada.
Resolvido o agudo da crise, agora é tentar reconciliar Colômbia e Equador em níveis de civilidade, sem esquecer as Farc, é claro.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h36
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
OS SEM-OPORTUNIDADES
Clóvis Rossi
MADRI - Patrick O"Callaghan, brasileiro que vive há cinco anos na Espanha, onde trabalha na Bosch, escreve para reclamar do texto sobre os dois jovens brasileiros retidos no aeroporto de Barajas.
A tese dele é a seguinte: "A polícia de imigração está barrando os brasileiros devido ao aumento de 400% no número de imigrantes brasileiros nos últimos quatro anos.
Além disso, houve detenções de máfias russas e ucranianas que exploravam brasileiras no mercado sexual. Outro tema importante: foi descoberta uma máfia brasileira em Madri que vendia RGs portugueses falsos".
Depois, emenda com outros casos envolvendo brasileiros. O"Callaghan esclarece que não concorda com as práticas aleatórias da imigração espanhola e conta que teve amigos que vinham visitá-lo e foram barrados "sem nenhuma explicação".
Mas acha que é obrigação do jornalismo "mostrar ambos lados da moeda", no caso as práticas arbitrárias e aleatórias e as supostas razões de fundo para visar especialmente brasileiros.
De acordo, Patrick. Mas tenho dúvidas se o fato de haver brasileiros envolvidos em crimes e em prostituição (de fato é grande o número de garotas de programa brasileiras na Espanha) é realmente o que leva os policiais a perseguir especialmente brasileiros.
Tenho circunstancialmente cruzado com a diáspora brasileira em vários países -e em todos, não apenas na Espanha, há queixas de perseguição pelo fato de ser brasileira.
Suspeito que o verdadeiro problema está no aumento (de 400%, segundo ele) no número de imigrantes. Quanto mais gente vem em busca do paraíso, suposto ou real, maior a reação, que não se justifica. Mas pode ser uma explicação.
O que não se explica é por que tanta gente está fugindo de um país que sempre foi tido como terra de oportunidades.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
SUPREMO FAZ A DIFERENÇA
Dora Kramer
Não obstante o voto de tirar o fôlego de qualquer cristão dado pelo relator Carlos Ayres Britto, o gesto decisivo na etapa inicial do julgamento da constitucionalidade da Lei de Biossegurança foi feito pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie.
Política na melhor acepção da palavra, a ministra adiantou seu voto para antes do vencimento do prazo do pedido de vista do ministro Carlos Alberto Direito, a fim de sinalizar a posição do tribunal em favor do progresso da ciência e da preservação da vida.
Quando pediu rapidez na devolução da ação para conclusão do exame no plenário, disse com a elegância da postura - pois as palavras necessárias já haviam sido todas ditas por Ayres Britto - que a Justiça não pode deixar que a postergação permitida pela lei substitua a urgência inerente à matéria em julgamento e consolidou a evidência de que o Supremo Tribunal Federal tem feito a diferença no Brasil.
Disso já se colecionam exemplos à casa das dezenas. O STF tem sido pródigo no balizamento dos rumos da política, em consonância com as demandas da sociedade. Enquanto o Legislativo caduca e o Executivo dá demonstrações de desconforto com a perfeita noção que o Judiciário tem do princípio da autonomia dos Poderes, o Supremo moderniza princípios e induz avanços.
Como chefe da Nação, o presidente Luiz Inácio da Silva deveria se orgulhar da Corte Suprema do País e não reclamar nem enxergar baixas intenções por trás da manifestação de seus integrantes em prol de um Brasil mais moderno, de instituições mais atentas ao cumprimento da lei e às exigências da realidade.
O julgamento da constitucionalidade da Lei de Biossegurança está, com a antecipação do voto de Ellen Gracie, a declaração de Celso de Mello e os argumentos irrefutáveis de Ayres Britto, resolvido.
Não haverá obstáculo obscurantista às pesquisas com células-tronco embrionárias, o País não será engolido pelas trevas de um debate de caráter religioso, cujos preceitos não podem prevalecer na sociedade plural. Dizem respeito apenas a seus seguidores.
Carlos Alberto Direito pediu vista para ganhar tempo e atender aos ditames de sua religiosidade. De nada adiantará. E Ellen Gracie , num lance de fina habilidade e coragem política, deu por vencida essa questão.
Conceito de ética
O governo, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o PDT, estão todos empenhados em armar o que entendem ser a melhor moldura para a retirada de Lupi da presidência do partido sem “parecer” que o gesto resulta de “pressão”.
Primeiro o ministro José Múcio entra em cena defendendo o afastamento porque “é óbvio que quanto menos marolas para o governo, que já tem alguns problemas, melhor”. Depois, o PDT faz uma reunião de desagravo ao dirigente - e benfeitor, a contar pelas verbas liberadas aos correligionários por meio de convênios do ministério.
Em seguida, Lupi anuncia disposição de “conversar” com o novo presidente da Comissão de Ética Pública, Sepúlveda Pertence, a quem confere a autoridade moral que não reconhecia no antecessor, Marcílio Marques Moreira.
Isso tudo como se o problema ainda fosse apenas um potencial conflito de interesses apontado, em maio faz um ano, pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
Hoje a questão é de favorecimento de um partido, irregularidades na assinatura de convênios, malversação de dinheiro público, pois.
Portanto, estão todos se prestando ao desempenho de uma farsa, porque o caso agora é de acusações que apontariam para a conveniência da saída de Lupi, não da presidência do partido, mas do ministério.
Espírito público
A posição de ex-presidente da República e condição de fiador da transição democrática não inibe - e isso impressiona - o senador José Sarney de fazer manobras fisiológicas com a falta de cerimônia de um iniciante.
Anunciou disposição de pedir licença do mandato - junto com a filha Roseana e o aliado Gilvan Borges -, dizendo que era para escrever suas memórias.
O governo entendeu o recado e, ante a ameaça da retirar três votos do Senado, substituídos por suplentes a serem conduzidos como marionetes em favor dos interesses do clã, tratou de dar a presidência da Eletrobrás a um afilhado de Sarney que, ato contínuo, desistiu do período sabático dedicado à literatura.
Como bem observou um petista de altíssimo escalão há 15 dias, quando do anúncio da falsa retirada: “E que livro escreverá Roseana?”
Butantã
Comentário de um serrista ao ver José Serra entrar num carro, Gilberto Kassab no outro e Geraldo Alckmin ir para o meio do povo no centro de São Paulo, logo após a missa em homenagem a Mário Covas: “O prefeito e o governador foram trabalhar. Geraldo, como não tem o que fazer, faz campanha.”
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h01
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
APROXIMAÇÕES
Merval Pereira
Um efeito paralelo para o Brasil da crise político-militar que ainda domina o cenário sul-americano é a aproximação com a França e o distanciamento dos Estados Unidos no que se refere à concepção de defesa militar do continente. O governo brasileiro, por razões ideológicas, mas também conceituais, posiciona-se ao lado da França a favor da negociação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para a libertação dos reféns, e contra a política de "ataques preventivos". A França, por razões mais sentimentais do que ideológicas, aceita qualquer tipo de intermediação, mesmo aquelas condenadas pelos tratados internacionais, para libertar a ex-senadora Ingrid Bettancourt, a tal ponto de o conservador Nicolas Sarkozy insinuar que a França poderia considerar as Farc um grupo insurgente, e não terrorista, caso se dispusessem a liberá-la.
Sarkozy, que começou seu governo declarando apoio aos Estados Unidos na guerra contra o terrorismo, mudando a posição francesa de oposição à política de Bush, não resistiu aos apelos sentimentais provocados no país pelos relatos da situação de Ingrid Bettancourt na selva e, em vez de assumir o combate aos narcoguerrilheiros ao lado da Colômbia e dos Estados Unidos, como seria sua posição natural, busca desesperadamente uma negociação para a libertação da refém.
O governo brasileiro está convencido de que houve interferência americana na ação colombiana de invadir o território do Equador para atacar o grupo guerrilheiro que lá estava, sabe-se agora que negociando com o governo francês, sob os auspícios de Chávez e Correa, a libertação de Bettancourt. A posição dura contra a Colômbia, e a prioridade para a formação de um Conselho Sul-Americano de Defesa, fazem parte dessa resposta a uma possível ingerência dos Estados Unidos na região.
Em nenhum momento os países envolvidos no conflito, nem mesmo a Venezuela de Chávez, acusaram formalmente os Estados Unidos, mas há um convencimento de que sem o apoio americano o governo Uribe não teria condições tecnológicas de rastrear a localização dos guerrilheiros nem de realizar o ataque, além do suporte político.
A aproximação com a França já estava traçada nas negociações de uma "aliança estratégica" que será coroada com nada menos que quatro encontros de Lula com Sarkozy este ano.
Dentro desse conceito, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, esteve na França recentemente, e um ponto decisivo para negócios na área de armamentos é a transferência de tecnologia, que tem na França maior receptividade do que nos Estados Unidos.
O embaixador americano Clifford Sobel esteve com o Jobim depois que este regressou de uma viagem à França e à Rússia, e garantiu que a transferência de tecnologia pode ser negociada com os fabricantes americanos de helicópteros, submarinos e aviões, e o interesse especial do Brasil é a transferência de tecnologia de submarinos nucleares.
Jobim visitará nos próximos dias os Estados Unidos para conversar sobre temas sensíveis como esse e a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa. E está prevista uma visita da secretária de Estado Condoleezza Rice neste mês.
O governo brasileiro não acredita, no entanto, que consiga com os americanos contratos mais vantajosos do que com a França, não em termos de preço, mas pelo acesso à tecnologia embutida nos equipamentos, especialmente a nuclear.
Sempre que se fala nisso lembram-se no governo brasileiro as pressões políticas, especialmente dos Estados Unidos, que o país volta e meia enfrenta com suas instalações de enriquecimento de urânio no complexo semi-industrial de Resende que, em oito anos, deve produzir o necessário para o funcionamento das duas usinas de Angra e da terceira que será construída.
Poucos países dominam a técnica de enriquecer urânio - EUA, Rússia, China, França, Alemanha, Holanda e Inglaterra, e o Brasil está entre eles. Uma técnica desenvolvida pela Marinha chamada "levitação magnética", em uma centrífuga feita com tecnologia nacional, que tem velocidade e produtividade maiores, provoca a "curiosidade" da comunidade científica internacional, e interesses comerciais de competidores, mais especificamente dos Estados Unidos.
Quanto à coordenação das políticas de defesa do continente, o ministro Nelson Jobim já esteve discutindo o assunto no Chile, na Argentina, na Colômbia e no Equador, mas não com a Venezuela de Chávez. Uma visita estava programada por esses dias, mas foi cancelada devido aos acontecimentos.
O Conselho Sul-Americano de Defesa imaginado pelo Brasil não tem, pelo menos inicialmente, o caráter de união de forças militares da região proposta por Hugo Chávez. Ele seria responsável pela formulação de uma estratégia conjunta na área, e a busca de que os países sul-americanos tenham posições comuns nos fóruns internacionais, além de resolver eventuais questões de defesa, como agora.
Também há a intenção de estimular a criação de uma indústria privada de defesa sul-americana, com o objetivo de diminuir progressivamente a dependência externa em produtos estratégicos de defesa, desenvolvendo-os e produzindo-os na região.
O governo brasileiro já tinha dado os primeiros passos num projeto ambicioso de integração da indústria de defesa com a Argentina, a África do Sul e a Índia, na época em que o ministro da Defesa era o embaixador José Viegas.
A tese por trás dessa estratégia, que será retomada agora através da América do Sul, é fazer parte de um "núcleo de poder militar" no Hemisfério Sul, para se contrapor a Estados Unidos e União Européia. Rússia e China poderiam também se juntar a esse grupo.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h53
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO VALOR ECONÔMICO
|
APOIO TUCANO A GABEIRA AMEAÇA ALIANÇA ENTRE DEM E PSDB EM 2010
Raymundo Costa
Juntos na oposição ao governo Lula em Brasília, DEM e PSDB devem seguir caminhos separados nas principais eleições de 2008, para prefeito, e de 2010, para presidente. O apoio entusiasmado da cúpula tucana à candidatura do deputado Fernando Gabeira a prefeito do Rio, num frente com PV e PP, é apenas mais um golpe, e não o mais forte, na aliança que por oito anos (1995-2003) governou o país.
Identificado nas pesquisas de opinião como o partido "mais à direita" do espectro político, o PSDB aposta em Gabeira no Rio numa tentativa de firmar a imagem de centro-esquerda. Ao Democratas não resta outra opção a não ser tentar se constituir ele mesmo uma opção. Uma alternativa "do centro para a direita" e nesse espectro viabilizar uma candidatura presidencial, segundo diz seu presidente, Rodrigo Maia.
Oficialmente, o DEM considera natural a decisão tucana. "É a estratégia deles", disse Maia. Na prática, o aliado nas empreitadas vitoriosas de 1994 e 1998, com a eleição e reeleição de Fernando Henrique Cardoso, atravessam um período de forte turbulência nas relações. O DEM crê que o PSDB não perde oportunidade para lhe passar a rasteiras.
O fim da coligação entre as duas siglas na eleição para prefeito de São Paulo, inevitável desde que o ex-governador Geraldo Alckmin exigiu ser candidato, foi o golpe mais duro na aliança, seguido agora da decisão do PSDB de apoiar Gabeira no Rio. Mas o afastamento é bem maior: os dirigentes Democratas não são capazes de mencionar uma só prefeitura capital em que estejam juntos com o PSDB na eleição.
Na realidade, há dificuldades para a aliança até mesmo em cidades onde tudo indicava uma parceria. Esse é o caso, por exemplo, de Belém do Pará, onde a candidata do Democratas, Valéria Pires Franco, está bem situada nas pesquisas de opinião, bem próxima do atual prefeito. Mas o ex-governador tucano Simão Jatene, que aparece nas últimas posições, deve se lançar candidato. Mas o PSDB também contabiliza "afrontas" Democratas: é o caso do Rio Grande do Sul, onde o vice demista de Yeda Crusius faz oposição ao governo desde algumas semanas após a posse dos dois.
No blog que mantém na internet, o prefeito do Rio, César Maia, foi preciso no diagnóstico do que levou o PSDB a apoiar Gabeira, mas segundo tucanos errou ao atribuir a decisão a uma parcela do partido. Na verdade, todos os cardeais tucanos se manifestaram favoravelmente à aliança e estão empenhadas em convencer o deputado Otávio Leite a desistir da candidatura própria: Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aécio Neves e o presidente do partido, Sérgio Guerra.
Maia atribui a aposta tucana ao PSDB de São Paulo, ligado ao governador José Serra, o mesmo que em 2002 teria levado ao fim da aliança entre PSDB e o então PFL: "A rasteira dada no PFL em 2000 na composição da mesa da Câmara de Deputados foi o primeiro passo", diz o blog do prefeito na internet - refere-se à eleição de Aécio Neves para presidente da Câmara, apesar de um acordo vigente à época segundo a qual o PSDB tinha o presidente, e PMDB e PFL dividiriam as duas Casas do Congresso (Jader Baralho foi eleito para o Senado).
O segundo passo revelado por Maia revela a extensão da crise entre os antigos aliados: "Foi o desmonte da candidatura do PFL a presidente em 2002, com uma operação da PF orquestrada pelo mesmo grupo". A sucessão de eventos culminou com a chapa PSDB (Serra)-PMDB para a Presidência, em 2002, na sucessão da dupla FHC-Marco Maciel.
Até agora César, que é amigo de José Serra, nunca acusara o grupo do governador de São Paulo pela operação da Polícia Federal que apreendeu R$ 1,3 milhão no escritório da atual senadora Roseana Sarney. Em seu livro de memória, o jurista Saulo Ramos, que foi ministro de José Sarney, diz que o dinheiro se destinava ao pagamento de despesas da pré-campanha presidencial de Roseana, que à época deslanchava nas pesquisas. |
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h47
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
UTOPIA CARIOCA
Nelson Motta
RIO DE JANEIRO - Sempre que vejo na televisão a propaganda do TSE mandando a gente ficar de olho nos nossos eleitos, sinto um certo constrangimento e uma sensação de ridículo institucional. Mas também um estranho orgulho e um vago sabor de superioridade: há várias eleições voto no deputado Fernando Gabeira e nunca me decepcionei com seus votos, atitudes e atuação política, mesmo quando, às vezes, discordo de seus pontos de vista. Sua honestidade e inteligência são inquestionáveis.
É uma felicidade democrática ter alguém que realmente representa no Congresso o que você pensa e acredita. Isso também é quase ridículo, porque é uma exceção do que deveria ser a norma, como é em países civilizados. Mas fiquei ainda mais orgulhoso agora que ele impôs suas condições para ser o candidato da frente PV-PSDB-PPS à Prefeitura do Rio de Janeiro.
Não pediu poderes ilimitados, nem caminhões de dinheiro, nem submissão dos partidos à sua vontade: exigiu uma campanha limpa, sem ataques pessoais, propositiva; divulgação pela internet dos fundos e despesas da campanha, e o principal: caso eleito, que o secretariado seja escolhido por méritos e critérios profissionais e não partidários, sem o habitual loteamento como moeda de troca por apoio político. Ele não acha que só porque "todos" fazem errado ele deve fazer também. É quase uma utopia. Mas se é a realidade em países civilizados, por que não, um dia, no Brasil ?
Conhecido por sua trajetória dedicada aos direitos humanos, à ecologia, à saúde, à educação e à cultura, com reconhecida capacidade de diálogo democrático e tolerância, sem concessões à ladroagem e à política-como-ela-é, o que ele propõe é o óbvio. Mas parece um sonho quase impossível.
O Rio de Janeiro merece esta esperança.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h36
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
AÉCIO RECEBE GABEIRA E ANUNCIA APOIO
Fernando Henrique também aprova candidatura de deputado a prefeito do Rio
Sueli Cotta
BELO HORIZONTE E RIO. Uma conversa de pouco mais de 30 minutos foi suficiente para que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves(PSDB), anunciasse o seu apoio à candidatura do deputado federal, Fernando Gabeira (PV), a prefeito do Rio de Janeiro, e sua participação na campanha. Segundo Gabeira, Aécio é um símbolo das pessoas que amam o Rio e desejam sua recuperação. Gabeira elogiou a gestão de Aécio.
- Estou aqui para buscar boas experiências administrativas e também por uma razão pessoal. Existem no Brasil milhares de pessoas que amam o Rio de Janeiro e o governador de Minas Gerais é o símbolo dessas pessoas. Tenho pedido a ele que procure, na medida do possível, organizar e estimular todas as pessoas que não vivem no Rio de Janeiro, mas que amam a cidade e acham que ela precisa se recuperar.
Aécio, por sua vez, disse que o PSDB, apesar de ter legitimidade de lançar um candidato no Rio, optou pelo apoio a Gabeira. O governador disse já ter a concordância dos três pré-candidatos tucanos - inclusive do deputado federal Otávio Leite que, no entanto, ainda não anunciou sua decisão.
- O que acontece no Rio interessa ao país. O fortalecimento econômico do Rio e a valorização cultural do Rio de Janeiro, interessam ao Brasil. Então, fico muito feliz com essa visita do Gabeira, feliz com essa decisão que o partido tomou regionalmente, sob o comando do ex-governador Marcello Alencar, mas com a participação de figuras como Otávio Leite, com quem eu conversei hoje e compreendeu a importância dessa convergência; como Andréa Gouvêa (vereadora), como o Luiz Paulo (deputado estadual), que eram os nossos três pré-candidatos, que mostram um desprendimento muito grande.
Segundo o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também foi escalado para tentar convencer Otávio Leite a desistir de concorrer à sucessão municipal.
O senador Tasso Jereissati afirmou ontem que o PSDB não está mais apenas nas mãos de São Paulo e se nacionalizou. As articulações de Aécio foram aprovadas por Tasso:
- Dou total apoio às articulações de Aécio. Ele é muito importante para todo o país e tem a simpatia do Brasil inteiro e começa a se movimentar com mais desenvoltura e com um discurso novo.
COLABOROU:Maiá Menezes
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h28
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
GABEIRA E A ALIANÇA PSDB-DEM
A opção do PSDB de lançar a candidatura de Fernando Gabeira (PV) à prefeitura do Rio não agradou ao Democratas. O prefeito Cesar Maia, em seu ex-blog, diz que esse é mais um indício de que os tucanos se afastam do DEM e que o partido tem que se preparar para ter um candidato a presidente em 2010. A candidatura de Gabeira vai afetar o desempenho de sua candidata, Solange Amaral, sobretudo na Zona Sul do Rio. Um integrante da direção nacional do DEM considera que essa aliança (PSDB-PV-PPS) é uma sinalização do governador José Serra (SP) de que ele quer derrotá-los no Rio. O DEM está pintado para a guerra
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h23
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
GUERRA FRIA E QUENTE
Eliane Cantanhêde
BRASÍLIA - Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim e seis após Lula renegar o Foro de São Paulo para aderir ao neoliberalismo que condenava nos tucanos, a América Latina ainda vive a Guerra Fria.
Estamos levemente atrasados, convenhamos. E a brincadeira começa a ficar perigosa.
Na conversa que tive ontem com o presidente do Equador, Rafael Correa, ele não só repetiu que estava disposto a chegar "às últimas conseqüências", como vinha insistindo, mas foi adiante: "não excluo a hipótese de guerra", disse.
A impressão é que algo não caminhou bem na conversa com Lula, pela manhã, no Planalto. A intensão de Lula era serenar os ânimos, mas Correa entrou e saiu atirando. Também negou o pedido do presidente brasileiro para se encontrar com o inimigo Álvaro Uribe, da Colômbia, não aceitou restringir o conflito a uma questão só bilateral e ainda por cima recusou o papel de intermediário do Brasil.
O discurso de Correa está muito mais para Hugo Chávez do que para Lula da Silva, que, aliás, não deu as caras para tirar fotos ao lado do equatoriano. A prevista entrevista coletiva de Correa virou um pronunciamento sem direito a perguntas, e quem o acompanhou no Planalto -em silêncio- foi o chanceler Celso Amorim.
Falar em distensão, em serenar os ânimos, todas essas coisas, está ficando bastante difícil. Até porque, na Guerra Fria extemporânea e levemente ridícula da América Latina, a ameaça militar está falando mais alto do que a diplomacia.
Se vai ter guerra de fato? Muitíssimo improvável, mas o momento é bastante grave. Se fosse só a Colômbia de um lado e o Equador de outro, ainda assim seria difícil, mas mais fácil e negociável. Mas o que de fato existe hoje são os padrinhos, EUA e Venezuela, em lados opostos. Aí está o perigo.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h32
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO CORREIO BRAZILIENSE
O SILÊNCIO CÚMPLICE EM TORNO DAS FARC
Ruy Fabiano
Jornalista
A censura que o bloco de governos sul-americanos — entre os quais o brasileiro — moveu contra o presidente colombiano, Álvaro Uribe, pela operação militar que matou o líder das Farc, Raúl Reyes, semana passada, em território equatoriano, faria sentido não fosse por um detalhe: trata-se de organização criminosa, que rouba, seqüestra, mata, tortura, trafica drogas e armas.
Não investe contra outras organizações políticas, num embate convencional, mas contra pessoas comuns, indefesas. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia definitivamente não são um grupo revolucionário político, detentor de uma ideologia, como o que Fidel e Che Guevara comandavam nos anos 50, em Sierra Maestra. São coisa bem diferente: uma organização de narcotraficantes, que faz do crime comum e hediondo fonte de captação de recursos, que alega destinar à sustentação de seus objetivos revolucionários. O tal princípio de que os fins justificam os meios.
Há, neste momento, cerca de 800 (!) reféns em seu poder, tratados animalescamente, segundo quem de lá escapou, mediante resgate. Não obstante, as Farcs recebem apoio explícito — logístico, político e financeiro — dos governos do Equador e da Venezuela, que, ao assim agir, violam não apenas normas morais elementares, mas princípios inalienáveis do Direito Internacional.
Não faz, pois, sentido tratar o episódio dentro dos padrões clássicos de diplomacia — e o espantoso é que assim está sendo.
O Equador, que reclama de invasão de seu território por parte do exército colombiano, investe de forma muito mais contundente contra a soberania de seu vizinho, ao abrigar e financiar a organização criminosa que conspira contra um governo democraticamente eleito. Idem (e com acréscimos) a Venezuela.
Goste-se ou não do presidente colombiano, ele foi eleito e desfruta de amplo apoio de opinião pública — bem mais expressivo que o hipotecado neste momento pela população venezuelana a Hugo Chávez. Mesmo que não desfrutasse, isso não lhe retiraria a legitimidade nem a transferiria para o outro lado.
O paralelo que cabe, para ilustrar a situação, é outro. Imagine-se se o Comando Vermelho, de Fernandinho Beira-Mar, movesse luta armada contra o governo brasileiro, ocupasse espaço considerável do território nacional e recebesse dinheiro e armas de um país vizinho, que, ainda por cima, cedesse seu território para movimentação e abrigo de tropas.
O governo brasileiro então, localizando em sua fronteira as tropas de Fernandinho Beira-Mar (aliás, discípulo e aliado das Farc), cometeria delito se a transpusesse e se antecipasse ao ataque?
É disso que se trata. No entanto, os governantes desse bloco — entre os quais o chanceler brasileiro — referem-se às Farc como uma organização política legítima (uma CNBB com pólvora) e à reação do governo colombiano como um despropósito geopolítico.
É espantoso que chefes de Estado, como Hugo Chávez e Rafael Correa, hipotequem solidariedade pública a criminosos que traficam drogas e matam por ofício, detendo neste momento centenas de reféns em condições abjetas. Não apenas se solidarizam: fortalecem seus efetivos, financiando a aquisição de armamentos pesados.
Apesar do indiscutível perfil criminoso, que as desqualifica de maneira inapelável para o embate político civilizado, as Farc integram há anos uma organização continental, fundada em 1990 pelo PT (então presidido por Lula) — o Foro de São Paulo.
Essa organização congrega partidos e entidades de esquerda e debate ações estratégicas conjuntas para que assumam e exerçam o poder no continente. Até aí, nenhum problema.
Só que, ao admitir a presença de uma organização criminosa em seu âmbito, o Foro torna-se cúmplice moral dos delitos por ela praticados — e eis aí a fonte dos constrangimentos do governo brasileiro neste episódio. Como justificar a presença de tal bando numa organização que se pretende ideológica e civilizada?
Como ninguém toca no assunto, o que fica é a suspeita — sustentada por facções conservadoras do continente — de que as Farc cumprem missão de relevo no Foro. Atendem simultaneamente a duas demandas permanentes da ação revolucionária: captação de recursos (via ação criminosa) e treinamento militar de efetivos.
Nesses termos, a censura descontextualizada ao governo da Colômbia, sem nenhuma contraparte aos governos do Equador e da Venezuela, é um escândalo político. Mais um.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h26
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO BLOG DA LUCIA HIPPOLITO
CHÁVEZ FICOU FALANDO SOZINHO - DE NOVO!
Lucia Hippolito
Com a resolução da OEA sendo aprovada praticamente por unanimidade -- parece que só a Nicarágua votou contra --, baixou consideravelmente a fervura na América do Sul.
Agora, uma comissão da OEA vai investigar os acontecimentos da semana passada para apresentar um relatório à próxima reunião dos ministros das Relações Exteriores dos países-membros, em 17 de março.
A Colômbia aceitou a "reprimenda" a respeito da invasão do território do Equador, mas não foi formalmente condenada. Pediu desculpas novamente.
O Equador se satisfez com a resolução da OEA: marcou posição, seu presidente distribuiu três ou quatro ofensas ao presidente colombiano, e ficou tudo por isso mesmo.
Em seu périplo para obter apoio, o presidente do Equador foi ao Peru e veio ao Brasil. Tanto o presidente Alan García quanto o presidente Lula aconselharam-no a restringir o problema a um aumento de tensão entre dois países apenas: Equador e Colômbia.
Por sua vez, a Colômbia contribuiu para não acirrar mais os ânimos. Não deslocou tropas para a fronteira, não fez desaforos diplomáticos, circunscrevendo seu problema a um eventual conflito com o Equador.
Os presidentes sul-americanos, inclusive o do Brasil, decidiram concentrar-se em pacificar as relações entre Equador e Colômbia, isolando o presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Chávez, mais uma vez, fez um papelão. Sem que ninguém o tivesse chamado, intrometeu-se no problema, tomou as dores do Equador, expulsou o embaixador colombiano, deslocou as Forças Armadas para a fronteira, decretou prontidão e partiu para ofensas pesadas em relação ao presidente colombiano.
Ficou falando sozinho. Não foi o primeiro mico, nem será o último.
Saudades do rei da Espanha!
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h20
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
O BRASIL E A GRÃ-COLÔMBIA
Demétrio Magnoli
O bombardeio aéreo que devastou um acampamento guerrilheiro no lado equatoriano da faixa de fronteiras e matou Raúl Reyes, o número dois das Farc, não é um incidente isolado, mas um elemento na teia da internacionalização do conflito interno colombiano deflagrada pela política "bolivariana" de Hugo Chávez. Esse é o pano de fundo no qual se move uma política externa brasileira desfigurada por uma fatal duplicidade de orientações.
A supressão das Farc é um objetivo nacional da Colômbia. O fracasso das negociações de paz conduzidas pelo ex-presidente Andrés Pastrana e a degeneração política e moral da antiga guerrilha comunista, convertida num bando financiado pelo narcotráfico, estabeleceram o marco no qual foi eleito e reeleito o conservador Álvaro Uribe. A sua promessa de derrotar a guerrilha por meios militares conta com o apoio ativo da esmagadora maioria dos colombianos.
Há alguns anos, fustigadas incessantemente pelas forças armadas, as Farc perderam quase toda a sua capacidade de combate e retrocederam para as faixas de fronteira. Hoje, a guerrilha procura uma trégua estratégica, que seria possível apenas com a criação de uma zona desmilitarizada, nos moldes do precedente estabelecido por Pastrana. Os reféns, de um lado, e Hugo Chávez, de outro, são os instrumentos disponíveis para a execução dessa política.
Quando Chávez deu um passo à frente e se apresentou como mediador para a libertação dos reféns, a iniciativa foi descrita como um empreendimento humanitário. Logo depois do primeiro sucesso, porém, o presidente da Venezuela declarou sua solidariedade com as Farc, definiu a guerrilha celerada como um "movimento bolivariano com um projeto político respeitável" e clamou por seu reconhecimento internacional como parte beligerante. Dias atrás, na mesma linha, o caudilho prestou homenagem a Raúl Reyes, enquanto anunciava o deslocamento de tropas para a fronteira com a Colômbia.
Convencionalmente, os analistas interpretaram a operação como um componente da política interna venezuelana, na qual Chávez busca reconquistar um respaldo popular que se evapora, tocando os tambores da guerra e clamando contra o espectro do inimigo externo. Isso existe, é claro, mas representa apenas a superfície conjuntural de um movimento geopolítico de fundo. O chavismo não é um caudilhismo tradicional, mas um movimento internacionalista articulado em torno da ideologia bolivariana. A decisão de financiar as Farc e de resgatar a guerrilha da beira do precipício se inscreve na lógica de um projeto revolucionário latino-americano. Na visão de Chávez, Venezuela e Colômbia são entidades geopolíticas artificiais, oriundas da fragmentação da Grã-Colômbia. O projeto do caudilho é a restauração do efêmero Estado presidido por Simón Bolívar entre 1819 e 1830. Nesse projeto, as Farc figuram como exércitos libertadores bolivarianos atuando em território ocupado.
A Venezuela chavista não pratica uma política externa realista e não reconhece o princípio da soberania nacional, que invoca aos brados quando a Colômbia bombardeia um santuário das Farc em terras do Equador. O evento que se desenvolve na América Latina, e do qual faz parte o giro diplomático do equatoriano Rafael Correa, só pode ser compreendido à luz da política externa revolucionária de Chávez. A intromissão permanente nos assuntos dos países latino-americanos é um traço estrutural do chavismo.
A reação brasileira ao incidente no Equador envolve um tripé de iniciativas. A designação do ministro Celso Amorim para conduzir a crise, no lugar de Marco Aurélio Garcia, geralmente encarregado das relações regionais, obedece ao imperativo de reduzir a influência do PT, que tende ao alinhamento com Chávez. A condenação do bombardeio colombiano e a insistência de um pedido incondicional de desculpas procuram introduzir uma cunha entre Rafael Correa e Chávez. A definição do incidente como um evento bilateral é uma tentativa de afastar a Venezuela do foco da crise.
O governo Lula opera no sentido de erguer um dique de contenção e evidencia conhecer perfeitamente o cenário geopolítico mais amplo. Contudo, Lula exige desculpas sem condições da Colômbia, mas não condena incondicionalmente a guerrilha colombiana - e, sobretudo, não levanta a voz do Brasil para cobrar a cooperação logística da Venezuela e da Colômbia contra o uso das faixas de fronteiras pelas Farc. No plano político e moral, essas omissões configuram uma intolerável neutralidade diante do conflito entre o Estado colombiano e o bando de guerrilheiros que mata inocentes e seqüestra civis. No plano estratégico, elas abrem as comportas para a passagem da enchente chavista.
No fim das contas, a política externa brasileira não se desfigura por uma incapacidade de análise do quadro externo, mas por algo mais grave, que adquire contornos trágicos. No governo Lula, o conceito de interesse nacional foi submetido a uma persistente erosão ideológica, que o torna inoperante. No PT, na CUT e no PC do B vicejam a nostalgia do stalinismo, um nacionalismo anacrônico de perfil autoritário e a incontida admiração pela Cuba castrista e pela Venezuela chavista. Nesse meio político, as Farc não são uma guerrilha que tortura, mas um exército antiimperialista.
Esse caldo ideológico faz seu caminho até os centros de decisão de nossa política externa, desfigurando-a quase por completo. Usualmente, essa desfiguração se manifesta em episódios vexaminosos, mas de escassas repercussões estratégicas imediatas, como a indiferença diante das violações de direitos humanos e a solidariedade à ditadura castrista cubana. A Venezuela, porém, constitui um teste de fogo. A omissão e a duplicidade diante da política internacional chavista não provocam apenas vergonha, mas ameaçam a estabilidade do entorno regional e a segurança de nossas fronteiras.
Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em geografia humana pela USP.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h12
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
ERRO DE CÁLCULO
Merval Pereira
Não há dúvidas de que a crise em que se envolveram Colômbia e Equador tem origem num erro de cálculo do presidente Hugo Chávez, que se empenha desde o fim do ano passado em desmoralizar o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, tentando emparedá-lo nas negociações com a narcoguerrilha colombiana para liberação de reféns. A negociação de Chávez e do presidente do Equador, Rafael Correa, com as Farc transformou Uribe em platéia de ações que se desenrolavam em seu próprio país.
Os dois tentaram isolar Uribe, mas, na opinião do professor de história contemporânea da UFRJ Francisco Carlos Teixeira, fizeram uma avaliação política totalmente errada, pois consideraram que ele não teria opções. "Não calcularam que o Uribe reagiria como reage Israel. Como sempre, o Chávez errou na avaliação política. Em vez de se submeter às condições das Farc e de Chávez, Uribe partiu para o ataque".
Para Francisco Carlos, a interrupção das negociações pode levar à morte a senadora Ingrid Bettancourt, o que seria uma tragédia para a guerrilha, "mas, depois desse ataque, a conta pode ficar pendurada no Uribe". Isso porque o governo equatoriano estava negociando a pedido da França, e era a alta direção das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) que estava naquele acampamento bombardeado.
O fato de governos da região se oferecerem como negociadores diretos com a guerrilha, dando aos narcoguerrilheiros permissão para utilizarem seus territórios, é uma atitude de quem quer isolar e constranger o governo que foi eleito e reeleito com a bandeira de combater a narcoguerrilha.
O governo francês, na ânsia de conseguir liberar Ingrid Bettancourt, aceitou essa intermediação e colabora para o isolamento do governo colombiano, o que favorece as Farc.
Acho que os governos democráticos não deveriam se submeter a essa chantagem explícita da guerrilha, que é endossada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, e por Hugo Chávez.
Afirmar que a libertação de Ingrid Bettancourt pode se inviabilizar pela ação armada da Colômbia é aceitar que os narcoguerrilheiros ditem as regras do jogo. Seria preciso que governos como o da França advertissem os guerrilheiros das Farc de que não aceitarão essa desculpa para uma eventual morte da ex-senadora francesa.
Se é verdade que ela está precisando de socorros médicos urgentes, a guerrilha tem que liberá-la. É natural que sua família esteja abalada a ponto de se agarrar à negociação de Correa e Chávez, mas governos democráticos não podem ficar encurralados por um bando de criminosos comuns, que seqüestram, torturam e matam.
O professor Nelson Franco Jobim, consultor de relações internacionais, ressalta que Álvaro Uribe elegeu-se em primeiro turno em 2002 com um mandato para enfrentar militarmente a guerrilha, depois do fracasso das negociações dos presidentes anteriores, Ernesto Samper e Andrés Pastrana.
"A estratégia de Uribe é negar legitimidade à guerrilha e enfraquecê-la para só negociar com ela quando estivesse muito debilitada. Chávez deu novo fôlego às Farc. Desde o ano passado, quando começou a negociar a libertação de reféns, ficou evidente que estava mais próximo da guerrilha do que do governo democrático de Bogotá".
Para Franco Jobim, Chávez é o grande complicador da crise e gostaria de transformar as Farc num partido político bolivarista. "Ele quer tirar partido para tocar seu projeto pessoal, num momento de crise de desabastecimento interno na Venezuela e depois de derrota no plebiscito".
Francisco Carlos Teixeira acha que a "grande tragédia da América do Sul" é que a prática política de Uribe "é tão pouco democrática quanto a de Chávez", lembrando seu estilo personalista e a tentação de criar condições de concorrer a um terceiro mandato.
Para ele, a disputa entre Chávez e Uribe "cria um clima insuportável na região", e aceitar a violação territorial de um país, seja qual for o motivo, criaria uma insegurança política no continente. Na sua análise, "há muito tempo o Itamaraty não agia com tamanha dureza em casos semelhantes", referindo-se à condenação da violação territorial do Equador pela Colômbia.
"Na verdade, o que o Brasil está fazendo é mandando um recado para os Estados Unidos, a mão por trás da ação militar colombiana. A idéia central é que os Estados Unidos não podem decidir uma guerra nas nossas fronteiras", diz ele, para quem há duas vertentes no governo brasileiro: no interior das Forças Armadas, há o convencimento absoluto de que os Estados Unidos participaram da ação, "e o medo é que possa haver daqui por diante uma Colômbia parecida com Israel, que se sinta em condições de atacar onde quer na hora que quer".
Por isso, a condenação da Colômbia tão dura que mostre que ela ficará isolada. Para o professor Nelson Franco Jobim, o fato de a Colômbia ter usado os helicópteros Black Hawks, comprados com dinheiro do Plano Colômbia, não significa "ingerência americana na região".
A nota da Organização dos Estados Americanos, condenando a invasão territorial, mas não a ação militar da Colômbia, demonstra que o caminho escolhido para solucionar a crise passa pela reafirmação de princípios que são respeitados na região secularmente, diz Francisco Carlos Teixeira:
"O importante é denunciar que foram violadas práticas sul-americanas de dois séculos, de não intervenção, não atacar o território alheio". A posição brasileira, de ignorar a Venezuela como parte do conflito, também ajuda a dar a ele uma dimensão menos passional.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h07
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO VALOR ECONÔMICO
GABEIRA DISCUTE CANDIDATURA COM SERRA E VAI HOJE A AO ENCONTRO DE AÉCIO NEVES
"Essa proposta de entendimento surge para dar seqüência àquilo que tem dado certo em Belo Horizonte"
O governador de Minas, Aécio Neves, recebe hoje o deputado federal do PV Fernando Gabeira, pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro em uma frente com os tucanos e o PPS. Após ter anunciado que aceitava ser candidato da coligação, Gabeira tem-se aproximado mais dos líderes do PSDB. Ontem, conversou com o governador de São Paulo, José Serra. \"É uma aliança que pressupõe alianças em outras cidades se houver convergência de candidatos e de programas\", afirmou o deputado. A candidatura de Gabeira para prefeito do Rio deve ser aprovada pelo PSDB e PPS na semana que vem, depois que os dois partidos analisarem a lista de condições do deputado do PV para disputar a eleição: a divulgação das contas de campanha na internet e o comprometimento de não usar o governo para fortalecer a máquina dos partidos e de fazer uma campanha limpa em relação ao adversários e à cidade.
O encontro com Aécio hoje também fortalece a estratégia do governador mineiro de fazer da disputa municipal de outubro um laboratório para a ampliação do leque de alianças tucanas com vistas a 2010. Ontem o governador mineiro voltou a defender a possível aliança entre o PSDB e o PT para a disputa da Prefeitura de Belo Horizonte. Disse que esta aliança não seria resultado de um entendimento artificial, mas \"conseqüência natural\" da parceria estabelecida entre o Estado e o município nos últimos cinco anos.
"Essa proposta de entendimento não é algo que surja artificialmente. Ela surge para dar seqüência àquilo que tem dado certo em Belo Horizonte. Se vai ser possível, eu não sei, mas acho que os gestos tanto do prefeito Fernando Pimentel (PT) quanto do governador têm sido gestos de generosidade", afirmou.
Segundo o governador, os tucanos mineiros estão dispostos a "abdicar de naturais projetos pessoais", pois o partido tem uma "grande tradição" na capital em torno de um projeto comum em favor de Belo Horizonte. Porém, a decisão cabe aos partidos. "No PSDB, o que eu percebo quando converso com as lideranças do partido é que há uma visão menos de interesse partidário e mais de interesse público. O PSDB é um partido que amadureceu muito e sabe que se a cidade de Belo Horizonte ganhar, ganhamos todos", disse o governador. Aécio contemporizou as resistências petistas à aliança: "Obviamente, o PT tomará a sua decisão e eu compreendo que é natural que existam posições divergentes internas, mas caberá às lideranças do PT, e em especial ao prefeito Fernando Pimentel, dirimir essas divergências", afirmou Aécio. (Com agências noticiosas)
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 08h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]
ELEIÇÕES: OPINIÃO DE CÉSAR MAIA
ELEIÇÃO DE 2010, JÁ COMEÇOU NA CAMPANHA DE 2008 NO RIO-CAPITAL! SAIBA POR QUE!
Ex-blog Cesar Maia
1. Os movimentos de uma ala do PSDB de SP no sentido de empurrá-lo mais para a esquerda não é de hoje. A rasteira dada no PFL em 2000 na composição da mesa da Câmara de Deputados foi o primeiro passo. O segundo foi o desmonte da candidatura do PFL a presidente em 2002, com uma operação da PF orquestrada pelo mesmo grupo. E finalmente a montagem para presidente da chapa Serra- com o que seria a "esquerda" do PMDB.
2. Nas últimas semanas esse mesmo movimento desse mesmo grupo voltou a crescer, e sua estratégia é já conhecida. Formar a Chapa Serra com vice do PPS, empurrar a candidatura para a "esquerda" e nesta faixa fechar os espaços para a candidatura do PT, que não podendo ser o Lula, terá este perfil. Da mesma maneira fechar o caminho de Ciro Gomes para a centro-esquerda.
3. Não poderia ter sido mais adequado para aquele mesmo grupo do PSDB de SP, o que ocorreu no Rio. E em dose maior. Por isso apoiaram com entusiasmo. A aliança para prefeito do PPS, com PV, e apoio e tempo de TV do PSDB, passa a ser o primeiro passo para a montagem de uma chapa com PPS e PV e Serra na cabeça. E mais ainda: com o nome de um personagem com os simbolismos de Gabeira.
4. Essa decisão abriu a campanha de 2010 de fato. O PSDB do S fez o seu jogo e lançou os dados para construir um vetor de força no RIO, coisa que não ocorreria com uma candidatura puro-sangue do PSDB. Jogou certo, mesmo sacrificando o PSDB local.
5. Do outro lado -ocupando a avenida há anos pavimentada pelo populismo -agora na versão neo-pentecostal, o senador Crivella sempre acarinhado por Lula.
6. O DEM que a cada dia fica mais claro que não terá opção a não ser ter candidato próprio a presidente (este Ex-Blog já analisou isso dias atrás quando mostrou o boqueirão à direita que o pré-quadro presidencial está abrindo) reforça e torna ainda mais nítida e necessária a candidatura de Solange Amaral.
7. Mas o jogo ainda não está completo. O que farão as forças -ditas mais a "esquerda"? O PSOL que entre seus poucos deputados expressivos tem Chico Alencar, mesmo prejudicado com a candidatura de Gabeira, abrirá mão de ter candidato? Provavelmente não. E os demais que são base do governo? O que farão PCdoB, PDT, PSB? Implodirão suas candidaturas, ao ficarem fatiados? Unir-se-ão em torno do nome mais forte que é a ex-deputada Jandira? Wagner Montes saiu e deixou em desespero os "seus" vereadores.
8. E o PT? Abriria mão de sua candidatura para se somar aos demais da base do governo e acabaria de vez no Rio? Teria candidato próprio para marcar posição? Todos teriam candidato PSOL, PCdoB (coligado ou não com PDT e PSB) e PT e bateriam suas cabeças com a do Gabeira nas áreas de classe média de "esquerda"?
9. E o governador Cabral? Que decisão deve tomar com a inviabilidade de seu candidato, seja pela coligação Gabeira, seja pela reafirmação dos diretórios do PMDB e do DEM? Insistir e fortalecer a candidatura do PSDB com Gabeira, inventando no Rio um vetor eleitoral para 2010 pró-Serra? Deve ratificar a decisão do diretório do PMDB, reforçando a candidatura de Solange Amaral, cujas repercussões para 2010, serão muito menores para o candidato de Lula, que o jogo do PSDB do S? Seria muito mais racional fazê-lo. Mas o que Lula acha? É melhor mesmo reforçar o Crivella através do Governador? Mas e a Globo e a Igreja Católica?
10. Grande parte do jogo está jogado. Falta a "esquerda" dizer como joga? Nunca foi tão fraca no Rio. E nunca foi tão dividida!
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 08h24
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
ALCKMIN FINCA PÉ NA PREFEITURA
Dora Kramer
Geraldo Alckmin anda tão decidido a ser candidato a prefeito de São Paulo que nada do que se apresente a ele como obstáculo o abala.
A preferência do governador José Serra pelo prefeito Gilberto Kassab? “Serra é um homem de partido, estará no meu palanque.”
O risco da derrota para o PT se PSDB e DEM forem divididos à disputa? “Se não concorrer o candidato mais forte (ele mesmo), aí sim a chance será do PT.”
A falta de discurso para enfrentar um oponente cuja administração é toda do PSDB? “O projeto é tucano, defendo, mas vou falar do futuro, porque o que interessa é o próximo mandato.”
A divisão da máquina do partido e da máquina administrativa entre duas candidaturas com assento em ambas as canoas? “Uma coisa é governabilidade, outra é eleição, isso é problema do prefeito com as pessoas, não vou me envolver.”
A desarticulação do projeto eleitoral para 2010? “Uma eleição não tem efeito sobre a outra.”
Só em uma hipótese Alckmin diz que deixará de ser candidato. “Se o partido não quiser.” Como isso o partido não dirá - porque seus adversários internos resolveram não comprar essa briga -, segue o ex-governador por ora inabalável em seus planos de “prefeitar” São Paulo, jurando total indiferença à oferta da legenda para governador em 2010.
“Se eu quisesse ser governador, não precisaria me candidatar a prefeito antes. Aliás, sou o único dos candidatos que poderia queimar essa etapa”, diz, mostrando pesquisas enviadas por diversos prefeitos, com registros de seu desempenho de 50%, 60%, 70% das preferências nas consultas feitas pelo interior para a próxima eleição ao governo do Estado.
“O desafio das cidades é maravilhoso”, pontua, à guisa de justificativa para seu desejo de se eleger prefeito. A “maravilha” maior, segundo Alckmin, reside na proximidade com o cidadão que uma administração municipal propicia ao governante.
“Os políticos estão preocupados com coisas que não interessam às pessoas. Elas querem é saber como suas vidas podem melhorar.”
Alckmin não acha que as eleições municipais, nem a de São Paulo, servirão de prévia para 2010 ou de palco para embates entre governo e oposição em torno dos temas nacionais. “Claro que é importante eleger prefeitos, é uma base para a sucessão presidencial, mas a temática será local.”
Ainda assim, o ex-governador paulista acha fundamental que PSDB e Democratas não percam de vista a identidade do adversário principal: “É o PT, é a vida dele que não podemos facilitar.”
Aqui voltamos ao ponto inicial, a candidatura. Alckmin fala como candidato, age como candidato, mas trata de deixar uma porta aberta à possibilidade de uma aliança com o DEM no primeiro turno.
“Nesta hipótese, alguém teria de abrir mão. Agora, também não somos, nem o Kassab nem eu, obrigados a seguir juntos desde o começo, já que com toda certeza estaremos juntos no segundo turno.”
E se o prefeito crescer nas pesquisas e for com o PT à etapa final? “Qual é o problema? Vamos apoiar o DEM no segundo turno e quem apostar na divisão do PSDB vai perder.”
Pela obstinação, frieza e capacidade de abstração da realidade, nada mais parecido com o pré-candidato do PSDB à Presidência da República em 2006 do que o postulante à candidatura do PSDB à Prefeitura de São Paulo em 2008.
Oposição só
Alckmin não é dos tucanos partidários da tese de que mais dia menos dia PT e PSDB estão fadados a se unir na política. A chance de isso acontecer, na opinião dele, é zero.
E vai mais fundo: “Em 2010, Lula encerra um ciclo, não tem candidato natural.”
Alckmin entende que os governadores de seu partido mantenham boas relações com o Palácio do Planalto e atribui só a essa circunstância a troca de um ou outro rapapé.
“Fora isso, oposição tem que ter nitidez. Se quiser cumprir seu papel junto à sociedade, precisa ser oposição sem adjetivos, como ocorreu quando impôs ao governo uma derrota que deu ao País uma vitória, ao impedir a prorrogação da CPMF.”
Colado
A ameaça do PT de ir ao Supremo Tribunal Federal contra o ministro Marco Aurélio, alegando infração à Lei da Magistratura no alerta do presidente do TSE sobre a incompatibilidade entre as restrições da lei e a ampliação e criação de benefícios assistenciais em ano de eleição, não é um gesto à deriva. É tático.
Faz parte da estratégia do partido de “grudar” no presidente Luiz Inácio da Silva como único caminho para tentar que o candidato petista - qualquer um - tenha condições competitivas em 2010.
Marco Aurélio já fez manifestações semelhantes, e até mais contundentes, durante o processo eleitoral de 2006, e ao PT nunca ocorreu reagir judicialmente. Desta vez, achou por bem sustentar partidariamente a posição do presidente Lula. Ainda que não concretize a ação, fez um gesto político.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 06h30
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
CÚPULA TUCANA APÓIA CANDIDATURA DE GABEIRA
Deputado recebeu telefonema de Serra e se reunirá com Aécio; no Rio, Otávio Leite ainda briga para ser o candidato
Cláudia Lamego
O deputado federal Fernando Gabeira (PV) recebeu ontem o apoio de parte da cúpula tucana para sua candidatura a prefeito do Rio pela frente que reúne também o PPS. Gabeira se reuniu com Sérgio Guerra, presidente do PSDB, e o secretário-geral do partido, Rodrigo de Castro, e disse ter sido recebido com \"bastante entusiasmo\". O deputado recebeu também um telefonema de apoio do governador de São Paulo, José Serra, e vai se reunir amanhã, em Belo Horizonte, com Aécio Neves.
- Quem vai comunicar a decisão oficial é o PSDB no Rio. Mas, nacionalmente, há um grande entusiasmo pela minha candidatura. Existe ainda uma série de questões do ponto de vista programático para serem resolvidas, mas tudo está se encaminhando bem - disse Gabeira.
O secretário-geral do PSDB, o deputado federal Rodrigo de Castro, disse que há uma \"grande simpatia\" no partido pela candidatura de Gabeira. Essa seria também a opinião de Sérgio Guerra. Segundo Castro, o partido tem que entrar com humildade nas negociações da frente e não impondo nomes.
- Se for essa a decisão (a candidatura de Gabeira), vamos trabalhar com bastante entusiasmo. Em respeito a nossos pré-candidatos, quem vai decidir mesmo é o diretório regional. Só defendemos que uma candidatura com a frente é mais forte que uma isolada - diz Rodrigo de Castro.
No Rio, no entanto, o deputado federal Otávio Leite, um dos pré-candidatos do partido a prefeito, ainda tenta resistir à idéia. Leite - que foi um dos pivôs da briga do PSDB com a ex-deputada Denise Frossard em 2004, quando a juíza era pré-candidata tucana à prefeitura, mas ele acabou costurando uma aliança com Cesar Maia, sendo eleito como seu vice, - briga pela sua candidatura:
- Eu prego a importância do partido ter candidatura própria, para que possa construir uma identidade partidária. Essa é a diretriz do diretório nacional. Não estou advogando rupturas, mas entendimentos. O partido, para ter torcida, tem que entrar em campo. A precipitação às vezes é uma má companheira.
O deputado tem o apoio de alguns vereadores na cidade, que temem ter dificuldades de levar Gabeira como candidato às suas bases eleitorais, mais populares. Mas, na cúpula estadual, ele está praticamente isolado. O ex-governador Marcello Alencar e o presidente regional do PSDB, José Camilo Zito dos Santos, que é candidato a prefeito em Duque de Caxias e foi o deputado estadual mais votado do PSDB no estado, apóiam Gabeira.
- Sou totalmente favorável (a Gabeira). Isso não é o momento de dar prioridade a projetos pessoais. Temos que deixar os melindres e a vaidade pessoal de lado e mostrarmos o nosso amor pela cidade - disse Zito.
Sobre a resistência de vereadores a Gabeira, a vereadora Andrea Gouvêa Vieira diz que será resolvida, já que eles já têm seus redutos e não dependeriam tanto do candidato majoritário para conseguirem se eleger.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 06h09
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
PPS FAZ EXIGÊNCIAS
Partido ainda vê Frossard como alternativa
Na próxima terça-feira, os partidos da Frente Rio, com PV, PPS e PSDB, vão se reunir para anunciar se Fernando Gabeira será ou não o candidato a prefeito. No PPS, a dúvida ainda é se a ex-deputada Denise Frossard vai mesmo desistir da pré-candidatura. Frossard, que perdeu a eleição para Sérgio Cabral ao governo do Rio em 2006, não tem comparecido às reuniões da frente. Segundo aliados, ela não quer enfrentar um novo desgaste político numa eleição majoritária e tem planos de voltar ao Congresso. Frossard, que disputou o segundo turno com Cabral isolada, teria exigido do PPS que costurasse uma boa aliança para se candidatar a prefeita.
- Continuamos colocando o nome da Denise Frossard. Ela está reclusa, por ora, mas é uma companheira nossa - disse o deputado estadual Comte Bittencourt (PPS).
Outro deputado estadual do partido, André Corrêa, diz que o PPS, para oficializar a frente, quer ainda apoio do PSDB em outros municípios, como Niterói e Petropólis. Segundo ele, Frossard continua sendo o plano A do partido, mas Gabeira também é \"visto com bons olhos\". Corrêa também disse que o PPS questiona o fato de o PSDB já estar discutindo publicamente quem seria o vice de Gabeira.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 06h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
ESPECIAL PARA O BLOG
COLÔMBIA. FARC. EQUADOR. HUGO CHÁVEZE AS AMBIGÜIDADES DA POLÍTICA EXTERNA
Jarbas de Holanda
1) Na contramão do apaziguamento diplomático das tensões entre os governos da Colômbia e do Equador, por meio de encontro extraordinário da OEA convocado por iniciativa do Brasil e iniciado ontem em Washington, o presidente da Venezuela Hugo Chavez desdobrou a agressividade da decisão de mobilizar batalhões militares, tomada já no domingo, decretando ontem cedo o fechamento da fronteira de seu país com a do seu principal vizinho, de par com a expulsão de funcionários da embaixada dele e o deslocamento de tropas. Essa escalada, desenvolvida junto com intensa utilização da mídia contra os “inimigos externos” (o “império de Bush e seu lacaio Álvaro Uribe”), além de servir a objetivos político-eleitorais domésticos de Chávez contra a oposição reorganizada e crescente, tem um novo e específico propósito: o de propiciar a ele protagonismo internacional na crise entre os dois referidos governos, buscando bloquear ou interromper a alternativa defendida pelo Brasil, Chile, Peru e outros países de uma solução negociada.
2) Quanto ao presidente colombiano Uribe, também com interesse numa solução desse tipo, não mobilizou tropas em resposta à movimentação militar da Venezuela e do Equador, mas está partindo para denunciar Chávez no Tribunal Penal Internacional, de Haia, como apoiador e financiador das Farc, usando como prova dados obtidos no computador do chefe da organização narcoterrorista Raúl Reyes, morto durante ataque aéreo do Exército da Colômbia, concluído com invasão do território do Equador. Dados a que se juntam outros sobre relacionamento do presidente equatoriano Rafael Correa com a mesma organização. E Hugo Chávez, por seu turno, com tropas na fronteira e em articulação com as Farc, pode gerar atritos ou estimular alguma ação terrorista de vulto capazes de realimentar e potencializar as tensões.
3) O editorial de ontem do Valor – “Grave crise diplomática nas vizinhanças do Brasil” – termina avaliando o papel significativo que o governo Lula pode ter no conflito: “O Brasil é o principal mediador da crise. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com Uribe e Correa, enquanto a presidente chilena, MIchelle Bachelet, pregava conciliação. O Itamaraty traçou uma linha de ação pragmática. Condenou a violação territorial por parte da Colômbia e deixou sabiamente Chávez de lado, já que ele não é parte legítima na crise – posição similar à da diplomacia norte-americana. Depois, jogou a resolução do conflito para o âmbito da OEA, propondo uma comissão de investigação, e reafirmou não ter “posição doutrinária” em relação aos países em questão”. Também ontem, à tarde, Lula fez ampla declaração sobre o tema, centrando-se na defesa da atuação da OEA para o tratamento do conflito. A tática adotada para o avanço de uma solução política é a da cobrança de um novo pedido de desculpas do governo da Colômbia ao do Equador (pois o primeiro estaria “cheio de explicações”), pela violação do seu território. Tática que, na seqüência, certamente incluirá, ou incluiria, a cobrança recíproca de Uribe do compromisso de Correa de impedir ações das Farc em solo equatoriano, mas que só se viabilizará com a quebra ou redução da enorme influência que Chávez exerce sobre o colega do governo de Quito. Em sua declaração, o presidente Lula começou por valorizar uma investigação da OEA sobre o que “de fato aconteceu” e concluiu afirmando estar convencido de que vamos achar uma solução pacífica “porque a única chance de ver a América Latina de desenvolver e virar um continente rico é se a gente viver num clima de paz e tranqüilidade”.
4) Mas a prática, efetiva, de uma “linha de ação pragmática” e “sem posição doutrinária”, prevista no editorial do Valor como base das respostas do governo Lula a essa crise, terá de confrontar fortes reações no PT, de caráter semelhante às que se manifestaram contra o realismo adotado no plano da microeconomia. E precisará ir bem além do grau de ambigüidades que até agora tem caracterizado a política externa brasileira dos últimos seis anos, para poder afirmar-se diante do radicalismo esquerdista e beligerante de Hugo Chávez . Cujos aventureirismo e ostensiva vinculação às Farc são o fator básico do conflito Colômbia/Equador. Como muito apropriadamente escreveu Clóvis Rossi, em artigo de ontem na Folha de S. Paulo, intitulado “Não cabe neutralidade”: “Marco Aurélio Garcia, o assessor diplomático do presidente Lula, disse à rádio CBN que o governo “vai mobilizar toda a força da diplomacia brasileira e de outras capitais sul-americanas para reduzir ao máximo a tensão (Colômbia/Venezuela) e procurar encontrar uma solução duradoura”. Ótimo. Mas convém ter claro que o Brasil pode – e deve – ser neutro entre os dois vizinhos, mas não pode – nem deve – ser neutro entre o governo colombiano (legítimo) e as Farc (um grupo delinqüente).”
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 15h37
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO JORNAL DO BRASIL
BATE-BOCA DE FUZUÊ DE BOTECO
Villas-Bôas Corrêa
Na cadência em que encrespa a troca de desaforos entre o presidente Lula e seu antecessor e desafeto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso os próximos capítulos do bate-boca deverão passar pelo juizado de menores e advertir os desatentos para retirar as senhoras da sala da TV e enxotar as crianças para o mais longe possível. Sem que se entenda o motivo, Lula mistura no mesmo tacho os auto-elogios com a recaída na exasperação da língua solta. Pisou na bola murcha do chulo, da qualificação severa do Aurélio, quando prometeu uma roda de porrada aos arrelientos desafetos.
E empurrou FH para o palco para recitar o troco com trechos de irada veemência, em que sobrou moeda. O ex-presidente dedica seu tempo às palestras muito bem remuneradas pelos quatro cantos do mundo e procura manter o laço frouxo com seu partido e aliados.
Ora, a CPI dos Cartões brotou no terreno adubado das denúncias de despesas indefensáveis de ministros e secretários para pagar contas de free shops e o aluguel de carro de luxo com motorista para passear em dias de folga. Se o governo não acode para apagar o foco de incêndio, a CPI dos Cartões seria instalada na quentura de fim de mundo. Mas, se está mesmo mordendo os dedos até arrancar sangue e pedaços de unha para o gol que empate o jogo com o seu antecessor, o próprio e principal alvo dá a fórmula simples e direta: "Todos os documentos pertinentes, deste e dos governos anteriores, estão nas mãos do próprio governo. Bastaria investigar, denunciar, punir e pronto".
Se a pinimba de Lula fosse apenas com seu inimigo número 1, dava para entender. Mas a metralha dispara para todos os lados e atinge os três poderes. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio Mello, não pode ser acusado de poupar palavras nem de amortecer as críticas no revide aos reparos às suas decisões. No último pito ao governo, advertiu sobre a ilegalidade do anunciado propósito de aumentar os gastos com programas sociais neste ano eleitoral. A resposta de Lula vai além do destampatório para atolar na chulice de mandar o presidente do STF "meter o nariz apenas nas coisas dele" para não ficar dizendo sandices e renunciar à toga, disputar um mandato político para "falar as bobagens que quiser".
Ora, a quem aproveita a desatinada abertura de frentes de atrito no segundo ano do mandato da reeleição e com eleições para prefeitos e vereadores?
Lula não pretende calar opositores com ameaças não se sabe de quê. E, ao contrário, se o bom senso aconselha aos governantes manter o relacionamento respeitoso e cortês com o Judiciário e o Legislativo, este é o pior momento para as provocações da insensatez.
A CPI dos Cartões vai começar com um monte de denúncias a investigar. Se a folgada maioria governista, com 16 das 24 vagas da CPI, assegura o controle das decisões, o palco com ampla cobertura de TVs, a começar pela TV Senado, da mídia com a carga cerrada de jornais e revistas, é o espaço perfeito para as evoluções do bloco da oratória oposicionista.
Ninguém segura CPI se ela bate no ponto vulnerável da denúncia de roubalheira envolvendo o elenco do primeiro time do governo.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 15h27
[]
[envie esta mensagem]
[link]
GABEIRA E O RESGATE ELEITORAL DA ESQUERDA
Rosângela Bittar
|
|
Se depender de Roberto Freire, presidente do PPS, serão aceitas integralmente as condições impostas pelo deputado Fernando Gabeira para ser o candidato da aliança PV, PPS e PSDB à Prefeitura do Rio. Freire deu ontem as reais dimensões desta aliança que começa a se consolidar pelo Rio, já está em negociação adiantada em Recife, com a candidatura de Raul Jungmann (que representa o PPS na cabeça de chapa), tem um começo de conversa em Belém, e pretende, a partir de agora ir se insinuando em outras capitais e grandes cidades.
No caso do Rio, onde o PPS tem uma de suas estrelas partidárias, não houve uma decisão formal de não lançar candidatura própria. A preferência do partido é ter candidatos, até para impulsionar a eleição de uma bancada de vereadores. Porém, Denise Frossard, ex-juíza, ex-deputada e ex-candidata ao governo, há muito avisou ao partido que não queria disputar em 2008. A alternativa Gabeira, para Freire, revelou-se ótima, melhor até que os planos iniciais, porque uma aliança desses três partidos pode representar, na sua opinião, um início de resgate do projeto da esquerda no Brasil.
"Vamos tentar fazer alianças de partidos do campo democrático da esquerda, que não estejam na base de sustentação do governo, que tenham um passado incólume depois de todos esses processos judiciais e políticos", afirma Freire.
Na opinião do presidente do PPS, esta coligação pode se transformar em instrumento para que a sociedade reaja ao que tem se apresentado sem solução, "o desgaste da política, a desmoralização dos políticos. Só podemos superar isto na política, não tem outra forma".
Como o PPS, todos os partidos querem ter candidato próprio, mas Freire comenta que as conversas atuais no âmbito desta aliança Rio, com estímulo para criar o bloco desde as eleições municipais em várias grandes cidades, pode "ajudar em 2010". Este é o ponto. E ajudar o PSDB, que é o partido com candidaturas melhor situadas na sucessão presidencial.
Alianças de 2008 tendo 2010 no horizonte
"O que a gente precisa é ter uma alternativa do ponto de vista moral, alguém capaz de promover o desaparelhamento do estado e, ao mesmo tempo, apresentar uma boa opção de política econômica", diz Freire. A seu ver, a candidatura Gabeira, agora, pode consolidar a idéia do bloco. "Não podemos deixar isto para 2010, o que pudermos fazer agora, vamos tentar".
Entre políticos e analistas, Gabeira é visto como uma alternativa para a "zona sul", elite do Rio, e não como uma opção viável a vencer nos redutos eleitorais mais densos, porém de classe média baixa. Roberto Freire discorda: "O Gabeira é uma alternativa não apenas para um projeto de administração do Rio, isto ele é mesmo; mas ele eleva a disputa do Rio, talvez vá ser uma disputa que se equipare à de São Paulo do ponto de vista do confronto. O Gabeira se credenciou muito nos últimos anos, inclusive como crítico desta degradação moral que atingiu o país a partir do mensalão".
Freire admite que a idéia de que Gabeira é alternativo demais pode emergir dos setores mais conservadores, manipuláveis até por um adversário evangélico. Porém o Rio, na sua opinião, tem um peso grande na questão da mudança de costumes, de meios e modos, que pode prevalecer. "Não podemos ficar pensando que não há alternativas à crise que estamos vivendo", afirma.
Segundo Freire, alguns grupos da direita estão "tremendamente raivosos" e estão subindo o tom das críticas. Isto foi possível porque, na sua opinião, o PT chegou ao governo e, com o processo de corrupção em todos os lugares, abriu um flanco fácil para as críticas à esquerda. "E a esquerda que não está metida nisto acaba envolvida".
Não é que a esquerda, no mundo, não tenha sido nunca corrupta, ressalva Freire, apontando que em alguns lugares ela foi. "Mas no Brasil não foi. Esta nunca foi uma característica nossa". Mesmo na guerra fria, lembra, havia ataques por todos os lados, mas "tínhamos dignidade". Agora, afirma, "é a avacalhação da esquerda, como se fôssemos todos iguais a esses caras. Não somos".
E como é que o PSDB, que estaria nas alianças de resgate da esquerda, se inclui nesta alternativa? Freire assinala que, em alguns lugares, o PSDB é "mais complicado", mas na maioria não. Ele próprio já conversou com o presidente do partido, Sérgio Guerra, com o governador de São Paulo, José Serra, virtual candidato à Presidência, e em Minas já estão aliados a Aécio Neves, para um começo de conversa. O presidente do PPS defende uma chapa Serra-Aécio em 2010, como opção do ponto de vista moral e de mudança da política econômica a que se referiu. "Serra sempre criticou e ainda critica a política econômica. E é bom que o faça. A nossa crítica a este governo não é que ele seja corrupto. Corrupto ele é, onde você mete o dedo a podridão aparece. Mas a oposição maior que fazemos é que ele está sendo nocivo aos interesses do país. Vamos pagar caro no futuro pela continuidade desta política econômica".
Freire destaca o crescimento medíocre aqui, quando o contrário ocorreu nos demais países, em um momento virtuoso da política internacional, e critica a euforia por resultados que nada mais foram que obviedades provocadas pela própria situação internacional. Critica, ainda, a política de expansão do crédito, um dos destaques deste governo: "O endividamento louco que estamos promovendo é para dar lucro à indústria automobilística, ao comércio e, no fundo, ao sistema financeiro". Isto, na sua opinião, não vai dar certo. E pergunta: "Qual será nosso subprime? O crédito é importante mas o que estamos vendo no Brasil foge ao tradicional, não estamos tendo crescimento na mesma proporção".
A política econômica do governo petista é a mesma do governo do PSDB, mas Freire lembra que não é uma questão programática nem para um nem para outro partido. "O Serra achava, como nós, que era equivocada já no governo Fernando Henrique". O PPS, diz seu presidente, está tendo a coragem de dizer isto, alguns economistas, até do PT, estão alertando para isto, mas "a grande maioria entrou no clima do governo". É mais uma razão, segundo diz, para a esquerda se reorganizar de alguma forma e as eleições municipais são uma boa tentativa.
Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras |
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 15h01
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO CORREIO BRASILIENSE
PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS
Mayana Zatz Professora titular de genética, membro da Academia Brasileira de Ciências, é diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e pró-reitora de Pesquisas da Universidade de São Paulo
Já se passaram três anos desde a aprovação da Lei de Biossegurança. Inúmeros trabalhos foram realizados com células-tronco adultas (CTA) e embrionárias (CTE) desde então por pesquisadores ao redor do mundo. É interessante observar que justamente os cientistas que vêm trabalhando com CTA e os envolvidos em tentativas terapêuticas são os mais ardorosos defensores das pesquisas com as embrionárias. Estão falando com conhecimento de causa, baseados na própria experiência.
Os que se opõem às pesquisas com células-tronco embrionárias afirmam que só as pesquisas com CTA deram resultados e que 65 doenças estão sendo tratadas com células adultas. Isso não é verdade. Na realidade são tentativas terapêuticas que ainda não podem ser chamadas de tratamento. Isso foi desmentido em artigo publicado na revista Sciences (edição de junho de 2007) por Smith e colaboradores, segundo os quais: “Aqueles que repetem essas afirmações estão enganando a população e decepcionando cruelmente os pacientes”.
Só as células-tronco embrionárias têm o potencial de formar os 216 tecidos que compõem o corpo humano. As células adultas podem formar alguns tecidos, mas não todos. A minha equipe no Centro de Estudos do Genoma Humano, na USP, vem trabalhando com CTA. A partir de células-tronco de cordão umbilical e tecido adiposo, conseguimos formar tecido muscular, ósseo, adiposo e cartilagem. São muito importantes e poderão ser de grande valor terapêutico no futuro. Entretanto, nenhum grupo conseguiu ainda formar neurônios (células-nervosas) funcionais. Isso inviabiliza o tratamento de doenças neuromusculares, mal de Parkinson ou de pessoas que se tornaram paraplégicas ou tetraplégicas por lesão medular.
Células adultas reprogramadas não substituem as pesquisas com células-tronco embrionárias. Estudos recentes de dois grupos, do Japão e dos Estados Unidos, sugerem que células da pele podem ser reprogramadas e se comportarem como embrionárias. Embora as reprogramadas sejam importantes para pesquisas, principalmente para tentar entender como se comportam os genes que causam doenças genéticas, estão longe de poderem ser usadas com finalidade terapêutica. Além do risco de gerarem tumores, existe grande probabilidade de surgirem mutações genéticas de efeitos imprevisíveis que podem inviabilizar a formação de diferentes tecidos a partir de células reprogramadas.
Segundo a Igreja, as pesquisas com células-tronco derivadas de embriões equivalem a aborto. Existe uma diferença fundamental. No aborto tem-se uma vida dentro do útero de uma mãe e, se não houver intervenção humana, a vida deve continuar. Já as células-tronco embrionárias são originadas de embriões, gerados por fertilização assistida que nunca foram ou serão inseridos em um útero. Ao contrário do que ocorre no aborto, esses embriões nunca se tornarão uma vida sem a intervenção humana. Sem ela não haveria a união do óvulo com o espermatozóide. Também sem a intervenção médica não haverá inserção do embrião em útero.
Quem recorre ao processo de fertilização assistida são geralmente casais que não conseguiram engravidar por métodos naturais. Procuram então as clínicas de reprodução. Só são implantados dois ou três embriões no útero de cada vez. Os que sobram são congelados em tanques de nitrogênio, a uma temperatura de 180 graus negativos. Se a gravidez não ocorreu, o casal pode recorrer a eles numa segunda tentativa. Mas, quando consegue ter os filhos que queria, o casal não quer mais os embriões congelados e decide doá-los para pesquisa.
Segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a liberação das pesquisas poderia resultar no comércio de embriões. A Lei de Biossegurança, no artigo que regulamenta o uso de células-tronco embrionárias para pesquisa, já dispõe que é proibido qualquer tipo de comércio de embriões. Portanto, é contra a lei. Seguindo a lógica exposta pelos opositores das pesquisas, deveríamos então proibir também o transplante de órgãos, visto que pode haver o comércio ilegal deles. A proibição das pesquisas com células-tronco embrionárias no Brasil também poderia levar a outras conseqüências. Casais que geraram os embriões em clínicas de fertilização in vitro poderiam doar os excedentes para pesquisa em outros países.
A não aprovação das pesquisas pelo STF seria retrocesso enorme para as pesquisas e decepção gigantesca para os inúmeros pacientes que, mesmo sabendo que ainda existe um longo caminho entre a pesquisa e o tratamento, estão vendo uma luz no fim do túnel. Seria a destruição de suas esperanças. Por seu lado, o destino dos embriões será exatamente o mesmo. Eles nunca serão inseridos em um útero por vontade explícita dos doadores de óvulo e sêmen. Permanecerão congelados eternamente.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h10
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO CORREIO BRAZILIENSE
NÃO SE BRINCA COM FOGO
Luiz Carlos Azedo
O Brasil foi arrastado para a teia armada por Chávez desde o frustrado resgate do menino Emanoel, que não estava em poder da guerrilha
A diplomacia brasileira — tanto a oficial do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, como a oficiosa, do assessor especial Marco Aurélio Garcia — brinca com fogo. No sentido estrito da guerra irregular, a praga das fronteiras quentes do mundo globalizado. É fácil ser contaminado por ela, que não respeita os marcos territoriais. O difícil é conseguir cair fora da confusão depois que começa. Por isso, o governo deve evitar que a selva brasileira também vire um refúgio para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). É preciso manter distância do conflito e guarnecer a Amazônia, ao invés de tomar partido de um dos lados, em razão da mal-disfarçada simpatia pela guerrilha colombiana.
A linha cubana
De onde vem essa simpatia do Palácio do Planalto por guerrilheiros das Farc. Vem da I Conferência da Organização de Solidariedade aos Povos da América Latina, realizada em Havana, em 1967, por sugestão do então deputado Salvador Allende a Fidel Castro. Participaram delegados da Colômbia, Guatemala, Guiana, México, Peru, Uruguai e Venezuela e três brasileiros: o sindicalista Aluisio Palhano Pedreira Ferreira, que mais tarde seria militante da Vanguarda Popular Revolucionária; o ex-dirigente do PCB Carlos Marighela, que mais tarde fundou a Aliança Libertadora Nacional; e o líder da Ação Popular, Herbert José de Souza, o “Betinho”.
Os setores de esquerda que dela participaram resolveram pegar em armas contra os regimes militares do Continente, no contexto da guerra fria. Com apoio de Cuba, adotou-se uma estratégia de “luta revolucionária antiimperialista”, face à “intervenção político-militar e à penetração econômica e ideológica” dos Estados Unidos na América Latina. No Brasil, foram formadas várias organizações guerrilheiras. Não tinham nenhuma possibilidade de êxito militar. O resultado de suas ações foi o endurecimento do regime militar e a violenta repressão à oposição.
A política cubana em relação à luta armada no Brasil somente se modificou após a independência de Angola, quando as posições do presidente Ernesto Geisel e de Fidel Castro convergiram em relação àquele país. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer o governo de Agostinho Neto. As tropas cubanas desembarcaram em Luanda e expulsaram o exército sul-africano que havia invadido o território angolano. As relações diplomáticas entre o Brasil e Cuba, porém, só foram restabelecidas no governo Sarney, em 1986.
Guerra irregular
O Foro de São Paulo, fundado em 1990 pelo Partido dos Trabalhadores, reuniu todas as organizações remanescentes da Olas e seus velhos militantes, num contexto muito diferente. Com a dèbâcle do leste europeu, a guerra fria acabou. Em seu lugar, globalização e neoliberalismo. Os guerrilheiros da Nicarágua, El Salvador e Guatemala abandonaram as armas. Ex-motoneros e ex-tupamaros se integraram à luta democrática na Argentina e no Uruguai. Restou apenas a guerrilha da Colômbia, cuja fonte de financiamento passou a ser o narcotráfico e os seqüestros. A eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, mostrou que era possível “uma saída democrática para a esquerda na América Latina”.
Esse “aggiornamento” da esquerda latino-americana, porém, esbarrou na resistência de Fidel Castro e nas ambições bolivarianas do presidente venezuelano Hugo Chávez, que subordinou o avanço democrático do continente ao resgate das velhas bandeiras nacional-libertadoras. Evo Morales, na Bolívia, e Rafael Correa, no Equador, ambos também fundadores do Fórum de São Paulo, enveredaram pelo mesmo caminho.
Quem primeiro deu o alerta de que o Brasil precisava ficar mais atento aos riscos da política bolivariana de Chávez foi o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), aliado de primeira hora de Lula, que conhece os ossos do ofício. O veterano senador denunciou as intenções belicosas do presidente venezuelano no final do ano passado. Na segunda-feira, voltou à tribuna para afirmar que nosso vizinho já não esconde a intenção de ir à guerra contra a Colômbia e mobilizar o apoio do Equador e da Bolívia. Chávez quer depor o governo de Álvaro Uribe e, em seu lugar, pôr os líderes da Farc. Seu problema é que a maioria dos colombianos apóia Uribe, bem com os Estados Unidos.
O Brasil foi arrastado para a teia armada por Chávez desde o frustrado resgate do menino Emanoel, que não estava em poder da guerrilha, mas num pensionato de crianças de Caracas. Protagonizado pelo assessor especial Marco Aurélio Garcia, o episódio revelou a simpatia do governo brasileiro pelas FARC e uma certa ingenuidade em relação ao conflito colombiano. A Venezuela e o Equador apóiam uma guerra irregular na selva amazônica. Uma guerra irregular, por exemplo, é a que ocorre no Líbano, com apoio da Síria. Ou na Caxemira da Índia, com apoio do Paquistão.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h02
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
A CAMPANHA ELEITORAL JÁ COMEÇOU
Marco Antonio Villa
Todos os atos do governo federal estão marcados pela obsessão do poder; 2010 terá a campanha mais longa e violenta da história do país
O PRESIDENTE LULA só pensa naquilo: a eleição de 2010. Todos os atos do governo federal estão marcados pela obsessão do poder. Como uma nova reeleição está descartada -a mudança constitucional teria de ser feita em 2009, já com várias candidaturas lançadas-, o governo movimenta suas peças em quatro direções principais: a primeira é o lançamento de duas candidaturas da base de apoio, uma do PT e outra dos partidos menores. A segunda é a tentativa de acabar com a reeleição -o que facilitaria a candidatura de Lula em 2014. A terceira é acabar com a reeleição, porém ampliando o mandato presidencial para cinco anos. A última é estabelecer "cabeças-de-ponte" na oposição, com o pretexto de manter a governabilidade. O primeiro movimento já começou.
Ciro Gomes será o candidato dos pequenos partidos da base. Resta o PT, até o final de 2009, conseguir ter um candidato com viabilidade eleitoral, o que não será nada fácil. Durante quase 30 anos, o partido foi refém de Lula -e não o contrário. Não tem até hoje nenhum nome que consiga caminhar eleitoralmente com as próprias pernas. O candidato dependerá necessariamente do apoio de Lula. Mas aí mora o perigo: se o governo tivesse um só candidato, não haveria problema. Contudo, terá dois. Por isso que não se aplica o exemplo de Pernambuco, em 2006, quando os candidatos do PT e PSB eram oposição. Em 2010, a máquina governamental será usada para privilegiar o candidato do PT.
O segundo movimento também já começou. Lula diversas vezes manifestou publicamente que é contrário à reeleição. Claro que estas manifestações se intensificaram após a sua reeleição, em 2006. Insinuou que tentaria um grande acordo nacional sobre a questão alterando a Constituição e impedindo a reeleição a partir de 2010. Os argumentos usados são frágeis, pois se o problema é a utilização da máquina governamental na eleição, há inúmeros casos de prefeitos e governadores que destruíram as finanças públicas para eleger o sucessor. Na verdade, Lula sabe a importância de estar no governo no momento da eleição: seria muito mais difícil vencer em 2014 um presidente que estivesse lutando pela reeleição.
Daí transformar a demanda pessoal em causa republicana.
O simples fim da reeleição tem de ser apresentado como uma defesa do interesse público. Extingui-la simplesmente não seria tático, segundo o governo. Daí a proposta -é o terceiro movimento- de ampliar o mandato para cinco anos, tal qual o disposto na Constituição de 1946. A não-coincidência das eleições presidenciais com a renovação do Congresso Nacional, como em 1955 e 1960, foi uma das razões que levaram à crise de 1964.
Mantendo-se a duração dos mandatos de deputados federais e de senadores como está, só haverá coincidência a cada 20 anos. É uma proposta oportunista e que traz, no seu interior, uma crise política latente.
O quarto movimento é semear a cizânia na oposição. É inegável que o presidente Lula faz isso com rara competência -e não é de hoje. O governador de Minas Gerais é o peão que sistematicamente é movido pelo governo no xadrez sucessório. Não será candidato, mas, pela sua ação, acaba desgastando os outros possíveis presidenciáveis da oposição. Todos os programas governamentais estarão focados na reeleição.
Além do Bolsa Família, que tem um enorme efeito eleitoral, o PAC irá priorizar investimentos que tenham retorno político. A tríade foi completada com o Territórios da Cidadania. Segundo o site do programa, serão beneficiadas mais de 5 milhões de famílias. Metade delas já tem o Bolsa Família e receberia mais uma ajuda assistencialista. Se, como é sabido, os mecanismos de avaliação do Bolsa Família -que é um programa mais antigo- são falhos, não é exagero imaginar que o governo terá dificuldades para poder acompanhar os resultados do novo programa.
Mas, parece, esse nem é um problema para o governo. O que importa é o resultado eleitoral. Discutir economia internacional, por exemplo, é bobagem. É melhor imputar a Deus, como fez Lula, os bons resultados obtidos. Dessa forma, teremos até 2010 um sem-número de cerimônias como a do lançamento do Territórios da Cidadania, que se repetiu em Brasília e outras cidades.
Só nos dois primeiros meses de 2008 foram duas dúzias de discursos -recordando que na primeira quinzena de janeiro Lula não discursou, e em fevereiro tivemos o Carnaval. Mas uma coisa é certa: a campanha de 2010 será a mais longa e violenta da história da República. O que menos será discutido são as propostas dos candidatos. É o cenário perfeito para um salvador da pátria.
MARCO ANTONIO VILLA, 51, é professor de história da Universidade Federal de São Carlos (SP) e autor de, entre outras obras, "Jango, um perfil (1945-1964)" (editora Globo) e "Vida e Morte no Sertão - História das Secas no Nordeste nos Séculos XIX e XX" (Ática).
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h57
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
UM SILÊNCIO NADA INOCENTE
Clóvis Rossi
MADRI - Dizem que o presidente equatoriano, Rafael Correa, exige desculpas muito claras da Colômbia para voltar atrás em sua decisão de romper relações com o vizinho. É justo.
Mas também é justo que Correa peça desculpas aos colombianos -mais que ao governo da Colômbia- por ter permitido o "passeio" de reféns das Farc pelo Equador, conforme depoimento de um dos seqüestrados recentemente libertado. Ou, posto de outra forma: o Exército colombiano invadir território do Equador é condenável, mas as Farc adotarem o mesmo comportamento é aceitável?
Nesse conflito sul-americano que tem facetas bem macondianas, até pelos personagens envolvidos, um fato precisa ficar bem nítido e claro: luta armada contra um governo legítimo é intolerável. Apoiá-la é apoiar igualmente todas as violações aos direitos humanos praticados pelos delinqüentes das Farc, violações que ganharam a atenção da mídia a partir da libertação recente de alguns reféns, mas que são cometidas -eventualmente até piores- há muitíssimos anos contra muitíssimos reféns.
O que chama especialmente a atenção nesses episódios é o silêncio, denso, das mulheres que se dizem de esquerda. Tiveram papel relevante, no Brasil, na luta pelo respeito aos direitos humanos. Como é que silenciam agora, quando há tantas barbaridades praticadas por um grupo que se diz de esquerda, mas é apenas criminoso?
Tratamento desumano a prisioneiros, quando praticado por ditaduras de direita, é inaceitável, óbvio. Mas vale quando praticados por "companheiros de rota"? Ou essas mulheres, como o presidente Hugo Chávez, respeitam o "projeto político" das Farc, o que inclui respeitar torturas, seqüestros e assassinatos?
Abu Ghraib não pode, mas "cárcere do povo" na selva, com idênticas torturas, pode?
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h51
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO BLOG DE LUCIA HIPPOLITO
ESCALADA BÉLICA NÃO INTERESSA AO BRASIL
Lucia Hippolito
A escalada da tensão na América do Sul pega os países da região em momentos políticos bem distintos.
Na Colômbia, o presidente Uribe só pensa “naquilo”: a reforma da Constituição para poder disputar o terceiro mandato.
O cálculo político do presidente colombiano incluiu o risco político de um atrito com o Equador e, conseqüentemente, com a Venezuela. Incluiu até mesmo uma possível reprovação internacional.
Isto porque, internamente, Uribe entende que os ganhos políticos e militares resultantes de um duríssimo golpe nas Farcs seriam muito maiores.
O fato é que há 50 anos as Farcs e a Colômbia vivem um impasse: nem o grupo narcoguerrilheiro consegue derrubar o governo colombiano, nem este consegue destruir os narcoguerrilheiros. Uribe entendeu que, desta vez, poderia ser diferente.
Os relatos terríveis dos sofrimentos infligidos pelos seqüestradores das Farcs aos reféns recém-libertados geraram uma onda de repúdio à narcoguerrilha. Onda esta que Uribe tentou manipular e transformar em onda de simpatia pelo governo da Colômbia.
Da Venezuela, muito já se falou. Chávez é espaçoso como o quê. Nos últimos anos, sentado sobre um mar de petróleo a mais de US$ 100 o barril, tem-se dedicado a apadrinhar os governos da Bolívia e do Equador e a infernizar o governo da Colômbia.
Chávez mete-se em tudo, envia malas de dinheiro para interferir na eleição presidencial argentina, critica o Congresso brasileiro.
Mas internamente, sua situação está estranha. Depois de ser derrotado no plebiscito com que pretendia conquistar o direito de se candidatar eternamente à presidência, Chávez viu sua popularidade despencar nos últimos tempos, de 60% para 38%.
A Venezuela está com problemas econômicos internos, com inflação altíssima e desabastecimento de alimentos.
Portanto, um inimigo externo é extremamente útil a Chávez.
E o Brasil, como fica?
O Brasil há muito tempo não navega em condições econômicas e sociais tão positivas.
Na economia, os números são ótimos. Economia crescendo, moeda estável, consumo crescendo, indústria produzindo como nunca, juros em baixa, real valorizado, investimentos estrangeiros não páram de entrar.
Socialmente, a calmaria é absoluta. Todos os movimentos sociais foram domesticados.
As centrais sindicais praticamente comem na mão do governo Lula, a UNE recebe mesada do Ministério da Educação, o MST recebe repasse de recursos através de ONGs.
Portanto, não interessa nem um pouco ao Brasil uma escalada bélica no continente. É ruim para os negócios, como se diz.
O papel do Brasil é, por isso mesmo, crucial, para acalmar os ânimos e devolver um mínimo de lógica ao processo. Afinal, sabemos que é alto o coeficiente demencial dos principais governantes envolvidos nesta confusão.
Nessa hora, o presidente Lula emerge como um poço de sensatez.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
RAJOY RECONHECE ERRO DE ESTRATÉGIA EM DEBATE ANTES DE ELEIÇÃO ESPANHOLA
Para analistas, conservador, que está cinco pontos atrás de Zapatero nas pesquisas, não apresentou novas propostas
Lourival Sant'Anna, MADRI
O líder da oposição de direita da Espanha, Mariano Rajoy, pode ter selado a sua derrota nas eleições gerais de domingo, com seu desempenho no debate na noite de segunda-feira. Até ele notou. Candidato a primeiro-ministro pelo Partido Popular, Rajoy admitiu ontem que “não deveria ter debatido tanto tempo” a guerra do Iraque e o atentado de 11 de março de 2004 em Madri, cometido pela Al-Qaeda.
Enquanto Rajoy insistia no tema “terrorismo”, desembocando nesses assuntos desfavoráveis ao PP, o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, candidato à reeleição pelo Partido Socialista (PSOE), apresentava propostas e abordava questões que interessam mais aos eleitores.
O resultado foi que Zapatero, segundo três sondagens diferentes, saiu-se melhor no debate por uma margem entre 15 e 20 pontos porcentuais (53% a 38%, 50,8% a 29,0% e 49,2% a 29,8). Numa disputa em que as pesquisas de intenção de votos davam uma diferença de apenas cinco pontos entre os dois principais candidatos - em favor de Zapatero -, um bom desempenho nesse último debate era considerado crucial para Rajoy.
O líder direitista, no entanto, não deu a impressão de ter assimilado a lição por completo: “Deveria ter dedicado mais tempo à luta contra a ETA (Pátria Basca e Liberdade)”, concluiu ontem, referindo-se às suas acusações, bastante reiteradas no debate, de que Zapatero “enganou a ele como líder da oposição e mentiu aos espanhóis” ao negociar com o grupo separatista basco.
Foi justamente a insistência de Rajoy nesse tema que permitiu a Zapatero lembrar que o governo do PP, sob José María Aznar, enviou tropas ao Iraque em 2003 na esperança de que os Estados Unidos retribuíssem ajudando a Espanha a combater o terrorismo.
Em vez de obter, com isso, o fim dos ataques da ETA, atraiu a fúria da Al-Qaeda, que executou o maior atentado da história da Espanha, com a série de bombas nos trens na periferia de Madri. Zapatero prensou Rajoy na parede, perguntando se ele continuava apoiando a guerra no Iraque. O líder do PP não respondeu. A discussão trouxe à tona uma das principais causas da derrota do PP nas últimas eleições gerais, em 2004: a atitude do governo de inicialmente responsabilizar a ETA pelo atentado, na esperança de arrancar votos do PSOE, que tende ao diálogo com os separatistas. O oportunismo foi fatal para o PP, que liderava as pesquisas até então.
Na última pesquisa de intenção de votos divulgada pelo instituto Opina no fim de semana, o PSOE vencia com 43,5%, seguido pelo PP, com 38,0%, e pela Esquerda Unida, com 5,0%. A lei eleitoral espanhola não permite mais a divulgação de resultados, mas o Opina continua fazendo pesquisas diárias, chamadas de tracking. “Rajoy vem caindo dia-a-dia”, revelou ao Estado a diretora do Opina, Josefina Elías.
“Todos sabiam que os candidatos deviam concentrar-se em propostas e no futuro, depois que o debate anterior (dia 25) ficou muito focado no passado”, disse Fernando López, diretor-geral do Metroscopia, que faz pesquisas de opinião para o jornal El País. “Zapatero apresentou mais propostas, falou mais do futuro, foi mais concreto.” Nas contas de Fernando Caballero, do Colégio Profissional de Politólogos e Sociólogos, Zapatero apresentou 30 propostas; Rajoy, 10. “Os temas que interessam ao PP não são os temas importantes para os cidadãos”, observou Caballero, para quem o conservador poderia ter explorado a queda do poder aquisitivo e a carestia, por exemplo. Segundo pesquisas do Metroscopia, a maior preocupação dos espanhóis é a alta dos preços da moradia. Rajoy não tocou no assunto.
Pior: o líder do PP ficou insistindo que Zapatero é mentiroso, sem conseguir prová-lo. No entanto, foi pego numa mentira. No afã de provar que o governo “não tem política econômica”, afirmou que a primeira questão que colocou a Zapatero no Parlamento como líder da oposição, em maio de 2004, foi sobre a economia. O primeiro-ministro o desmentiu, puxando pela memória. Ontem, os jornais espanhóis mostraram que a pergunta de Rajoy foi um genérico: “Como o senhor avalia os primeiros dias de seu governo?”
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h39
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
DO QUEIXUME DE QUIXADÁ AO XABU DE ARACAJU
José Nêumanne
Bia, personagem de Maria Adelaide Amaral que Denise Fraga defende com brilho na minissérie Queridos amigos, da Globo, diria que um Netuno contumaz se interpõe entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o espelho. Sua Excelência é um político de extraordinário talento: nunca antes na História deste país, um presidente ultrapassou o primeiro ano do segundo mandato com quase 70% de aprovação popular e a certeza indomável de que nada que vem de baixo o atinge. Não se deixou abater quando seu lugar-tenente foi derrubado pelo escândalo da compra de base de apoio no Congresso; o czar da economia preparado para sucedê-lo foi pilhado xeretando o sigilo bancário do pobre caseiro; e a ministra da Igualdade Racial usou dinheiro público para pagar compras no free shop. Todos voaram e ele permanece, impávido colosso, no ninho, sem se dar por achado: nunca soube, nunca viu, nunca ouviu. E, quando teve de demitir, demitiu, sem deixar de afagar o demitido na despedida.
Nunca antes na biografia de nosso guia social dos flagelados da seca e dos favelados da urbe, contudo, houve um caso como o tal programa Territórios da Cidadania. O governo federal fez um pacote de R$ 11 bilhões e o entregou ao ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, para distribuir entre as prefeituras num ano de eleições municipais. Aí, qualquer coincidência é mera coincidência! É claro que a oposição, cujos candidatos nos municípios relevantes serão naturalmente confrontados com as campanhas milionárias dos adversários ligados aos partidos do governo, o PT principalmente, reclamou. Apontou para o óbvio lulante (assim sem u, mesmo, porque tem mais que ver com Lula que com Nelson Rodrigues) de mais um programa com dinheiro público a ser distribuído às vésperas da eleição e resolveu partir para a briga. Cassel, mais lulante que óbvio, disse que é claro que o programa nada tem que ver com o dito cujo pleito, uma vez que foi planejado no ano passado e a disputa pelas prefeituras será neste ano. Genial! Quer dizer, então, que ninguém no governo nem no Congresso tinha conhecimento nenhum do calendário eleitoral? Comovente!
Mas ninguém é mais lulante que Lula e este, é claro, deixou sua marca na polêmica. Direto de Quixadá, no interior do Ceará, uma das escalas de sua turnê para comemorar os altos índices de popularidade e implantar os tais Territórios da Cidadania, ele disse que a oposição não o deixa governar. Lulinha, quem diria, o aguerrido comandante da mais competente oposição política de que há notícia nesta República, em vez de comemorar a oposição pífia e inócua que lhe movem tucanos e dêmicos, se queixou dela. E errou, é claro: se não governa, é porque viaja. Se parasse algum dia da semana em Brasília e recebesse uma meia dúzia de ministros para despacho no Palácio, com certeza trabalharia mais, mesmo sendo a capital federal um horror e uma maravilha subir e descer de palanques pelo resto do País.
O queixume de Quixadá, contudo, em nada se compara ao xabu de Aracaju. Na capital de Sergipe, o presidente da República disparou contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e só não abriu uma grave crise institucional porque já se convencionou no Brasil que é mais seguro não levar completamente em conta o que o chefe da Nação fala. E como fala! Alguns juristas renomados, consultados pelo jornal, disseram que o dr. Marco Aurélio Mello fala muito e diz o que não deve. Na sociedade da notícia-show, pergunta-se demais a todos, também aos juízes. E o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do órgão máximo da renomada e respeitada Justiça Eleitoral no País não é propriamente infenso ao brilho dos holofotes. Mas, justiça seja feita, o dr. Mello foi questionado e respondeu. Decerto poderia não ter respondido, mas também não falou nada de ofensivo, nada que ferisse o decoro ou a lei. Disse que, se o assunto fosse levado à Corte, a Corte o julgaria. Eis um evidente óbvio ululante, com todos os “us” possíveis. Lida com isenção, a frase do juiz poderia significar algo como: “O que seria do azul se não fosse o amarelo?”
Mas Lula não gostou. E, em Aracaju, disse, com aquele estilo veemente que tanto aprecia: “Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles.” De fato, seria ótimo! Por exemplo: legislar é com o Legislativo, a menos que se promova uma reforma gramatical que mude o sentido da palavra, mas tem sido um verbo que na voz ativa e na primeira pessoa só tem sido conjugado no Brasil pelo Executivo, que deveria executar. O velho Montesquieu, que defendeu esse sistema de poder tripartite, que só pode funcionar quando os Três Poderes são autônomos e soberanos, diria que cabe ao Judiciário julgar todos, portanto meter o bedelho em tudo. Certo? Não para Lula. Quando convém, nosso guia recorre a Montesquieu. No caso da Igreja Universal do Reino de Deus contra a Folha de S. Paulo, ele vaticinou, rápido e rasteiro: “Quem escreve o que quer escuta o que não quer.” Eis o típico óbvio lulante para definir liberdade de imprensa. Mas, quando convém o contrário, o contrário ele diz. Faz parte do óbvio lulante a afirmação de que no Brasil só político tem o direito de meter o bedelho em tudo. Marco Aurélio Mello, se quiser, disse o presidente, que dispa a toga e peça voto.
Alguns louvarão o ânimo democrático de Lula, que, no auge do poder e da glória, apela ao eleitor para tentar impedir que o Judiciário dê guarida a políticos que discordam dos caprichos e interesses do chefe supremo. Mas o cheiro da brilhantina não agrada: as piores tiranias nasceram das maiores ovações, não de protestos irados dos rebeldes. Enquanto a oposição, mesmo tíbia, espernear e a Justiça não se ajoelhar à pretensão de ser infalível do líder, haverá uma réstia de esperança.
José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h28
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
KASSAB PISA EM OVOS
Dora Kramer
Dizer que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pisa em ovos quando o assunto é a eleição municipal talvez não traduza a realidade com exatidão. É mais que isso: Kassab parece pisar em ovos feitos de cristal.
Não assume a candidatura dada como certa tanto por seu partido, o DEM, como pelo PSDB, quase que apela ao interlocutor para que compreenda a delicadeza da situação, mas, quando convidado a dizer o que poderia levá-lo a desistir de ser candidato, é assertivo: “Hoje não vejo nenhuma razão.”
Ao contrário, tudo conspira no sentido da confirmação. “Tenho vontade de ser candidato, estou feliz de ser prefeito, acho que a cidade está satisfeita, e é a oportunidade ideal para disputar”, diz.
Então, qual é a complicação?
Toda do mundo. É o candidato predileto do governador José Serra, cujo partido apresentará também uma candidatura (de Geraldo Alckmin), que não poderá ser de oposição, dado que a administração municipal de São Paulo é quase em sua totalidade composta por integrantes do PSDB.
Kassab deve a Serra, de quem foi vice, o cargo de prefeito, mas também se sente credor da lealdade que empresta ao PSDB e, ao mesmo tempo, não pretende romper os laços que o ligam ao governador.
Não pode fazer nenhum movimento precipitado, mas também não pode deixar de demarcar espaço. Fica ali, no meio do caminho, dizendo que não há decisão tomada, que torce “pela aliança”, mas que uma desistência poderia ocorrer apenas no caso de a candidatura dele “prejudicar a cidade”.
Que tipo de prejuízo? “Não saberia citar.”
Portanto, o que se tem por ora é uma questão política a ser resolvida, o que fica claro na pergunta que Gilberto Kassab repete com insistência num dos raros momentos em que se permite raciocinar sobre a hipótese de se oficializarem as duas candidaturas. “Se o Serra for para o programa eleitoral do Geraldo, como é que eu fico?”
Mas, antes disso, há outra explicação para sua posição reticente: “E se eu disser agora que sou candidato, como é que fica o Serra?”
Numa saia-justa, de fato. Tão apertada que tem evitado tocar no assunto de eleição com o governador. Por enquanto, seu patamar de entendimento é com o próprio Geraldo Alckmin. Inclusive para ajudar Serra a se manter o mais longe possível - como se fosse possível - de uma encrenca de boas proporções.
Alckmin e Kassab já tiveram uma conversa na qual fizeram um acordo de cavalheiros - nenhum dos dois assume enquanto o outro não assumir e ambos continuam trabalhando em prol da aliança. Nesta altura, claro, cada um pretendendo ocupar a cabeça da chapa, o que os leva a direções opostas.
Há um novo encontro marcado para os próximos dias, onde não se definirá nada. Em tese, há três meses ainda até a decisão, porque as convenções serão em junho.
Na prática, entretanto, as coisas não funcionam assim. Não existe tanto tempo disponível, até porque o DEM e o PSDB, cada um de seu lado, já tratam de apresentar as candidaturas como questões vencidas.
Alckmin não pode esperar tanto para anunciar sem correr o risco de ver Kassab subir nas pesquisas e assim ameaçar seu principal ativo, que é a atual dianteira.
O prefeito, por sua vez, assim que o ex-governador oficializar a decisão, não pode demorar a fazer o mesmo, sob pena de ver a máquina municipal, predominantemente tucana, correr para as águas do oponente.
Programa mínimo
Fernando Gabeira pretende transformar em “pacto público’’ as três exigências que apresentou a PSDB, PV e PPS para emprestar seu nome a uma aliança na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro: não quer caixa 2 na campanha, não admite sujeira publicitária na cidade e, sobretudo, não aceita loteamento de cargos entre partidos no caso de vitória.
Como na hora da conquista tudo vale, os pressupostos foram aceitos.
Mas Gabeira sabe da fragilidade de um acerto desse tipo e, por isso, já incluiu a cláusula de denúncia pública a qualquer tempo, em caso de rompimento.
A idéia dele é fazer da sociedade a protagonista da campanha e dos partidos, coadjuvantes. Instrumentos legais de sustentação de “um movimento social de salvação do Rio”.
Lesa-humanidade
Hugo Chávez no comando da farsa, Rafael Correa é flagrado dando abrigo às Farc em território equatoriano e Álvaro Uribe aparece como o grande vilão da história da mais recente turbulência na América do Sul.
A entrada da Colômbia no Equador é um incidente diplomático, mas a atuação de um grupo de narcotraficantes, seqüestradores e assassinos ao abrigo de governantes que, para sustentar suas estratégias de poder, atacam o governante do país verdadeiramente agredido, merece a atenção do mundo e uma ação dos países democráticos e responsáveis da região.
É na perspectiva de que de um lado está a legalidade e de outro a criminalidade que deve ser visto esse conflito.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h17
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
NOVA DIMENSÃO
Merval Pereira
O conflito entre o Equador e a Colômbia ganhou ontem novas dimensões com o apoio formal dado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao governo de Alvaro Uribe, ao mesmo tempo em que começaram a surgir especulações de que as tropas americanas que atuam no Plano Colômbia contra o tráfico de drogas teriam ajudado o governo colombiano na ação que culminou com a morte de 17 terroristas das Farcs em território equatoriano, entre eles Raúl Reyes, o número dois da organização guerrilheira. A presença do contra-almirante Joseph Nimmich, diretor da Força-Tarefa Conjunta Interagencial do Sul em Bogotá, dois dias antes da ação contra as Farcs, em visita oficial ao Comando Geral das Forças Militares da Colômbia, gerou essas especulações.
Também o Conselho para Assuntos Hemisféricos (Council on Hemispheric Affairs- Coha), uma ONG americana de tendência liberal fundada em 1975 que pretende "promover os interesses comuns no hemisfério" e encorajar "a formulação racional e construtiva de políticas para a América Latina", especula sobre a possibilidade de o Comando Sul (USSouthcom), localizado em Miami, ter participado da operação.
Esse comando é responsável por planos de contingência, operações e cooperação na área de segurança para as Américas Central e do Sul e o Caribe. Segundo as especulações do Coha, há bons fundamentos para considerar possível que toda a operação foi apoiada por um trabalho de inteligência dos Estados Unidos baseado em satélites e sensores de calor, com o uso de bombas inteligentes e pessoal treinado que estaria trabalhando no Plano Colômbia. Teria também havido o uso de helicópteros Black Hawk na operação.
A insistência do presidente Lula em ressaltar a invasão territorial do Equador pela operação colombiana, e o pedido de criação de uma comissão para investigar o que aconteceu, podem estar relacionados à desconfiança de que as forças americanas que estão combatendo o tráfico de drogas na Colômbia estariam interferindo nos negócios internos da região, o que caracterizaria a concretização de uma das grandes preocupações dos antiamericanos do governo Lula.
De fato, o secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos expoentes dessa ala juntamente com o assessor especial Marco Aurélio Garcia, escreveu claramente em seu livro "Desafios brasileiros na era dos gigantes": "Um componente relativamente novo na questão da segurança da Região Amazônica brasileira é a crescente presença de assessores militares americanos e a venda de equipamentos sofisticados às Forças Armadas colombianas, pretensamente para apoiar os programas de erradicação das drogas, mas que podem ser, fácil e eventualmente, utilizados no combate às Farcs e ao ELN".
Por isso, o governo brasileiro entende os temores da Venezuela para se armar, acreditando que Chávez tem razões concretas para temer um ataque dos Estados Unidos. Hugo Chávez, além de jatos russos Sukhoi-30 para substituir seus caças F-16, de fabricação americana, comprou também helicópteros e mísseis terra-ar, mas tudo, na visão do governo brasileiro, para garantir a área offshore, com as armas voltadas para o Norte.
Segundo ainda o pensamento do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, o Mercosul deve ser um instrumento essencial para atingir objetivo de nossa política externa na região, que seria "a construção paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul" e uma recusa "firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos".
Essa tese explica o convite para que a Venezuela participe do Mercosul, um movimento político conjunto do Brasil com a Argentina, e a tentativa, rechaçada em ambas as instâncias, de que a Cuba de Fidel participasse não apenas do Mercosul como também integrasse a Organização dos Estados Americanos (OEA).
A explicação informal do governo brasileiro é que trabalha para quebrar o isolamento de Cuba, promovido pelos Estados Unidos, uma política considera contraproducente. Da mesma maneira, o governo brasileiro pretende encaminhar a Venezuela para ações de integração regional, neutralizando seu radicalismo.
Ontem Lula voltou a falar sobre uma força armada conjunta na região, em nome da qual o Brasil atuaria no Conselho de Segurança da ONU, uma obsessão de nossa política externa. O problema é que a proposta nada mais é, segundo estudiosos de estratégias militares na região, que uma réplica da proposta "bolivariana" de integração militar.
O governo brasileiro estaria assumindo essa iniciativa para retirá-la do contexto da política antiamericana chavista, segundo versões oficiais. O grupo seria formado pelos ministros da Defesa de todos os países, teria como principal missão proteger a Região Amazônica e as fronteiras marítimas, e substituiria, segundo a proposta chavista, a Junta Inter-Americana de Defesa, da qual participam os Estados Unidos.
Segundo o cientista político Amaury de Souza, em estudo já comentado na coluna, a Venezuela, para prevenir o que supõe ser uma ameaça militar norte-americana, adotou o fortalecimento e a preparação da Força Armada Nacional, com a modernização de seu equipamento e a criação de uma força conjunta para a defesa da América do Sul, como uma estratégia de defesa para o que pode vir a ser uma guerra assimétrica.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h05
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
FRONTEIRAS VIVAS
Míriam Leitão
A Colômbia invadiu o Brasil. Entrou com uma brigada de pára-quedistas na região conhecida como Cabeça do Cachorro. Desceram com avião e helicópteros numa área do Exército Brasileiro e se apossaram das instalações. Isso foi há nove anos. A reação do Brasil foi chamar o embaixador e o ministro e falar duramente com eles. Em 91, as Farc também entraram e mataram militares brasileiros.
Como o Brasil reagiu nos dois casos, mostra bem o estilo de firmeza sem beligerância que o país tem mantido ao administrar sua imensa fronteira. Só na Amazônia, o Brasil tem 11.500km de fronteira com sete países, a maioria da área é de selva.
No fim de 1998, quando a Colômbia invadiu nosso território, o Brasil decidiu não fazer alarde público, mas demonstrar firmeza com quem interessava. No caso, o governo colombiano.
- Chamei o embaixador e falei com o ministro das Relações Exteriores deles. Disse que aquilo era inaceitável, que caíssem fora imediatamente. Eles saíram em poucas horas - conta o então chanceler do Brasil, Luiz Felipe Lampreia.
A invasão do território brasileiro foi montada para, a partir do Brasil, atacar os terroristas das Farc que permaneciam em território colombiano. Mas não foi como agora para atacar as Farc instaladas no Brasil.
Militares brasileiros contam que, em 1991, houve um ataque a um destacamento de fronteira brasileiro, em Querari, por um grupo armado das Farc. Alguns militares foram mortos.
- Foi um episódio conhecido como traíra. Reagimos imediatamente, perseguindo os bandidos e infringindo neles mais baixas que as do nosso lado - conta o general Heleno Pereira, que hoje comanda as operações do Exército na Amazônia.
O general diz que o Brasil não faz "cavalo de batalha" de qualquer episódio; leva a sério apenas os casos sérios:
- Logo que cheguei aqui, tive a informação de que aviões venezuelanos estavam entrando no espaço aéreo brasileiro. Fui verificar no local, em Xitei. Lá perguntei na maloca e para funcionários de uma ONG ligada à Funasa. Eles confirmaram que aviões e helicópteros venezuelanos sobrevoavam o local. Fui ver por quê. É que, em Roraima, tem um bico que entra no território venezuelano. Os militares têm postos de um lado e de outro do bico. Para ir de um lado para o outro, ou dão uma volta enorme ou passam sobre o Brasil. Não tinham intenção de invadir nosso espaço aéreo. Conversamos sobre a autorização para fazer isso e ponto - conta.
Sobre o conflito entre os vizinhos, o general acredita que seria "irresponsabilidade não ficar preocupado", mas diz que o assunto está entregue, no Brasil, à negociação diplomática.
- Não fizemos nenhum movimento diferente com as tropas; estamos confiantes que tudo vai se resolver pela via diplomática - afirmou ele, que ontem participava de uma reunião do Alto Comando do Exército, mas que era, segundo disse, de rotina, para discutir promoção.
Na Amazônia, o Brasil tem 25 mil homens em 23 pelotões especiais de fronteira, duas companhias especiais e três destacamentos.
- Temos sempre duas linhas de ação: estratégica e de dissuasão. É uma área onde há enorme dificuldade de circulação terrestre entre as unidades, as ligações são aéreas ou por rios. Mas do que nos orgulhamos é de ter o melhor combatente de selva do mundo. Nosso pessoal nesta área é sempre local, muitos de origem indígena, que conhecem a região como a palma da mão e que, na selva, estão em casa - comenta.
O general Heleno acha que é impossível que as Farc entrem e se instalem num país sem que o país perceba, mesmo sendo região de selva.
- Apesar de selva, qualquer movimento é percebido. A população é rarefeita; para um grupo ficar na selva, ele tem que ter apoio. Como se abastecer? O apoio tem que vir pelo rio, e isso seria percebido.
O general prefere não comentar mais sobre a preocupação de que o desentendimento entre os vizinhos degenere em conflito. Acredita na solução diplomática.
Outros militares ouvidos admitem que a preocupação é grande, ainda que haja muito ceticismo em relação ao poderio bélico e à capacidade logística da Venezuela.
De fato, a Venezuela hoje não tem demonstrado capacidade de abastecer o país de alimentos; como vai abastecer de suprimentos dez batalhões na fronteira? Hoje, na região de Pacaraima, os venezuelanos com mais dinheiro vêm ao lado brasileiro para as compras normais de mercado: leite, carne, laticínios.
A Venezuela está na estranha situação de ter os piores conflitos com seus dois maiores parceiros comerciais. E relações comerciais que ficam cada vez mais exuberantes. O volume de comércio entre Venezuela e Estados Unidos saiu de US$20 bilhões em 2003 para US$50 bilhões no ano passado. O segundo maior parceiro é a Colômbia e o volume de comércio saiu de US$1,4 bilhão em 2003 para US$6 bilhões em 2007. Com os EUA, o que pesa é a exportação venezuelana de petróleo; com a Colômbia, é diferente. A Colômbia exporta para a Venezuela o triplo do que compra; cerca de 20% são alimentos. Exatamente o que anda em falta na Venezuela. - Hugo Chávez faz tudo para ficar na mídia. É o que está fazendo agora - afirma um integrante do governo brasileiro.
Realmente. Chávez não tem todo o poder que aparenta, e tem mais a perder do que admite.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 09h59
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
O RIO DE JANEIRO NÃO É UM BURGO PODRE
Elio Gaspari
A candidatura de Fernando Gabeira à prefeitura do Rio de Janeiro será um sopro de inteligência na campanha eleitoral de uma cidade que parece entregue a um condomínio de caciques, comendadores e poderosos chefões. Na ponta do lápis, suas chances são pequenas, menores que as de Barack Obama em fevereiro do ano passado.
Desprezando o pedaço de sua biografia que ficou no século passado, vale relembrar que Gabeira mandou o PT passear em outubro de 2003. Naquela época os poderosos da República veneravam a trindade de comissários do "núcleo duro" do governo: José Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken. (O primeiro registro digno de fé da existência de um sistema de mesadas no Congresso é de fevereiro do ano seguinte. O termo mensalão só aparece em setembro.)
Aos 67 anos, o deputado do PV entra em mais uma briga, carregando nas costas a mochila da decência. Há candidatos em quem se vota para ganhar e há aqueles com quem se vai na certeza da derrota. Lula em 1994 e 1998 foi um exemplo desse paradoxo da democracia. Gabeira parece ter essa qualidade. É melhor perder com ele do que ganhar com alguns de seus concorrentes.
Em 1973, opondo-se à fusão dos estados do Rio e da Guanabara, que continha a valorosa cidade de São Sebastião, o economista Eugenio Gudin escreveu um memorável artigo intitulado "A Guanabara não é um burgo podre". Quase meio século depois, grande parte do poder político da cidade se concentrou nas mãos de oligarcas e chefões.
Gente estranha, que se elege coligando-se com o inimigo a quem chamou de ladrão ontem e chamará novamente amanhã. Politicamente, o Rio de Janeiro nunca esteve tão perto de virar um burgo podre.
Nunca é demais lembrar que foi Nosso Guia, associado ao comissário José Dirceu, quem permitiu o aparecimento da dinastia dos Garotinho e de seus derivados. Em 1998 a dupla interveio no PT do Rio de Janeiro e detonou a candidatura de Vladimir Palmeira ao governo do estado. Só o tempo dirá se essa decisão pode ser comparada à chegada do mosquito da febre amarela ao porto da cidade.
A presença de Fernando Gabeira na eleição talvez não resulte na sua ida para a prefeitura, mas terá três efeitos, todos benéficos. No primeiro, melhorará o nível de decência da disputa. Mesmo que melhore pouco, isso já será alguma coisa. No segundo justificará a ida de pessoas para a rua, nem que sejam cinco. A idéia de ver alguém numa esquina agitando uma bandeira sem aquela cara de quem está esperando um lanche e R$50 já faz bem à alma. No terceiro, o mais relevante, trará uma voz que nunca se associou à demofobia que tomou conta da agenda político-social do burgo. Afinal, a Rocinha não é "uma fábrica de produzir marginal". Se fosse, o Rio já teria acabado.
O carioca não vive numa cidade qualquer. Quando ele vem pela Avenida Rio Branco, passa pelo monumento a Floriano Peixoto, dobra e cruza com Deodoro da Fonseca e Getulio Vargas. Quando chega à Siqueira Campos, vê o bronze (horrendo) dos 18 do Forte. Foi na sua cidade que aconteceram as coisas que fizeram a história daquelas pessoas. Era numa esquina de Ipanema que Tom Jobim e Vinicius de Moraes viam o mundo inteiro se encher de graça.
ELIO GASPARI é jornalista.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 09h54
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
GABEIRA DISPUTARÁ VOTOS DA ESQUERDA
Sem Wagner Montes, PDT deve fazer aliança com PCdoB, que lançará Jandira
Cláudia Lamego
A sete meses da eleição municipal, a desistência de Wagner Montes e a entrada em cena do deputado federal Fernando Gabeira já movimentam o xadrez eleitoral no Rio. No PDT, a saída de Montes abriu espaço para uma aliança com o PCdoB, partido que tem Jandira Feghali como pré-candidata. No campo da esquerda, Gabeira deverá disputar votos com o pré-candidato Chico Alencar, do PSOL, com Jandira e com o PT, que ainda não decidiu se fará prévias ou indicará o deputado estadual Alessandro Molon para a disputa.
O prefeito Cesar Maia disse que as mudanças foram positivas para a pré-candidata do DEM, Solange Amaral. Para o prefeito, os votos de Montes devem migrar para o senador Marcelo Crivella (PRB) e também para Solange. Gabeira, segundo ele, não tira votos do DEM.
- O quadro eleitoral fica mais nítido, com três vetores competitivos: o senador Crivella, apoiado pelo PTB, e, portanto, pela primeira vez com tempo de TV; o deputado Gabeira, com tempo de TV do PSDB; e a deputada Solange Amaral, do DEM-PMDB. Os demais, por estarem no mesmo campo do Gabeira (Chico Alencar, Jandira e Molon), ficam inviabilizados ou disputarão neste mesmo campo, batendo cabeça - analisa o prefeito, levando em conta que o PT lançará Molon.
Solange Amaral considera que a saída de Montes fortalece sua pré-candidatura, que, a princípio, tem o apoio do PMDB. Isso porque o governador Sérgio Cabral já demonstrou que pretende insistir na candidatura de seu secretário de Esporte e Lazer, Eduardo Paes - contrariando a cúpula do PMDB estadual, que fechou a parceria com o DEM.
- Acho que posso ganhar votos de um setor que está preocupado com resultados e não é movido por inspirações religiosas. Caso contrário, já teria declarado voto no bispo Crivella - disse Solange.
O presidente do PT, Alberto Cantalice, disse que a entrada de Gabeira não ameaça a estratégia do partido, que é buscar votos nas camadas mais populares, com base nas realizações do governo Lula. Segundo Cantalice, o partido tem prévias marcadas para 30 de março, mas há a possibilidade de serem canceladas, caso os pré-candidatos cheguem a um consenso.
- Molon tem grandes chances, porque queremos apresentar um candidato com perfil renovado - argumentou.
Chico diz que disputará votos com Gabeira
O PDT fará prévias no próximo sábado para escolher entre os pré-candidatos Paulo Ramos, deputado estadual, e Professor Álvaro. Mas o presidente municipal da legenda, Brizola Neto, diz que o partido está aberto a negociações, principalmente com o PCdoB. A ex-deputada Jandira confirmou que seu partido está muito próximo do PDT.
- Queremos formar um bloco de esquerda. Respeitamos muito o Paulo Ramos e todos os outros pré-candidatos, como o Carlos Lessa, do PSB. Vejo com naturalidade a pré-candidatura de Gabeira, mas acho que ele é de um campo diferente do nosso, porque é de oposição ao governo federal e fará aliança com o PSDB.
O deputado Chico Alencar acha que a candidatura de Gabeira trará um debate saudável para a eleição. Ele reconheceu que disputará votos com Gabeira, mas disse que a briga será de idéias. Chico criticou a aliança de Gabeira com o PSDB e disse que a articulação do ex-governador Marcello Alencar tira o "ar de modernidade" da candidatura.
- O Gabeira vai enriquecer o debate político na eleição. Mas os partidos da frente têm concepções tão contraditórias que pode ser difícil que dê em boa coisa. Há certas aproximações políticas que são como juntar cavalo com vaca. No fim, não dá leite nem puxa carroça.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 09h49
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
DOIS NA GANGORRA
Dora Kramer
A cúpula do PSDB desistiu e a direção do Democratas insistiu. Sendo assim, não haverá aliança entre os dois principais partidos de oposição na eleição para prefeito de São Paulo: Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab serão candidatos.
O grupo do governador José Serra, ao qual se alia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chegou à conclusão de que até poderia, mas não seria conveniente “forçar a mão” pela aliança sem correr o alto risco de criar uma monumental aresta dentro do partido para o projeto presidencial de Serra em 2010.
Já os dirigentes do DEM não vêem razão alguma para o atual prefeito deixar de se candidatar. Ao contrário: com dois dígitos (12%) nas pesquisas, a máquina municipal nas mãos e o governador nesse período pré-eleitoral inaugurando obras para baixo e para cima com Kassab, os democratas acham que só têm a ganhar.
Na pior das hipóteses, o partido, que nunca teve nada em São Paulo, se estabelece como força eleitoral, levando um dos seus a subir de patamar político para, quem sabe, tentar outros vôos mais adiante. Na melhor, chega ao segundo turno. Na mais remota, ganha a eleição.
Por ora, até o tucanato mais refratário a Alckmin acha que, no fim, ele leva essa. Não se pode dizer que o cenário produza imensa felicidade no grupo, mas trata-se aqui de lidar com a realidade: sem arrumar uma confusão de proporções amazônicas, José Serra e companhia não têm condições políticas nem de comprar a briga para valer com Alckmin nem de convencer Kassab a não concorrer.
Bater pé na manutenção da aliança daria aos adversários internos de José Serra a chance de atribuírem a ele a divisão do partido. Quanto a fazer Kassab desistir, descontado o problema político com o DEM, a questão parece ser mesmo de uma imensa falta de vontade de que ele desista.
Basta ver a reação serena do DEM à evidência de que o PSDB terá mesmo candidato. O presidente do partido, Rodrigo Maia, passou o fim de semana em São Paulo, participou de duas inaugurações - ambas de secretarias comandadas pelo PSDB -, saiu “encantado” com o tratamento que recebeu dos tucanos e bastante compreensivo no tocante à candidatura própria dos parceiros.
“É claro que o ideal seria a aliança, mas compreendemos que a vontade pessoal de alguém que foi candidato a presidente da República, foi governador do Estado e tem apoio dentro do partido é difícil de ser contestada”, diz Rodrigo Maia, para acrescentar uma reverência a José Serra: “Nossa relação com ele não muda nada.”
E com o PSDB que ocupa 70% da máquina municipal?
Aí serão outros quinhentos a serem resolvidos pelos tucanos. Kassab não tomará a iniciativa de demitir nenhum secretário, uma vez assumidas as candidaturas.
Deixará ao encargo do PSDB, mais exatamente de Geraldo Alckmin, a decisão de bater em retirada ou de ficar. Se ficarem, estarão trabalhando para o adversário, mas a operação saída também não é tão fácil assim de ser executada sem provocar resistências e, por conseqüência, fortes divergências.
Nesse quadro, vê-se que a sinuca a ser resolvida na campanha está com o tucanato: o PT concorre como oposição, o DEM como situação, mas o PSDB ainda vai precisar encontrar uma posição.
Obediência funcional
Não há mistério na desistência do radialista Wagner Montes (PDT) de disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro, embora apareça em primeiro lugar nas pesquisas.
Ele é funcionário da TV Record, cujo candidato é o senador Marcelo Crivella. Portanto, ou desistia ou ficava sem o emprego.
O jogo de poder em favor de Crivella avizinha-se pesado, pois nele entra, ainda de forma sub-reptícia, o Palácio do Planalto.
Retalhos de cetim
O deputado Aldo Rebelo (PC do B) não enxerga implicações eleitorais imediatas na presença do primeiro time do escalão oposicionista em sua festa de 30 anos de vida pública, sábado passado.
Aldo vê ali o resultado de uma trajetória a serviço da conciliação: “Com Alckmin fiz dobradinha para eleição de deputado, Serra abriu o Congresso de reconstrução da UNE em 1979, quando fui eleito presidente, em Fernando Henrique votei três vezes (1978 para o Senado,1985 para prefeito e 1986 para o Senado outra vez), com Aécio participei da campanha de Tancredo e o DEM foi um dos meus mais firmes aliados na eleição da presidência da Câmara” (perdida para Arlindo Chinaglia).
Ex-ministro de articulação política, sucessor de Severino Cavalcanti na presidência da Câmara com o apoio de Lula, Aldo Rebelo é dos que apostam numa “grande união de forças políticas” em 2010.
Falta apenas os adversários combinarem entre si e, mais importante, abrirem mão de seus respectivos projetos em favor de, como diz o deputado, “um compromisso permanente com o País”.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 14h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
ZAPATERO VENCE FÁCIL O ÚLTIMO DEBATE NA ESPANHA
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A MADRI
O presidente do governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, candidato à reeleição no domingo, ganhou o último debate da campanha eleitoral, de acordo com pesquisa instantânea divulgada pela rede de televisão Quatro. Para 50,8% dos pesquisados pelo Instituto Opina, Zapatero foi o vencedor. Só 29% deram a vitória ao oposicionista Mariano Rajoy (do conservador Partido Popular, o PP).
O resultado da pesquisa sobre o debate amplia bastante os números dos dois mais recentes levantamentos sobre intenção de voto, que mostram uma vantagem de Zapatero de quatro pontos percentuais.
Mas na pesquisa do canal Quatro sobre quem vai ganhar a eleição (não em quem o pesquisado vai votar), 83% responderam Zapatero. Só 14,7% crêem que Rajoy será vencedor.
O debate de ontem não produziu novidades em relação ao confronto anterior, na segunda-feira passada, que tivera efeito quase nulo nas intenções de voto. Para quem está atrás, é um péssimo resultado.
De novo, Rajoy chamou Zapatero de mentiroso inúmeras vezes. Disse até que o presidente do governo "mente sempre, não diz a verdade jamais".
Já Zapatero tratou de demonstrar que Rajoy não tinha a menor credibilidade. Para isso, utilizou o fato de que Rajoy mentiu ao dizer que perguntara sobre a economia no primeiro debate sobre o estado da nação, quando era líder da oposição. Zapatero leu, uma e outra vez, qual fora a pergunta exata de Rajoy, que não conseguiu desmontar a tese.
Zapatero começou sua exposição entregando à mediadora o que chamou de "livro branco" sobre a ação do governo nos seus quatro anos de duração. Era uma maneira de contrapor, preventivamente, qualquer dado que Rajoy pudesse utilizar e que não fosse correto.
Rajoy caiu na armadilha, ao dizer, mais tarde, que também tinha os seus dados e que também "eram certos", numa confirmação implícita de que Zapatero não estava mentindo, ao contrário do que vinha dizendo seguidamente.
Houve um segundo escorregão do oposicionista: Zapatero insistiu em lembrar o apoio do governo anterior, do PP, à guerra do Iraque e a manipulação das informações sobre os atentados aos trens de Madri no dia 11 de março, três dias antes das eleições, tentando atribui-los ao grupo terrorista basco ETA, quando foram praticados por grupos radicais islâmicos.
Irritado pela insistência, Rajoy acabou dizendo: "Você quer voltar a ganhar a eleição pelo Iraque e pelo 11 de Março", numa confissão implícita de que a sua derrota, em 2004, foi provocada pelo apoio à guerra e pela manipulação das informações sobre os atentados. O PP jamais aceitou que essas foram as causa da derrota de então.
O debate foi uma reiteração das posições dos dois partidos em temas bastante polêmicos. Rajoy acusou Zapatero de negociar politicamente com o ETA. Zapatero reagiu dizendo que se comprometia, qualquer que fosse o governo a emergir do pleito de domingo, a apoiá-lo na luta contra o terrorismo. Cobrou idêntica promessa do oposicionista, que não a fez.
Rajoy insistiu, como no debate anterior, em que houve uma imigração descontrolada, o que, segundo ele, ameaça direitos dos espanhóis. Zapatero preferiu dizer que a política imigratória nascera de um "diálogo social", que quer repetir.
Na economia, como no debate anterior, Zapatero usou os números de seus quatro anos de gestão, bastante positivos. Rajoy preferiu citar os números dos últimos meses, bem mais desfavoráveis, em função da desaceleração da economia e da explosão de preços de alimentos, um fenômeno global.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 14h15
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO CORREIO BRAZILIENSE
O BRASIL DE CALÇAS CURTAS
Alon Feuerwerker
A guerra implacável do presidente Uribe contra o inimigo interno serve também para Washington manter a pressão militar sobre a Venezuela, sem cujo petróleo os americanos enfrentariam problemas gravíssimos
A escalada de tensões entre a Colômbia e seus vizinhos, após a violação das fronteiras equatorianas por militares colombianos em ação contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), cria um cenário em que fica exposto, com tintas berrantes, o produto da incúria dos recentes governos brasileiros em relação à defesa nacional. Anos de desleixo e de problemas empurrados com a barriga deram nisso: o Brasil está desequipado material e doutrinariamente para cumprir suas naturais atribuições de potência regional.
O caso da renovação da frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB) é emblemático. O assunto era para ter sido resolvido ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas a concorrência acabou ficando para a administração de Luiz Inácio Lula da Silva. Passados cinco anos de gestão petista, nada foi resolvido. A frota de caças continua em estado de sucata, sem luz no fim do túnel. E não estamos falando de nada estrondoso. Seriam duas dúzias de aviões novos, um investimento de menos de US$ 1 bilhão.
Preferiu-se, porém, a gambiarra: comprar aviões franceses usados, uma solução de emergência para “acalmar” a FAB. Como se a questão se resumisse ao que fazer para evitar maus humores na caserna. Agora, com a porteira arrombada, corre-se atrás do prejuízo. Recentemente, o ministro da Defesa executou um périplo europeu para alavancar parcerias que desatolem a indústria bélica nacional e acelerem o reequipamento da Forças Armadas. Aguardam-se os resultados práticos do giro ministerial.
Não custa ser otimista. Quem sabe o novo ministro da Defesa não convence o presidente da República a investir na FAB pelo menos o mesmo tanto que a turma do governo gasta em passagens e diárias?
O fato é que o Brasil defronta-se nos últimos tempos com uma realidade para a qual não está preparado. Na nossa fronteira norte, duas nações armam-se em defesa de seus próprios interesses estratégicos. A Colômbia transforma-se progressivamente num braço militar dos Estados Unidos na transição entre as américas Central e do Sul. A guerra implacável do presidente Álvaro Uribe contra o inimigo interno serve também para Washington manter a pressão militar sobre a Venezuela de Hugo Chávez, sem cujo petróleo os americanos enfrentariam problemas econômicos gravíssimos.
Já Chávez, sabedor de que a guerra civil colombiana tem potencial para gerar fatos e pretextos que podem desencadear uma agressão americano-colombiana a seu país, vem se empenhando por uma solução política pacífica no vizinho. Solução que naturalmente desagrada a Uribe, cujo poder interno repousa cada vez mais no tripé formado pelos militares, pelos paramilitares de direita e pelos próprios Estados Unidos. Sem esquecer que uma vitória definitiva contra as Farc daria o impulso necessário para o presidente reformar a Constituição e poder pleitear um terceiro mandato consecutivo, como é seu desejo.
Diante dessa ameaça, Chávez acelerou nos últimos anos a substituição de equipamento bélico americano por similares russos, o que agudizou ainda mais o desconforto de Washington. Ainda que tenham sido os próprios americanos a fornecer a justificativa de que o venezuelano necessitava, quando passaram a recusar reposição de peças e assistência técnica ao material estadunidense tradicionalmente empregado pelas Forças Armadas da Venezuela.
E o problema não está circunscrito ao cone norte do continente. Ao pé dos Andes, bem na fronteira com o Brasil, grupos separatistas com apoio nem tão velado assim dos Estados Unidos impulsionam movimentos separatistas em território da Bolívia, na tentativa de abocanhar as regiões mais ricas do país e isolar (se necessário derrubar) o presidente Evo Morales.
A tudo isso o Brasil assiste de dedos cruzados e coração sobressaltado, emitindo de tempos e tempos declarações genéricas e apelos piedosos pelo entendimento entre as partes. É muito pouco para quem pleiteia insistentemente uma cadeira fixa no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
POSIÇÃO DÚBIA
Merval Pereira
A postura oficial do governo brasileiro no confronto entre Colômbia e Equador foi a mais cômoda possível: condenar a invasão territorial, exigir um pedido de desculpas e um compromisso formal do governo da Colômbia de que não haverá repetição do ato de hostilidade. Mas o que fazer com a clara proteção que o governo do Equador e da Venezuela dão aos narcoguerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs)? E como impedir que o governo da Venezuela se intrometa, tomando as dores do Equador mandando tropas para a fronteira, numa clara provocação ao governo de Alvaro Uribe, a quem já vinha chamando de traidor desde os primeiros incidentes envolvendo a libertação de reféns das Farcs?
A situação de conflito iminente na região já estava caracterizada desde quando o governo venezuelano passou a ter ascendência política e financeira sobre diversos governos da região: A Bolívia de Evo Morales; o Equador de Rafael Correa; a Argentina de Kirchner; a Cuba de Fidel. A presença de Hugo Chávez na região, fortalecida pelo aumento do preço do petróleo, perturba o modelo de protagonismo brasileiro, surgindo o venezuelano como uma liderança alternativa na região.
Ele atua em dois momentos: no ideológico, tem seguidores políticos como como Rafael Correa ou Evo Morales, e com a diplomacia do petrodólar, como no caso da Argentina, comprando os bônus argentinos e as malas de dinheiro para as campanhas políticas, e também a sustentação financeira de Bolívia e de Cuba. Os petrodólares de Hugo Chávez substituem o anacrônico "ouro de Moscou" do tempo da Guerra Fria, fazendo com que seu peso político seja desproporcional à sua real importância geopolítica na região.
A forma como Chávez tem agido, no entanto, só tem reforçado a imagem de Lula como um líder equilibrado em uma região conturbada. Essa é uma avaliação que se faz por comparação, e não por valor absoluto.
A tese do Itamaraty de que a integração regional na América Latina tem que ser buscada a todo custo para dar "tranqüilidade ao continente", faz sentido, mas tem sido freqüentemente atropelada pelos fatos, que nos últimos dias desmentem a fama de pacífica da região.
Em meio a um ambiente de hostilidades crescentes, a política de armamento da Venezuela acendeu o alerta em setores militares brasileiros, e o reequipamento das nossas Forças Armadas, passou a estar na ordem do dia. O que mais preocupa os estrategistas militares é a possibilidade de fabricação de armas leves, como os fuzis AK-47, em larga escala em território venezuelano, que poderiam facilmente cair nas mãos dos narcoguerrilheiros colombianos.
Não bastasse o pedido de silêncio feito por Chávez, em rede nacional de televisão em homenagem pela morte do número dois das Farcs, a revelação de que o governo de Chávez financiou a guerrilha com U$300 milhões é mais uma demonstração dos laços estreitos que os unem, tornando mais difícil ainda a posição oficial do governo brasileiro.
O presidente venezuelano disse que conheceu o guerrilheiro Raúl Reyes, morto na operação militar da Colômbia, num dos encontros do Foro de São Paulo, uma organização criada por Lula e Fidel Castro para reunir os grupos de esquerda do continente.
O Foro de São Paulo abriga não apenas partidos políticos de várias tendências esquerdistas, mas também organizações guerrilheiras, além das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs), como a ELN também colombiana e a Unidade Revolucionária Nacional Guatemalteca (UNRG), consideradas terroristas, acusadas de tráfico de drogas e outras atividades criminosas, o que retira sua legitimidade como fórum de debate político.
Foi nesses encontros que Lula conheceu Chávez e também o número dois das Farcs. A proximidade do governo da Venezuela com as Farcs, que ficou evidenciada na primeira operação, frustrada, de liberação de reféns, agora fica mais perigosamente demonstrada pelo financiamento da narcoguerrilha.
Essa defesa da posição do Equador, com a movimentação de tropas na fronteira, é um dos aspectos mais deletérios da ação geopolítica da Venezuela sob Chávez, que busca uma integração militar e geopolítica paralela à integração econômica da região.
A proposta de um pacto militar para a defesa conjunta contra os Estados Unidos dos membros da Aliança Bolivariana (Alba), grupo formado por Cuba, Nicarágua, Venezuela e Bolívia para se opor à falecida Alca americana, inclui, vê-se agora, também o Equador, enquanto a Colômbia é considerada a ponta de lança dos americanos na região.
Toda essa movimentação chavista, no entanto, é avaliada pelos estudiosos da região como mais uma de suas fanfarronices, sendo pouco provável que um conflito armado realmente se torne realidade, especialmente pelo fato de os Estados Unidos estarem atuando dentro da Colômbia no combate ao narcotráfico.
Mas a atuação das Organizações dos Estados Americanos (OEA) pode ser fundamental para acalmar os ânimos no momento. Se a OEA não for suficiente, é possível que seja necessário formar um grupo como o de Contadora, criado em 1983 pelos governos da Colômbia, México, Panamá e Venezuela, para promover a paz na América Central, diante dos conflitos armados en El Salvador, Nicarágua e Guatemala.
O Brasil deveria ter um papel fundamental nessas negociações, pois o governo Lula é visto internacionalmente como uma liderança equilibrada em uma região dominada por líderes esquerdistas radicais.
A "esquerda tradicional" representada por Lula e Bachelet no Chile seria fundamental para dar estabilidade à região. Mas para isso seria preciso que o governo da Colômbia identificasse no Brasil um poder moderador independente, o que não acontece.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h41
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
NÃO CABE NEUTRALIDADE
Clóvis Rossi
MADRI - Marco Aurélio Garcia, o assessor diplomático do presidente Lula, disse à rádio CBN que o governo "vai mobilizar toda a força da diplomacia brasileira e de outras capitais sul-americanas para reduzir ao máximo a tensão [Colômbia/Venezuela] e procurar encontrar uma solução duradoura".
Ótimo. Mas convém ter claro que o Brasil pode -e deve- ser neutro entre os dois vizinhos, mas não pode -nem deve- ser neutro entre o governo colombiano (legítimo) e as Farc (um grupo delinqüente).
Mesmo sobre Hugo Chávez, vale a observação do especialista argentino Juan Gabriel Tokatlián à Folha: a reação de Chávez foi um "gesto intempestivo, inusualmente desproporcional" (o "inusualmente" é gentileza de Tokatlián). Se se quer "solução duradoura", convém ter igualmente claro o que escreveu um íntimo aliado de Lula, o ex-presidente José Sarney: aceitar as ações das Farc "como parte de um estilo normal do jogo político é atribuir valores a um simples exercício do terrorismo. É, no mínimo, uma velada solidariedade com esse modo de tortura".
Perfeito. Não se trata, como quer Chávez, de um "grupo beligerante", nem mesmo de um grupo terrorista, se se aceitar que o terrorismo às vezes busca um objetivo político, ainda que por meios condenáveis.
As Farc há muito tempo abandonaram qualquer veleidade de ação política pela via armada para se tornarem delinqüentes que vivem do narcotráfico e do dinheiro arrecadado com seqüestros.
A Colômbia invadir território equatoriano é também condenável. Mas vale, até para o Brasil, o que diz Carlos Malamud (do Real Instituto Elcano da Espanha): "Se os governos fronteiriços da Colômbia fizessem seu trabalho, protegessem as fronteiras e impedissem que bandos de delinqüentes passeassem livremente por seu território, ações [como a da Colômbia] não seriam necessárias".
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h11
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EMO ESTADO DE S. PAULO
ÁGUA FRIA NA FERVURA
EDITORIAL
A incursão das forças colombianas contra um acampamento das Farc localizado no lado equatoriano da fronteira - da qual resultou a morte do Raúl Reyes, segundo homem na hierarquia da organização terrorista - constituiu, sem dúvida, uma violação da integridade territorial e da soberania do Equador. Mas o incidente não provocaria as reações que tiveram os presidentes Rafael Correa, do Equador, e Hugo Chávez, da Venezuela, se os dois não estivessem cada vez mais comprometidos com as Farc.
Há alguns anos, aviões e helicópteros colombianos invadiram o espaço aéreo brasileiro em perseguição a narcoguerrilheiros. Detectados pela defesa aérea do Brasil, os aparelhos colombianos recuaram. O Itamaraty apresentou à chancelaria colombiana enérgicos protestos, recebeu garantias de que fatos como aquele não mais ocorreriam e o incidente foi encerrado aí. Mas o mais importante é que o governo brasileiro tomou providências para evitar a infiltração, em nossas fronteiras, de narcoguerrilheiros das Farc, porque são eles, e não as Forças Armadas colombianas, o fator de instabilidade na região.
Mas os atuais governos do Equador e da Venezuela não pensam assim. Há vários meses, o governo colombiano vem advertindo as autoridades do Equador a respeito da existência de acampamentos das Farc em seu território - e a resposta invariável era de que a denúncia não procedia. O governo de Rafael Correa argumentava, ainda, que mantinha uma posição de neutralidade em relação ao conflito interno colombiano, o que agora se sabe que não era verdade.
O governo da Venezuela, por sua vez, há muito tempo aceita a presença dos narcoguerrilheiros em seu território, seja em bases de descanso e treinamento, seja em entrepostos para o tráfico de cocaína - a principal fonte de renda das Farc, à frente da rendosa indústria do seqüestro e da extorsão. E o presidente Hugo Chávez tem usado suas boas relações com os dirigentes das Farc para pressionar politicamente o presidente Álvaro Uribe, que acusa de ser lacaio do imperialismo ianque. Além disso, agora se vê que Chávez tem sobre Rafael Correa uma ascendência maior do que se imaginava.
Assim que o presidente Uribe soube dos resultados da incursão militar, telefonou para o seu colega equatoriano, que interrompeu um programa de rádio para ouvir as explicações. Segundo uma fonte colombiana, a conversa foi "calma e franca" e Correa teria admitido que certamente "Reyes se encontrava infiltrado" em seu país. De volta ao microfone, Rafael Correa contou aos ouvintes que houve combates na zona de fronteira e reconheceu: "Muitos desses combates vieram do lado equatoriano. Parece que as Farc incursionaram em nosso território."
A essa reação serena seguiu-se um telefonema do coronel Hugo Chávez e a atitude de Correa mudou. Chamou o embaixador em Bogotá, endureceu o discurso e despachou tropas para a fronteira, não para limpar o terreno de narcoguerrilheiros, mas para proteger o país da "agressão".
Chávez, por sua vez, deslocou 10 batalhões para a fronteira com a Colômbia, retirou o embaixador em Bogotá de uma forma que caracteriza o rompimento de relações diplomáticas e fez as ameaças de sempre: "Nós não queremos guerra, mas não permitiremos que o império americano nem seu cachorro, o presidente Uribe, nos dividam." E abriu escancaradamente o seu jogo, decretando um minuto de silêncio em homenagem a Raúl Reyes, um "bom revolucionário (...) covardemente assassinado". Seu chanceler, Nícolas Maduro, por sua vez disse que a morte do segundo homem das Farc foi uma "bofetada" e um "duro golpe" nas negociações para a libertação de seqüestrados.
O fato é que tanto Chávez quanto Correa estão apoiando a luta de um grupo de terroristas e narcotraficantes contra um governo constituído democraticamente e que conta com a aprovação da imensa maioria do povo colombiano.
O presidente Álvaro Uribe, com serenidade, decidiu não reforçar militarmente as fronteiras com o Equador e a Venezuela.
Enquanto isso, cabe aos governos democráticos da região, especialmente ao do Brasil, jogar água fria na fervura, envidando esforços diplomáticos para evitar a escalada do conflito, que é o que deseja Chávez, para recuperar o apoio que perdeu do povo venezuelano.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h05
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
PROPOSTAS DE MUDANÇAS IGNORAM QUE EUA MUDARAM
Alvin e Heidi Toffler*
Em todo o globo, milhões de pessoas ficam com os olhos vermelhos, por ficar horas diante da TV acompanhando uma das mais incríveis batalhas políticas da história americana - um confronto cujo resultado poderá transformar radicalmente as relações dos Estados Unidos com o restante do mundo.
Com o presidente George W. Bush deixando o cargo em janeiro, grande parte do mundo mal pode esperar. O mesmo vale para muitos, se não a maioria, dos americanos. No próximo outono (no Hemisfério Norte), os dois principais partidos políticos devem escolher seu candidato à presidência: Barack Obama ou Hillary Clinton pelo Partido Democrata e, possivelmente, John McCain pelo Partido Republicano.
Todos eles são pessoas inteligentes. E todos dispararam promessas como balas de metralhadoras: promessas de solucionar o deteriorado sistema de saúde, promessas de salvar o sistema de previdência social, promessas de criação de empregos, promessas de melhorar a educação, promessas de mudar o sistema fiscal, promessas de salvar o país de ataques terroristas e promessas de reverter a situação da economia.
Naturalmente, é bem provável que nenhum dos aspirantes à presidência, se eleito, consiga cumprir nem mesmo algumas dessas promessas.
Em primeiro lugar, para realizar mudanças, num dado momento até o mais forte presidente precisará do apoio do Congresso, das burocracias governamentais pertinentes, da mídia, dos sindicatos, dos incontáveis lobistas e de outros centros de poder, desde organizações profissionais até grupos religiosos.
O processo de tomada de decisão raramente consegue acompanhar o ritmo das mudanças na sociedade. Freqüentemente, quando as forças necessárias estão alinhadas contra a inevitável oposição, as razões da mudança já mudaram. No final, o resultado obtido, se houver, quase nada tem a ver com o que foi prometido.
Literalmente, nas recentes eleições intrapartidárias, todos os candidatos, de uma maneira ou de outra, falam dramaticamente da necessidade de “mudança”. Contudo, muitas das mudanças que eles pregam, remontam a presidentes anteriores. Assim, McCain, como tantos outros republicanos, afirma que deseja menos impostos e um governo mais enxuto - políticas análogas ao “Economic Recovery Tax Act” (lei fiscal para recuperação econômica) de 1981, promovido por Ronald Reagan no início da sua presidência.
Sucessivamente, a mudança defendida por Reagan correspondia à chamada “mellon tax cuts” (cortes de impostos propostos pelo secretário do Tesouro da década de 20, Andrew William Mellon). São essas as novas idéias.
Da mesma forma, as propostas feitas pelos candidatos democratas para acabar com a crise do sistema de saúde remontam ao mandato de Lyndon Johnson, nos anos 60, com raízes ainda mais antigas na presidência de Franklin Roosevelt, na década de 30.
Os americanos ouvem dos candidatos que o sistema energético está em crise, o sistema de saúde está em crise, o sistema educacional está em crise e, de acordo com muitos, o próprio sistema político está “arruinado”.
Mas até agora nenhum dos principais candidatos sugeriu que todas essas crises, na verdade, são partes de uma crise sistêmica única, muito maior e mais importante - partes, explicando de um modo diferente, de uma única “supercrise” transformadora, que penetra em todos os aspectos da vida americana.
Os Estados Unidos estão vivendo a agonia do industrialismo e a sua substituição por uma ordem social e uma economia com base no conhecimento, radicalmente diferentes, com novos conceitos de sexo, raça e idade, novas estruturas familiares e novas formas organizacionais e culturais.
As novas instituições e ordenações sociais, contudo, não se encaixam todas. Muitas são ainda experimentais. Mas a evidência mais gritante do declínio industrial não é encontrada só nas siderúrgicas vazias e no declínio do trabalho operário, no chão das fábricas.
A burocracia é a forma clássica de organização da era industrial e funcionou bem numa economia baseada em chaminés e linhas de montagem tradicionais. Mas as burocracias clássicas, em larga escala, não conseguem acompanhar a velocidade e complexidade cada vez mais aceleradas dos EUA na era pós-industrial.
Assim, presenciamos a falência devastadora, uma após outra, das gigantescas burocracias públicas e privadas dos Estados Unidos. Símbolos do que está ocorrendo - e do que está à frente - são os sucessivos fiascos associados ao Departamento de Segurança Nacional. Uma “megaburocracia” improvisada depois dos atentados de 11 de Setembro contra o World Trade Center, em Nova York, reuniu, no processo, 22 pequenas agências (cada uma com sua própria burocracia), absorvendo a Fema ( Agência Federal de Gerenciamento de Emergências).
Durante os furacões e inundações que destruíram grande parte de New Orleans, em 2005, deixando mais de 250 mil pessoas desabrigadas, o governo federal em Washington não conseguiu uma coordenação com a burocracia estatal de Louisiana, que também não conseguiu se coordenar com a burocracia do governo municipal da cidade assolada.
Pior ainda, dois anos e meio depois que os refugiados se instalaram em trailers, muitas dessas moradias temporárias podem estar envenenando quimicamente as pessoas que vivem nelas, anunciou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças.
Esse é apenas um exemplo dramático dos fracassos burocráticos cada vez piores, em todos os níveis do governo americano, e também no setor privado.
Os candidatos discutem sobre vários assuntos, contudo nenhum deles os colocou num quadro mais amplo, necessário para compreender o que está ocorrendo nos EUA.
Em vez de deixar claro para os eleitores que os Estados Unidos não são mais uma sociedade industrial, muitos candidatos defendem o retorno dos empregos na manufatura de pouca tecnologia, que foram deslocados para a China, Índia e outros países com mão-de-obra barata. Eles tratam do declínio dos empregos no setor de manufatura como se fosse um fato recente.
Nenhum deles parece saber que os Estados Unidos iniciaram seu salto para além da industrialização em 1956, quando, pela primeira vez, os postos de trabalho no setor de manufatura foram superados em número pelos empregos na incipiente economia baseada nos serviços e no conhecimento.
Nenhum dos candidatos associou as mudanças radicais observadas hoje, no campo dos valores, da estrutura familiar e da cultura, à ascensão de uma nova forma revolucionária de criação de riqueza que, tendo começado nos Estados Unidos, rapidamente se difundiu pelo globo.
A seleção dos candidatos para disputar a presidência dos Estados Unidos, em novembro, os incontáveis discursos pronunciados por McCain, Obama e Hillary Clinton, a atenção interminável dispensada às suas campanhas pela mídia mais poderosa, tudo isso constitui uma oportunidade histórica para se oferecer aos eleitores um mapa coerente das mudanças inter-relacionadas necessárias para completar a transição de uma sociedade e uma economia industriais para uma fase pós-industrial.
Infelizmente, com exceção de alguns que têm expressado preocupação com as questões ambientais, o mantra da mudança cantado em toda temporada política vigente, oferece, no geral, aos americanos, propostas familiares fragmentadas - mudanças com base na era industrial para uma sociedade que já não é mais industrializada.
Está na hora de os políticos americanos enfrentarem a inquietante realidade de uma sociedade e economia revolucionárias que está despontando. Essa seria uma verdadeira mudança política.
*Alvin e Heidi Toffler, autores de ‘Revolutionary Health’ (Riqueza Revolucionária), ‘O Choque do Futuro’ e ‘A Terceira Onda’, escreveram este artigo para Tribune Media Services.
Categoria: ARTIGOS
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 12h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
GABEIRA ACEITA CONCORRER NO RIO, MAS IMPÕE CONDIÇÕES
Deputado do PV diz que não fará oposição ao governo do Estado nem ao federal
PPS e PSDB vão discutir com as bases a indicação; "a idéia é constituir a necessidade de uma frente de salvação da cidade", defende Gabeira
ITALO NOGUEIRA DA SUCURSAL DO RIO
O deputado federal Fernando Gabeira (PV), 67, aceitou candidatar-se à Prefeitura do Rio pela coligação de seu partido com o PSDB e o PPS e afirmou que não pretende fazer campanha como oposição aos governos federal (PT) e estadual (PMDB).
Em reunião com representantes das três siglas, Gabeira impôs condições para disputar o cargo: a candidatura não será de oposição aos governos federal e estadual, mas centrada nos problemas da cidade; dados das contas de campanha abertos na internet; a campanha não deve atacar adversários nem sujar a cidade; não aceitar indicações políticas para cargos no governo, se vencedor.
Segundo Gabeira, esses seriam os elementos básicos para formar o que chamou de "frente de salvação" da cidade.
"Os partidos terão um papel desde que tenham quadros competentes capazes de contribuir", disse. "Não vamos fazer oposição ao governo federal ou estadual. O que não significa que vou deixar de ter minhas idéias e posições. Mas o fundamental é tentar constituir a possibilidade de tirar a cidade da crise e abrir um horizonte de crescimento econômico." PSDB e PPS vão discutir com as bases a indicação de Gabeira. Uma nova reunião entre os partidos está marcada para terça.
Gabeira não descarta a colaboração do prefeito Cesar Maia (DEM) na frente. "A idéia é constituir a necessidade de frente de salvação da cidade."
Caso a candidatura se concretize e o cenário com sete candidatos se mantenha, a coligação teria quase 13 minutos do total de 60 minutos de propaganda na TV diariamente. Ficaria abaixo apenas da coligação PMDB-DEM, caso se confirme as candidaturas de Solange Amaral (DEM) a prefeito e Leandro Picciani (PMDB) a vice. O governador Sérgio Cabral ainda tenta fazer do secretário de Turismo, Eduardo Paes, o nome do PMDB.
Os tucanos contam com três pré-candidatos: o deputado federal Otávio Leite, o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, e a vereadora Andréa Gouvêa Vieira. Já foram feitos diversos debates no partido sem alcançar uma definição.
O PPS aguarda resposta da ex-deputada Denise Frossard, pré-candidata da sigla, para confirmar o apoio a Gabeira.
Com a saída da disputa do deputado estadual Wagner Montes (PDT), e a possível não-candidatura de Frossard, o senador Marcelo Crivella (PRB) aparece como um dos nomes fortes. Ele deve ter o apoio do presidente Lula, mesmo com o PT tendo candidato: Alessandro Molon, Benedita da Silva e Vladimir Palmeira disputam a candidatura do partido.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 07h09
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO
GABEIRA LANÇA SEU NOME PARA DISPUTAR PREFEITURA
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) se apresentou ontem para disputar a Prefeitura do Rio em reunião com políticos do PV, PSDB e PPS. O encontro serviu para fortalecer a aliança dos três partidos para concorrer à sucessão de Cesar Maia (DEM), mas não foi conclusivo. Reunião na próxima semana definirá quem encabeçará a possível coligação.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 07h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO JORNAL DO BRASIL
GABEIRA VAI LIDERAR FRENTE PV, PPS E PSDB
A impensável aliança de oposição entre PSDB, PPS e PV - há alguns anos - está perto de se concretizar. Depois de rumores e ensaios sobre um nome que represente uma alternativa ao tradicional PMDB do governador do Estado, Sérgio Cabral, ou ao DEM do prefeito Cesar Maia, o nome do deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) foi o escolhido para encabeçar e lançar o grupo.
Na terceira reunião entre dirigentes e militantes dos três partidos, ontem, Gabeira decidiu por resolver o problema de representatividade da legenda:
- Havia um impasse em torno do nome e como não conseguíamos um entendimento, ofereci-me para encabeçar a frente - explica.
Antes relutante em deixar o cargo de deputado federal, Gabeira conta que o que o fez mudar de idéia foi o fato de as três legendas não terem encontrado união:
- Chegamos à conclusão, também, que era preciso alguém que fosse capaz de mudar a sociedade para mudar o comportamento em relação à cidade - explica. - Os dirigentes dos partidos disseram que se não me apresentasse como cabeça da chapa eu não teria espaço para trabalhar da forma como gostaria, no sentindo de estabelecer esse início de mudança cultural da cidade.
Apesar de o entusiasmo ser grande pelas partes e a aliança estar praticamente encaminhada, há ainda alguns obstáculos pela frente.
Os tucanos, por exemplo, terão de decidir o mais rápido possível sobre a posição do partido em relação à aliança. A grande questão, no entanto, é que nem mesmo a direção do PSDB decidiu entre os seus três pré-candidatos: o deputado federal Otávio Leite, o deputado estadual Luiz Paulo e a vereadora Andréa Vieira.
Já no PPS, o forte nome da juíza Denise Frossard deixaria de ser cotado em função do abre-alas para Gabeira.
- O PSDB ainda precisa concluir seu processo interno e isso é tudo que falta - avalia o presidente do PV no Rio, Alfredo Sirkis. - No caso do PPS, a situação é mais favorável para o nome do Gabeira. O que tem chegado a nós é que a Denise não tem se colocado e que dentro do PPS haveria oposição a seu nome caso Gabeira fosse candidato.
Segundo Sirkis, há respaldo do próprio presidente do PPS, Roberto Freire, para o nome de Gabeira.
Definição
O veredicto da tríplice aliança, portanto, está nas mãos dos tucanos. Integrantes do diretório regional se reunirão na semana que vem com tucanos da alta patente, como Arthur Virgílio, José Aníbal e Geraldo Alckmin para dialogar sobre o quadro do Rio de Janeiro.
- Precisamos analisar as bases e o nosso interesse - explica Leite. - A ideia é que a boa intenção permita a construção de um programa de interesse comum ou fica difícil. Ainda não temos certeza de que Gabeira será a cabeça da chapa.
Apesar de divergências entre princípios e ideologia, a vereadora do PV Aspasia Camargo garante que há união e uma das bandeiras da frente é "evitar a decadência econômica e degeneração da cidade":
- É uma frente de salvação nacional, que transcende objetivos eleitorais e diminui oposições em nome de algo maior que vem adiante.
Ao se lançar, Gabeira deu como condição que a máquina de governo não seja loteada por partidos políticos e nem por interesses individuais. O deputado federal quer que a aliança reúna o melhor dos partidos.
As três legendas batem o martelo sobre a definição da aliança na próxima terça-feira, dia 11.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 05h48
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
'TENHO QUE CONTRIBUIR'
FERNANDO GABEIRA
Fernando Gabeira está decidido. Quer disputar a prefeitura do Rio. Deputado federal mais votado do estado em 2006, o verde, 67 anos, diz que a candidatura é conseqüência da crise que vive a cidade. Para a tarefa, negocia o apoio de uma frente de partidos a partir de pontos inegociáveis: campanha limpa e transparente.
Lydia Medeiros
O senhor resistia a disputar a prefeitura. O que mudou?
FERNANDO GABEIRA: A crise da cidade se agravou. Esse processo de aparente decadência preocupa muito mais hoje. Fui o deputado mais votado do estado, e tenho me voltado mais às questões nacionais e internacionais. E me senti com uma dívida de gratidão com os eleitores e com o Rio. Tenho que contribuir. Decidi dedicar meu tempo à cidade e à idéia de uma "Frente de salvação". Para começar, estamos conversando com PV, PSDB e PPS. Mas queremos que seja o mais ampla possível.
O senhor já disse que estabeleceu condições para a campanha. Quais são?
GABEIRA: Formar um governo de competência, não de máquina partidária. Fazer uma campanha transparente, na internet, com todas as contas registradas. Uma campanha limpa, no sentido de não sujar a cidade e de não atacar adversários. E não fazer do Rio miniatura dos confrontos nacionais.
Qual o desafio do próximo prefeito?
GABEIRA: É impulsionar o desenvolvimento econômico, com associação com a iniciativa privada. O segundo é a violência. O Rio tem áreas de domínio territorial armado. O objetivo é acabar com esse domínio. O que não significa acabar com o tráfico. É conter a desordem. Tratar da educação para a cidadania: Não fazer xixi na rua, não jogar lixo. É a responsabilidade de cada um. Sozinho, o prefeito não resolve.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 05h40
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
GABEIRA ACEITA SER CANDIDATO A PREFEITO DO RIO
Deputado se apresenta à Frente Rio, que tem PSDB, PV e PPS, e enfrenta resistência de pré-candidato tucano
Cláudia Lamego
Em reunião ontem da Frente Rio, formada por PSDB, PPS e PV, o deputado federal Fernando Gabeira avisou que aceita ser candidato a prefeito do Rio este ano. No PSDB, apesar do apoio do ex-governador tucano Marcello Alencar, Gabeira enfrenta a resistência de um dos pré-candidatos à prefeitura, o deputado federal Otávio Leite. Os outros dois pré-candidatos, a vereadora Andréa Gouvêa Vieira e o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, já demonstraram que aceitam Gabeira como cabeça de chapa, numa aliança em que o PSDB pode entrar com o vice.
- O Gabeira apresentou o nome dele hoje. Esta semana, vou me dedicar a algumas conversas políticas com líderes nacionais, como José Aníbal, Alckmin, Arthur Virgílio, Sérgio Guerra. Vamos ter uma série de reuniões também com a minha base no partido. Meu nome não é um projeto pessoal, é um movimento de defesa de bandeiras. A Frente precisa se fundamentar em propostas concretas, não adianta só o estado de espírito - disse Otávio Leite.
Na próxima segunda-feira, o PSDB se reúne para decidir oficialmente se aceita Gabeira como candidato. Andrea Gouvêa Vieira defendeu a indicação do deputado e disse que aceitaria ser sua vice, ressalvando que este assunto será decidido apenas numa segunda etapa:
- Se a frente achar que tenho o nome que agregue, por ser mulher e vereadora, já que a eleição é municipal, tenho interesse em ser (vice). Tive três anos muito combativos na Câmara Municipal, acompanhei o Orçamento da prefeitura, conheço bem a sua situação financeira. Tenho vontade de ir para o Executivo e o apoio de muitos vereadores, que já se manifestaram a meu favor. É natural que o PSDB dê a vice, mas estamos numa frente e há outros partidos que poderão se juntar a nós.
Marcello Alencar defende candidatura de Gabeira
Luiz Paulo não quis comentar se abriria ou não mão de sua pré-candidatura, mas afirmou que não se pode priorizar projetos pessoais nem impor aos outros partidos nomes que não sejam consenso. Segundo ele, a frente é uma "salvação para o Rio":
- Essa é uma frente com alguns princípios claros, que vai fazer uma campanha limpa, tanto no aspecto de limpeza da cidade quanto na transparência financeira. Quem vencer, vai colocar nos cargos pessoas competentes, não por indicação política.
A próxima reunião da frente será na terça-feira, um dia após o encontro do PSDB.
- Coloquei minha candidatura, disse que estou aberto e que examinassem essas condições. Na próxima terça-feira, voltaremos a conversar - disse Gabeira.
Marcello Alencar, que aprovou a candidatura de Gabeira, disse que a aceitação de seu nome surgiu de uma "média aritmética" de opiniões no partido. E elogiou a formação da frente:
- A frente vem com vontade de servir à cidade do Rio, de devolver a auto-estima do povo.
Alfredo Sirkis, que era o pré-candidato do PV até a decisão de Gabeira, disse esperar que tudo esteja resolvido até a próxima terça-feira. Segundo ele, no PPS não há resistências a Gabeira e, no PSDB, até Otávio Leite deve aceitar a decisão da Frente Rio.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 05h34
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM EL PAÍS (ESPANHA) PARTE I
VELTRONI REJUVENECE LA POLÍTICA ITALIANA
El candidato del Partido Democrático recorta distancias con Silvio Berlusconi - El líder de centro-izquierda apuesta por la "Italia que trabaja y la que piensa"
No cabe nadie más en el Teatro del Pavone, una linda bombonera perugiana, y la platea está abarrotada con 700 personas. Muchos son jóvenes de 20 años o menos. Fuera se han quedado 500 ciudadanos más, viendo y escuchando por una pantalla gigante las palabras de Walter Veltroni. La región de Umbria es territorio fiel del Partido Democrático, aquí arrancó la campaña electoral hace dos semanas. Veltroni habla con calma, con el tono mesurado y absoluta naturalidad. Ni arengas, ni gritos, ni promesas enloquecidas, ni insultos al adversario; un estilo razonable, convincente y medido. De vez en cuando, se permite la alegría de un chiste, bastante bueno por cierto. Sin un solo papel delante, habla durante más de una hora. Largo, sí, pero cada poco el auditorio aplaude. "Bravo, Walter", grita una mujer rematando las frases brillantes.
El Giro de la Nueva Italia no ha hecho más que empezar, faltan 45 días para las elecciones, pero la energía que desprende Walter Veltroni, de 52 años, parece perfectamente engrasada. Sus formas, sus ideas, su tono y su talante son toda una novedad. Tras 15 años de caos, gritos, corrupción y politiquería, tras dos años escasos de un Gobierno Prodi que fue atacado desde dentro y fuera, tras años de estancamiento económico, cuando Italia parecía resignada a un inevitable e incierto regreso a Berlusconi, aquí está Veltroni, con sus modales exquisitos, su aspecto de italiano corriente, su cultura laicista pero cuidadosa con los católicos y su mensaje de renovación total.
En el escenario del Pavone hay una bandera tricolor. Tres jóvenes locales de entre 16 y 26 años (Tiziano, Adele y Daniela) han abierto el mitin a la americana, preguntando desde el atril al candidato del Partido Democrático por el futuro. "Siempre lo hacemos así", explica Veltroni a la audiencia: "La bandera y los jóvenes. Y cada día me impresiona la fuerza, la seguridad, la claridad con la que hablan nuestros muchachos. Y cuántos de vosotros venís a escucharme con esperanza".
¿Cuál es el secreto para que de repente los jóvenes italianos se hayan acercado a la política? Les habla de Salinger, les habla de Joseph Conrad, les habla de deporte, de crear 100 campus nuevos, de abrir los colegios por las tardes, de cambiar sus programas anquilosados, de potenciar su creatividad. Les dice que quiere llevar al Parlamento a "la Italia verdadera, la Italia joven, la Italia que trabaja, la Italia que se cansa, la Italia que piensa".
En sus listas hay más mujeres, más jóvenes, más obreros, más empresarios, menos políticos profesionales. Es la política de la cercanía, de la no ideología, de los que no les interesa la política. Quizá es que su energía es espontánea y por eso suena real. Según los colaboradores que le acompañan en el viaje puerta a puerta, Veltroni es un tipo apasionado, que cree mucho en lo que hace y que ha soñado durante 20 años, desde que descubrió a Kennedy y su "bella política", con este momento: crear un partido a imagen y semejanza del Partido Demócrata estadounidense, y una vez hecho eso cambiar de un plumazo Italia y la política italiana.
Con un estilo familiar y didáctico, a medias entre Barack Obama y un pastor, Veltroni sigue lanzando mensajes positivos: "Los sondeos van bien, pero no miden una cosa: la necesidad de novedad", dice. "Se nota un aire nuevo, y hay un mundo nuevo por crear. Divirtámonos haciéndolo, porque no es una guerra ni una batalla. Es solo una competición para ver si Italia cambia o sigue igual".
Maura, de 29 años, y Aurora, de 25, perugianas las dos, una recién licenciada y la otra a punto de hacerlo en la facultad de Medicina, creen en Veltroni. Salen ilusionadas, "aunque ya veníamos convencidas". Maura, de todos modos, no tiene mucha fe en que el sueño acabe bien. Su diagnóstico destila pura desesperanza: "Este país está para emigrar, no tiene solución. La burocracia es espantosa, paralizante, y solo si eres muy bueno y tienes una recomendación puedes encontrar trabajo. Por lo menos en lo nuestro. El mensaje de Veltroni es exacto, todo lo que dice es verdad. Nos falta ver si el sistema le dejará cambiar todo lo que hay que cambiar".
La campaña será agotadora. Veltroni recorrerá las 110 provincias italianas, lleva una quincena y le faltan 85. Cada día visita, de media, cuatro localidades. Viaja en un autobús verde, italiano y ecológico. Y apenas pasa por su despacho romano del PD, el llamado Loft de Piazza Santa Anastasia. La jornada tipo, similar a la de ayer, es un tour de force, con elementos estadounidenses: un mitin en un cine, otro al aire libre, visitas a fábricas, escuelas, hospitales, y por la noche cena con empresarios y profesionales locales, que aportan fondos a la campaña.
"Hacen falta 30 años para cambiar este país, esto está destruido", afirma Giovanni Bianchi, de 54 años. "Yo era jefe de oficina en una compañía de seguros, pero la empresa fue vendida a un grupo francoholandés y me tuve que marchar. Ahora trabajo el doble y gano la mitad. Y nadie hace nada por nosotros. Si Veltroni gana y luego nos traiciona, ya no votaré más".
Él se comunica con todos; quiere saber de primera mano qué les preocupa a sus compatriotas, qué problemas tienen. Ayer, en San Sisto, cerca de Perugia, comió en casa de una familia media italiana: los Pasqualoni. Pequeños empresarios de la piel, hacen bolsos y cinturones. Los padres y los dos hijos trabajan en la fábrica. Tienen siete empleados. Comieron tagliatelle y torta de testo, una delicia local. "La pequeña empresa es crucial para el futuro".
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 14h06
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM EL PAÍS (ESPANHA) - FINAL
ENTREVISTA: Campaña electoral en Italia WALTER VELTRONI Candidato del Partido Democrático italiano
"Somos reformistas, no de izquierdas"
Walter Veltroni (Roma, 1955) es la gran esperanza del centroizquierda italiano para disputarle a Silvio Berlusconi la victoria en las elecciones del 13 y 14 de abril. Optimista absoluto, en esta entrevista concedida anoche a bordo del autobús de campaña, el candidato afirma que "los italianos están hartos del pasado".
Pregunta. ¿Cansado?
Respuesta. No.
P. Entonces, ¿si puè fare?
R. Yes, we can [sí, podemos]. ¿Saben que el eslogan nació por casualidad? En una rueda de prensa, me preguntó una periodista, ¿yes, we can?, dije yes, we can, y de ahí partió todo.
P. Demasiado sajón para algunos.
R. Cuando el viento cambia en EE UU, cambia en todas partes. La victoria de Clinton en 1992 trajo a Europa una ola de triunfos de la izquierda y el centro izquierda.
P. Pero Berlusconi sigue siendo favorito.
R. Me impresión es que un partido que hoy mantenga una línea poco atenta a las cuestiones sociales y medioambientales tiene poco que decir en unas elecciones modernas. La teoría de los ciclos solidaridad / individualismo de Schlesinger suele cumplirse; y en este momento creo que estamos en una fase de crisis, inseguridad y globalización que hace que la gente quiera reforzar el tejido solidario. Nuestro adversario [siempre evita citar a Berlusconi] ha gobernado siete años y ni ha modernizado ni ha transformado el país. Los italianos lo saben. Todo lo que dice lo hemos oído ya.
P. ¿Si empata o gana por poco, pactaría con Berlusconi?
R. No. Reformas institucionales, sí; acuerdos de gobierno, no. La mayoría en la Cámara será siempre amplia, porque la ley concede el 55% a la fuerza más votada, pero puede que en el Senado sea más ajustada. Nuestra propuesta es un sistema de doble turno. Queremos dar más poder al primer ministro para que actúe más deprisa. Necesitamos velocidad. Hemos estado parados demasiado tiempo, sometidos al poder inmenso de partidos que tenían el 0,6% y decidían como si tuvieran el 40%.
P. La izquierda radical se siente abandonada por su decisión de presentarse solo. Y usted evita pronunciar la palabra izquierda...
R. Es que somos reformistas, no de izquierdas. Los ciudadanos son ciudadanos antes que nada. No se levantan diciendo soy de centroderecha. Hemos cerrado la alianza con ellos porque las diferencias eran abismales en muchos campos. Hemos tenido el valor de decirlo, y ahora la cosa está cada vez más clara.
P. ¿Cree que una victoria de José Luis Rodríguez Zapatero el 9 de marzo le ayudará a ganar?
R. . Seguro. He hablado con José Luis, somos viejos amigos, estuve con él en la Moncloa hace un par de meses, y le encontré confiado y determinado. Lo ha hecho muy bien. Lo he dicho en toda Italia. Su actuación en la Cumbre Iberoamericana defendiendo a Aznar ante Chávez fue estupenda. Ese sentido de la identidad nacional y democrática es difícil verlo en Italia.
P. ¿Los homosexuales italianos tendrán una ley que tutele sus derechos?
R. Hemos propuesto una ley que tutele sus garantías y derechos. En Italia, por ejemplo, dos personas que viven juntas no pueden entrar juntas al hospital. Tenemos que encontrar un punto de síntesis, igual que hicimos con la ley del aborto, que es buena para todos. Pero no quiero introducir en la campaña temas que fracturen a los italianos. Haremos una cosa con más sfumature, con matices, para incluir diferentes sensibilidades.
P. ¿Si gana se hará por fin la ley de incompatibilidad?
R. Haremos una normativa, pero no será una ley antinadie. Querría hacerla con consenso, como hacen los liberales las reglas del juego de la democracia, no contra éste o aquél. He desmontado unilateralmente la demonización y eso les ha obligado a reubicarse a ellos también. No quiero alimentar ese juego.
P. ¿Siente que ha vencido el efecto de la caída del Gobierno Prodi?
R. Sí, eso dicen los datos. Y sobre todo la gente: gente de todas las ideologías dice que nos va a votar. Recortamos mucho y queda mes y medio. Si nos hubiéramos presentado con la misma fórmula de hace dos años hubiera sido un desastre.
P. ¿Cuál será la primera medida de su gobierno?
R. Me gustaría desmontar esa burocracia salvaje que parece hecha aposta para deprimir a los emprendedores. Renovar la justicia y el sistema fiscal, modificar la visión económica. Ya no tenemos coches como el los setenta, ni telecomunicaciones como en los noventa. Ahora debemos hacer la reconversión ecológica.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 14h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO
ALTERNATIVA POLÍTICA GANHA FORÇA
Morte de Reyes, considerado militarista, pode facilitar negociação
Do El País
BOGOTÁ. A morte de Raúl Reyes, visto como membro da ala militarista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), poderia abrir caminho para que a corrente política, representada, entre outros, por Iván Márquez e Alfonso Cano, assuma o controle da organização. Especialistas sobre as Farc acreditam que, a partir de agora, haverá um intenso debate interno entre as duas tendências, o que poderia debilitar ainda mais os líderes centrais do grupo.
O ex-presidente colombiano Andrés Pastrana afirmou recentemente que esta luta é intensa nesses momentos e que se a facção política vencer, poderia deixar as Farc mais predispostas ao diálogo. Pastrana previu que haveria quase uma revanche do setor político de Márquez e Cano, demonstrando ao segmento militarista, de Reyes e Jota Jota, que é hora de dialogar. Reyes era visto por alguns especialistas como um dos homens que mais obstruíram o processo de negociação tentado pelo governo Pastrana.
Farc: acordo humanitário não deverá ser afetado
Outro temor é que a morte de Reyes afete a busca de um acordo humanitário. Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela imprensa colombiana, ele era o único contato dos três países amigos (França, Espanha e Suíça) para tentar essa alternativa. Ontem, no entanto, as Farc anunciaram, na primeira declaração do grupo após a morte dos 17 guerrilheiros, que a ação militar contra o grupo guerrilheiro no Equador não deve afetar a busca de um acordo humanitário sobre os reféns da guerrilha, entre eles a ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt. Em mensagem divulgada por internet, o grupo disse "que não vai hesitar no esforço em favor de uma troca humanitária".
A morte de Raúl Reyes é o mais duro golpe político, militar e moral contra as Farc até agora. Não apenas porque ele era um dos homens históricos da organização, mas também porque era o "coração" desse grupo guerrilheiro nas decisões do dia-a-dia.
O ex-presidente Ernesto Samper, que tentou um modelo de diálogo sob fogo com as Farc, disse que o ataque foi um "golpe no coração" da organização e que Uribe deveria "acelerar a busca de um acordo humanitário", sem reduzir a ação militar.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h54
[]
[envie esta mensagem]
[link]
'É O COMEÇO DO FIM DAS FARC'
Renata Miranda
Para analistas, guerrilha pode não se recuperar de golpe
A morte de Raúl Reyes, porta-voz e número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), é um golpe do qual a guerrilha pode não conseguir se recuperar. “Esse é o começo do fim”, afirmou ao Estado, por telefone, Alfredo Rangel, diretor da Fundação Segurança e Democracia, em Bogotá. “A partir de agora, as Farc serão desmoralizadas e terão sua capacidade de combate desestruturada”, disse. “O número de deserções deve aumentar e as Farc terão dificuldade para recrutar guerrilheiros.”
O analista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia, disse que o ataque que resultou na morte de Reyes tem um grande impacto moral dentro da guerrilha. “O ataque mostrou que ninguém está seguro, nem mesmo a cúpula das Farc”, afirmou. Vargas explicou que a ação do Exército colombiano mostra que a estratégia adotada pelo governo do presidente Álvaro Uribe, de combinar o serviço de inteligência com o combate em terra, está funcionando. “A vantagem no conflito está agora do lado das Forças Armadas, que dominam uma tecnologia que a guerrilha não tem.” No entanto, o analista alerta que é errado pensar que essa vantagem dá ao Exército a possibilidade de derrotar as Farc militarmente.
Os dois analistas acreditam que a guerrilha não deve fazer retaliações contra o grupo de 40 reféns políticos em seu poder. “O que é esperado são retaliações contra o Estado colombiano, e não contra os seqüestrados, pois algo do tipo poderia deteriorar ainda mais a imagem das Farc fora do país”, afirmou Rangel. “Antes de escolher o sucessor de Reyes, a guerrilha não terá capacidade para confrontações contra o Exército, mas não podemos descartar a possibilidade de atos terroristas”, disse Vargas.
Tanto Rangel quanto Vargas afirmam que o provável sucessor de Reyes será Iván Márquez, membro do secretariado das Farc, por suas relações próximas com a Venezuela e França. Márquez encontrou-se em novembro com o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Na ocasião, os dois discutiram um possível encontro com o líder máximo da guerrilha, Pedro Antonio Marín - conhecido como Manuel Marulanda.
BASES NAS FRONTEIRAS
A morte de Raúl Reyes no Equador confirma a especulação de que as Farc têm bases fora da Colômbia. “É bem provável que existam acampamentos das Farc em todos os países com os quais a Colômbia faz fronteira”, disse Vargas.
“Não podemos descartar a possibilidade da presença das Farc na fronteira brasileira, pois o local, com selva intensa e pouco povoado, torna-se apropriado para os guerrilheiros.”
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO (ONTEM)
NADA É DEFINITIVO
Rubens Ricupero
A ESPANHA do último quarto de século tem sido a grande esperança dos latino-americanos desanimados com seu persistente fracasso institucional desde a independência. Durante muito tempo, atribuía-se ao fatalismo do modelo herdado de espanhóis (e lusos) a incapacidade de construir instituições capazes de garantir estabilidade política com progresso econômico e igualitarismo social nos países ibéricos.
Muitos dos pensadores e políticos latino-americanos iam buscar no patrimonialismo, na falta de liberdades locais e tradição democrática da península a raiz dos nossos próprios vícios. Esses adquiriam, assim, o caráter de doença hereditária e incurável, como quase todas as deformações carregadas pelo DNA.
A prolongada decadência em que mergulharam as ex-metrópoles era a confirmação viva de que uma espécie de enfermidade degenerativa acometia os dois únicos países da Europa ocidental que haviam "derrotado" a Reforma religiosa e a Revolução Francesa, aferrando-se à Inquisição até bem entrado o século 19. As ditaduras de Salazar e Franco, a sanguinária Guerra Civil Espanhola, o espírito retrógrado perceptível na atmosfera de Lisboa e Madri até o início dos anos 1960 só reforçavam a impressão de irremediável declínio.
O êxito da transição democrática e européia de Portugal e Espanha, sobretudo dessa última, e a sabedoria do compromisso histórico que permitiu o Pacto de Moncloa no plano político e o milagre econômico espanhol vieram demonstrar que, até no berço da hispanidade, era possível romper a seqüência de catástrofes institucionais e edificar democracia moderna e dinâmica.
O progresso foi realmente tão rápido que, após dez anos de crescimento a 3,7% anuais, a Espanha ultrapassou a Itália em riqueza per capita, ocupando o sexto lugar da União Européia. Um dos "slogans" eleitorais do primeiro-ministro Zapatero era a promessa de arrebatar da França a quinta posição. De repente, contudo, a situação começa a dar sinais de esgotamento. Como nos Estados Unidos, confiou-se demais na bolha imobiliária, que vinha sustentando a expansão, graças à melhoria do nível de vida e aos imigrantes (700 mil por ano, desde 2000). O estouro da bolha passou a frear o crescimento e o consumo, apesar de inflação que se mantém em nível superior ao do resto da Europa.
O velho fantasma do confronto entre direita e esquerda volta a reaparecer, do mesmo modo que as divisões com a Igreja em matéria de moral e família. O país tem dificuldade em lidar com o passado e a Guerra Civil, com a anistia e as vítimas. Não conseguiu aprovar nem uma letra inócua para o Hino Nacional, que continua mudo. O fiasco das negociações com o terrorismo basco deixou o governo em posição de fraqueza diante de uma direita truculenta.
Na hora do triunfalismo, esquecia-se que, nos anos 1990, a ajuda européia chegou a representar 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto) da Espanha, o que, além das instituições, ajuda a explicar o milagre. Até 2013, ela terá ainda a receber 31 bilhões, mas isso agora é apenas 0,4% da economia. Na véspera da eleição do dia 9, cresce a sensação de que a nova Espanha deverá provar no teste da adversidade que suas instituições possuem, de fato, solidez para resistir aos ventos contrários.
RUBENS RICUPERO , 70, diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo, foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda (governo Itamar Franco). Escreve quinzenalmente, aos domingos, nesta coluna.
Categoria: ARTIGOS
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h40
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O ESTADO DE S. PAULO (ONTEM)
VIGIAR SEM PUNIR
Fernando Henrique Cardoso
Tomo emprestado, modificando-o, o título de Michel Foucault, assim como poderia ter intitulado este comentário Crime sem castigo, parodiando Dostoievski. Não que eu tenha a pretensão de analisar os fatos com a argúcia filosófica de um ou a dramaticidade estilística do outro. Quero apenas reiterar o óbvio: quanto mais apregoamos a vigência de leis, regras e sanções, na prática, mais as desmoralizamos.
Nesta semana os jornais noticiaram um episódio pouco comum: governo cede e oposição ganha a presidência da mais nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a dos cartões corporativos. Suspeita-se que houve acordo espúrio. Tudo isso com o pretexto de “preservar” os presidentes Lula e FHC. Eu não tenho a mínima idéia sobre acordo algum. O estranho é que nunca se viu governo patrocinar esse tipo de CPI, até porque todos os documentos pertinentes, deste e dos governos anteriores, estão nas mãos do próprio governo. Bastaria investigar, denunciar, punir e pronto. Além do mais, a instalação de qualquer CPI deve versar, como manda a Constituição, sobre “fato determinado”. Por que essa restrição constitucional? Para evitar justamente a “devassa”, ou seja, a possibilidade de manobra política que tenha como objetivo desmoralizar e não apurar. Ora, no caso em pauta se partiu do abuso no uso dos cartões corporativos no atual governo e da suspeita de mau uso de excessiva soma de dinheiro retirada pelos portadores desses cartões sem nenhum comprovante de despesas. Esses são os fatos concretos, “determinados”, que dão margem à abertura de uma CPI.
Por que, então, ampliar a investigação para alcançar o governo anterior? Haveria, ou há, uma hipótese: se no curso das investigações se viesse a esbarrar com algo errado ocorrido no passado. Não foi o caso, pelo menos até agora. Então por quê? Para politizar as investigações e usar duas táticas: dizer, ameaçadoramente, “olha que eu investigo você também” ou insinuar que os dois governos são “farinha do mesmo saco”. A tática de igualar tudo desmoraliza a política e impede que o eleitor faça uma escolha fundamentada: sendo todos iguais, dá no mesmo votar em qualquer um.
Este o maior risco desta CPI, ou seja, o de jogar todo mundo na vala comum e desmoralizar ainda mais a política, não o risco do cambalacho entre governo e oposição. Até porque o estrelismo parlamentar, os interesses do governo, a competição entre os veículos da mídia tornariam letra morta qualquer acordo uma vez iniciados os trabalhos. Fosse só essa a conseqüência dessa CPI, nos termos em que ela foi proposta, já seria ruim, mas haveria a justificá-la a luta pela maior transparência no uso do dinheiro público. Mesmo que o governo anterior sofresse um arranhão estaríamos revigorando a democracia e a decência. Mas, infelizmente, não é assim. Dificilmente ocorrerão punições, uma vez que nos casos do passado os eventuais delitos estarão prescritos. E, no caso atual, o governo se tem mostrado renitente em aceitar denúncias contra seus membros e retificar condutas, salvo quando obrigado por decisão judicial, geralmente morosa. A CPI poderá resultar em crime sem castigo, se houver comprovação de abusos sem correção ou em castigo sem crime, se nada for apurado e denúncias sem fundamento levarem o povo a pensar que “sempre foi assim”.
Sou pessimista quanto aos efeitos que mais essa onda de escândalos terá para melhorar o desempenho do governo. Ele já usou demais o cachimbo. Mesmo assim, prefiro que a revelação dos fatos prossiga, confiando na máxima “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” e esperançoso em ver a Justiça decidir com maior presteza e empenho. Meu desencanto decorre de episódios conhecidos. A ministra que usou dinheiro público em um free shop, por exemplo, apenas se equivocou, é “boa companheira”, dizem os governantes. Pode até ser, mas nada justifica que se passe a mão em sua cabeça. Nem em preservar o sigilo de gastos em nome da segurança do Estado. Há gastos sigilosos legítimos a serem preservados da luz pública imediata, embora devam ser justificados na instância apropriada. O mau uso de gastos com a segurança, se houver, constitui delito, como qualquer outro abuso do dinheiro público. Seria simplesmente pueril alegar sigilo para proteger gastos realizados, digamos, há mais de 12 meses. Sua publicidade não pode pôr em risco a segurança das pessoas.
Não me surpreendo mais com cinismo algum. Depois que o próprio presidente, assessorado por algum advogado de porta de cadeia, categorizou como “mero” crime eleitoral toda a lambança do mensalão, quem há de? O que me revolta é o clima de que “todos são iguais”. Tal generalização não pode ser aceita passivamente, sob pena de ficarmos sempre a esperar um salvador da pátria, puro e incorruptível (que geralmente se corrompe no poder), pois “os que estão aí” são todos iguais. Na política não há anjos ou demônios, mas há homens públicos de diferentes qualidades morais e estas contam. Podem não contar eleitoralmente, mas contam para a construção de um país mais decente. Somos falíveis, naturalmente, podemos errar. Mas acobertar o que é crime, chamando-o de engano, é incentivá-lo. Desrespeitar a Comissão de Ética do próprio governo chamando suas advertências de “bobagem” é nivelar por baixo, confundindo o justo com o delituoso.
Isso tudo leva à descrença na democracia. Vivemos um paradoxo: o de uma sociedade cada vez mais vigiada (pelos órgãos do Estado, pela mídia, pela internet, etc.) e cada vez menos capaz de distinguir condutas e de punir crimes. Pior, o de uma sociedade cada vez mais indiferente à transgressão, como conseqüência da impunidade. A anomia chegou a tal ponto que denúncias em tribunais estrangeiros sobre propinas dadas a personalidades da administração não provocam sequer a reação retórica do acusado, que nem se dá ao trabalho de dizer: vou processar o caluniador. Enquanto isso o presidente da República, permanentemente no palanque, se dá ao desplante de distorcer e enganar o povo, menosprezando tudo o que foi feito por seus antecessores, apresentando-se como o único político que “ajudou os pobres”, gabando-se da inauguração da casa cujos alicerces e paredes se construíram com sua oposição constante. Cinismo igual a República nunca viu.
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
Categoria: ARTIGOS
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h32
[]
[envie esta mensagem]
[link]
COMENTÁRIO
FARC
Graziela Melo
FARC... o que é isso??? (Ferozes, Assassinos, Rancorosos e Cafajeste...) É isso? Só pode ser! Um grupo organizado, armado, que seqüestra pessoas, separa maridos e mulheres entre si e de seus filhos, desagregando famílias, torturando, matando, ignorando totalmente o sentimento afetivo que une os seres humanos uns aos outros, e, qualquer outro tipo de sentimento que não seja o ódio!!!
Saber que existem na A.Latina, governos que apóiam tal grupo, francamente, dá medo. A reação do presidente da Venezuela, o famigerado H. Chaves e o do Equador, põe a América Latina em clima de suspense. Principalmente em se sabendo a quantidade de armas, navios de guerra e aparatos afins recentemente adquiridos pelo venezuelano.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h26
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO (ONTEM)
O DONO DO PEDAÇO
Ferreira Gullar
SE HÁ UM cara que me faz resmungar é o Lula. Veja bem, não acho que ele esteja se saindo mal como presidente, já que, além de sua inegável sagacidade, ele dá sorte como poucos, e isso é também uma qualidade. Embora não seja propriamente supersticioso, acho que há pessoas que dão sorte, enquanto outras dão azar. Por exemplo, Schumacher sempre dava sorte nas corridas, ao contrário do nosso simpático Barrichello, que quase nunca conta com ela. Claro que, além dela, o cara tem que ter outras qualidades, mas se o carro quebra pouco antes da linha de chegada...
Já o carro do Lula não quebra e, quando parece que vai parar, vem outro carro, bate-lhe na traseira e o motor pega de novo. Ou eu estou fantasiando? Não é verdade que a economia mundial vinha mal até 2002 e, ao começar 2003, logo após Lula tomar posse, iniciou-se um ciclo de crescimento que dura até hoje? E agora, quando parecia que a escassez de chuva ia provocar um apagão energético igual ao que desgastara o governo de FHC, ela se intensificou e encheu os reservatórios. O apagão já era. Melhor assim.
Como já disse, não sou supersticioso, embora a repetição de certos fatos às vezes me leve a crer que existe um espírito mau querendo me sacanear. Por exemplo, não há uma tarde de sábado ou domingo que não seja infernizada pelo disparo do alarme de algum carro em frente à minha janela. É azar? É acaso? Não sei.
Conheço um cara que diz que quem briga com ele se dá mal.
- Como assim?
- Explicar, não sei, mas todo cara que encrenca comigo morre. Não sou eu quem acaba com ele. Morre por conta própria. Na empresa em que eu trabalhava, tinha um diretor que não largava do meu pé, até que me demitiram. Pior para ele, morreu naquele desastre da Gol. E semana passada, outro desafeto meu foi parar no São João Batista, vítima de um enfarte fulminante. Por isso te aconselho, não briga comigo.
- E eu sou maluco?
Desse cara, não se pode dizer que dá sorte e, sim, que dá azar... para os outros. Lula também, ainda que seu santo forte não mande os inimigos para o cemitério; manda os amigos para a geladeira, se por alguma razão ameacem comprometê-lo. Foi o que ocorreu com a ex-ministra Matilde Ribeiro, que usou mal os cartões corporativos. Ao dar posse a seu substituto, cobriu-a de elogios para não perder o apoio da militância negra e acusou a imprensa de triturá-la. A culpa foi da imprensa, não dele.
O respeito à ética e ao bem público importa menos que seu interesse político. Entre o PDT de Lupi e o Conselho de Ética, fica com Lupi, fazendo-se de mudo, ele que fala pelos cotovelos. Lula, às vezes, me lembra o rei Ubu, de Jarry, e, às vezes, o Macunaíma, de Mário de Andrade, que nasceu na Amazônia, mas poderia ter nascido em Pernambuco.
E é por essas e outras que resmungo. E não é para resmungar? Se de um lado demite a ministra, porque ela pisou nos cartões, não aceita de jeito nenhum que se investiguem os gastos feitos, com o uso desses mesmos cartões, no âmbito da Presidência da República. E, com a mesma ligeireza com que defende a ex-ministra, alega que a revelação das despesas presidenciais pode levar a um atentado terrorista, igual ao de Timor Leste. Alguém ouviu falar que haja, no Brasil, grupos terroristas dispostos a assassinar Lula?
Até onde se sabe, se algum partido brasileiro esteve envolvido com guerrilha terrorista, foi o PT de Lula, com as Farc. Não obstante, não hesitou em lançar mão de argumento tão descabido para impedir que se quebre o sigilo dos gastos presidenciais. Por quê? Ninguém está pedindo que se revelem os esquemas de segurança que protegem o presidente e sua família, mas que se examinem as despesas correntes, que têm crescido a cada ano.
Dono do pedaço, sente-se num à vontade sem limites. Mal tínhamos nos refeito de suas referências ao terrorismo e já ele declarava seu integral apoio à tentativa da Igreja Universal do Reino de Deus contra jornais e jornalistas. Já são 63 ações judiciais simultâneas, impetradas por membros da Iurd, em diferentes cidades e Estados para inviabilizar a defesa dos acusados e sob a alegação de que as informações divulgadas os sujeitam a agressões e discriminações. As informações são de que a Iurd possui 40 estações de rádio, 23 emissoras de televisão e mais 19 empresas, registradas em nome de integrantes seus, o que ela não desmente. E não causa surpresa que não o faça. Surpresa causaria o presidente da República tomar o partido de quem pretende calar a imprensa. Mas também não causa.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h17
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
LÍDER, WAGNER MONTES DESISTE DE CONCORRER A ELEIÇÃO NO RIO
RAPHAEL GOMIDE
Da sucursal do Rio
Um dos líderes das pesquisas pré-eleitorais para a Prefeitura do Rio de Janeiro, o deputado estadual e apresentador de TV Wagner Montes (PDT) desistiu de concorrer ao cargo.
Ele abdicou no sábado, depois de três debates internos do partido. Alegou que sua principal plataforma política é a segurança e pouco poderia fazer como prefeito -seu objetivo é o governo do Estado. Também afirmou que está no melhor momento da carreira na TV e não quer prejudicá-la nem se afastar da família mais uma vez para fazer campanha.
Wagner Montes nega que tenha pesado na decisão o fato de ser concorrente direto do senador Marcelo Crivella (PRB), senador e integrante da Igreja Universal do Reino de Deus, cujos líderes são donos da TV Record, onde o apresentador estrela o "Balanço Geral".
"Não existe nenhuma pressão, nunca houve, nem implícita nem explícita [da Universal, da Record ou de Crivella]. Crivella nunca me procurou e, desde a primeira pesquisa, não tive encontro nem papo telefônico com ele. Meu contrato na TV vai até 31 de dezembro de 2010", disse Wagner Montes.
Crivella e Denise Frossard (PPS) estavam tecnicamente empatados com ele em primeiro lugar nas últimas pesquisas.
"Sempre disse que não era candidato, inclusive para a Folha. Posso fazer mais na TV por segurança do que na prefeitura. Se concorresse, teria de ficar quatro meses afastado do programa. Não serei vice do Crivella nem sairei do PDT", disse.
A Record acaba de repaginar o cenário do programa, que disputa a liderança com a Globo entre as 12h30 e as 14h.
O PDT, que pretende ter candidato próprio no Rio, deve escolher o também deputado estadual Paulo Ramos, em convenção no próximo domingo. O partido não descarta composição entre PV, PPS, PSB e PC do B. A Folha revelou ontem que o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) pode ser o nome de consenso de parte do grupo (PV, PPS e PSDB).
"Queremos unir forças políticas", afirmou Ramos.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 13h03
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
LULA "ESTARRECE" AO FALAR DE IMPROVISO, DIZ PRESIDENTE DO TSE |
|
|
EDUARDO SCOLESE da Folha de S.Paulo, em Brasília
Após a troca de farpas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, Marco Aurélio Mello, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), disse ontem que o petista "estarrece" ao falar de improviso e sugeriu que o novo programa social do governo, o Territórios da Cidadania, fere a lei eleitoral.
"Sou uma pessoa que preconiza a liberdade de expressão e homenageia a espontaneidade. Só que a espontaneidade deve se fazer em um ambiente sadio, em um ambiente de equilíbrio, em alto nível, sem agressões e menos agressões pessoais", disse, acrescentando em seguida: "Conhecemos o estilo do presidente. Às vezes, quando deixa o script e parte para o improviso, ele não nos surpreende, ele nos estarrece, como nos estarreceu agora por último".
Em mais uma resposta a Lula, que recomendou a Marco Aurélio que renunciasse ao cargo de ministro do Supremo e se candidatasse a um cargo público caso quisesse "falar bobagens", o presidente do TSE afirmou que "as bobagens não são uma primazia dos políticos".
Na última quinta-feira, em fala de improviso em Aracaju (SE), Lula afirmou que "seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles". No dia seguinte, disse que "não existe crise de Poderes no país" e que tem o direito "de dar palpites e julgar os palpites dos outros".
A declaração de Lula sobre o Judiciário foi uma resposta ao presidente do TSE, que, dias antes, havia dito que o novo programa de combate à pobreza rural poderia ser contestado judicialmente. Ontem, Marco Aurélio disse que o episódio está superado. "Creio que os fatos ficaram esclarecidos e houve uma exacerbação, essa exacerbação foi escancarada e se buscou uma correção de rumos."
Programa social
Centro da polêmica e lançado por Lula na semana passada, o Territórios da Cidadania vai atender 7,8 milhões de pessoas que vivem na zona rural de 958 municípios de todos os Estados. A marca "Territórios da Cidadania" é nova e irá agrupar ações já existentes. Não há recursos novos ao programa.
Ontem, Marco Aurélio sugeriu que o programa poderá ser contestado por descumprir a Lei 9.504: "Se a lei não permite sequer o elastecimento [de programas], ela também não permite a criação, que é algo de envergadura maior, não é?"
A lei proíbe, em ano eleitoral, "a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior".
"O que se obstaculiza é o aumento desse programa e a criação de novos programas", disse. Para Marco Aurélio, "as regras do certames eleitorais" têm de ser cumpridas. "Absolutamente ninguém, num Estado democrático de direito, pode tudo, nem mesmo o presidente."
|
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 11h16
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU EM O GLOBO (ONTEM)
|
GABEIRA VEM AÍ
Merval Pereira |
|
|
|
O deputado Fernando Gabeira prepara-se para oficializar sua candidatura à Prefeitura do Rio, apoiado pela Frente Rio formada por PSDB, PPS e PV. "As circunstâncias estão me levando a isso", comenta ele, que tinha a idéia de apenas participar de uma frente política que pudesse influenciar a sociedade para que houvesse uma mudança também no comportamento. "Algo parecido com o que aconteceu em Bogotá, um processo de recuperação do perfil da cidade, mas reconhecendo que o prefeito não resolve tudo sozinho, que é preciso uma mudança na maneira como se vive na cidade". Gabeira, um político "verde", tem o lixo urbano como referencial dessa maneira de conviver com a cidade.
Ele lembra o recente colapso da cidade de Nápoles, na Itália, e o trabalho do Exército brasileiro no Haiti, onde uma das primeiras decisões para libertar a Cité Soleil, uma das maiores favelas do país, dominada por gangues armadas, foi participar da retirada do lixo que se acumulava nas ruas e era usado até mesmo como barricadas: "A Comlurb varre a Avenida Rio Branco várias vezes ao dia, às vezes até 20 vezes".
A decisão de Gabeira foi sendo amadurecida aos poucos, com muitas reuniões com os diversos grupos envolvidos na Frente Rio. Ontem houve uma reunião com intelectuais na casa da vereadora Andréa Gouveia Vieira, uma das pré-candidatas à Prefeitura pelo PSDB, e amanhã haverá uma terceira reunião da Frente Rio na sede dos tucanos, quando pode ser formalizada a candidatura.
Fernando Gabeira, que recebeu cerca de 300 mil votos para deputado federal na última eleição, já teve reuniões com o ex-governador Marcelo Alencar, que preside o PSDB no Rio.
Quem inventou a candidatura de Gabeira foi um grupo de intelectuais da esquerda do PSDB, enquanto os três pré-candidatos tucanos - o deputado federal Otávio Leite, o deputado estadual Luiz Paulo e a vereadora André Gouveia Vieira - participavam de debates internos para a definição do nome que concorreria pelo partido.
O PPS também buscava uma saída para essas eleições, pois o nome natural, Denise Frossard, não se mostrava disposta a se candidatar à Prefeitura, e nem galvanizava o partido e seus possíveis aliados. O surgimento do nome de Gabeira deu a Marcelo Alencar uma saída política honrosa, pois, além de não ter que se decidir entre dois aliados, os deputados Otavio Leite e Luiz Paulo, se reencontrou com seu passado de advogado de presos políticos e com a esquerda do partido.
Como ele mesmo ressaltou em uma das reuniões com a presença de Gabeira, "é nossa história passada de lutas que se reencontra nesse momento". O PSDB deverá dar o vice, mas ainda há resistência dentro do partido, liderada por Otávio Leite. Os outros dois pré-candidatos já abriram mão das candidaturas a favor de Gabeira, e disputam agora a indicação na chapa.
A tendência de Marcelo Alencar é indicar Luiz Paulo, mas a vereadora Andréa Gouveia Vieira tem o apoio dessa esquerda do PSDB e do PPS, e está buscando apoios na direção nacional do partido.
Já conversou com o presidente, senador Sérgio Guerra, e mantém reuniões com os governadores de São Paulo, José Serra, e Aécio Neves, de Minas. Essa Frente Rio seria também um embrião para a coligação que apoiaria a candidatura tucana em 2010 à sucessão de Lula, com a adesão dos Democratas e de parte do PMDB que eventualmente não consiga espaço em uma frente da base aliada, ou não concorde com uma candidatura única do PMDB.
O deputado Fernando Gabeira foi levado a aceitar a candidatura por que não havia nenhum outro nome que conseguisse unificar essa frente, e também o convenceram de que seria difícil para ele comandar um processo de mudança na sociedade se não fosse o candidato.
Ele apenas ainda não formalizou a aceitação, que já indicou informalmente a seus companheiros de PV como Alfredo Sirkis, porque quer negociar com os partidos da Frente um comportamento político diferenciado.
"Você não pode levar a sociedade a uma mudança de comportamento se você não tiver um comportamento novo no processo político em que você está". Está negociando, por exemplo, a necessidade de formar um governo "de competência", independente de filiação partidária.
Gabeira não se nega a negociar acordos políticos com a Frente, desde que os critérios de mérito estejam acima dos interesses partidários. Os componentes da Frente têm a exata noção de que Gabeira terá dificuldades de entrar no eleitorado da Zona Oeste e nas comunidades mais carentes, que são também mais conservadoras, onde suas posições a favor da descriminalização das drogas, do aborto, da legalização da prostituição serão exploradas contra ele.
Mas a idéia é fazer uma campanha diferente, bonita, e também marcando um compromisso com a cidade, já que como deputado federal Gabeira tem se dedicado muito a temas nacionais e internacionais. "Estou vendo um processo de degradação muito grande, e sinto que tenho responsabilidade como político com a minha cidade", diz Gabeira.
Ele quer negociar também "uma campanha limpa", no sentido amplo, especialmente no de não sujar a cidade, e os políticos tradicionais vão ter que aceitar. Gabeira diz que aceita a candidatura desde que seja possível realizar duas possibilidades bem claras: vencer, ou perder vencendo, quer dizer, criando na sociedade uma base para que ela possa fiscalizar e influenciar o vencedor.
|
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h57
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO VALOR ECONÔMICO
WAGNER MONTES DESISTE NO RIO E GABEIRA SE LANÇA CANDIDATO |
|
|
|
Chico Santos, do Rio
Um dos mais indefinidos do País, o quadro eleitoral no Rio de Janeiro para este ano começa a diminuir a sua pulverização. Um dos líderes nas pesquisas de opinião, o deputado estadual Wagner Montes (PDT), anunciou a sua desistência em concorrer e o PSDB deve oficializar hoje a sua desistência de ter candidatura própria, para apoiar o deputado federal Fernando Gabeira (PV).
Na reunião marcada para as 10horas de hoje, na sede regional do PSDB do Rio, Gabeira vai apresentar para as lideranças do PSDB, do PPS e do seu próprio partido as suas condições para encabeçar uma chapa de aliança para disputar o cargo .O parlamentar já definiu o seu discurso: ao invés de concentrar-se em bandeiras polêmicas, como a defesa do direito de minorias e a legalização da prostituição, do aborto e de drogas, apostará na bandeira ética e fala em uma "frente de salvação da cidade".
"Vou colocar minhas condições para a frente, com uma proposta de mudança na condução da política e do governo ", disse Gabeira . O deputado não explicitou quais serão as condições que irá apresentar, mas uma delas é justamente a de que os partidos aceitem essa "mudança de paradigma no modo tradicional de fazer política", visto como desgastado e incapaz de empolgar o eleitor carioca. Gabeira optou pelo discurso voltado para a ética como forma de fazer com que seus adversários não se concentrem agressivamente em atacar suas idéias mais conhecidas.
O parlamentar entra na disputa no momento em que o senador Marcello Crivella (PRB), uma antítese de Gabeira nas questões sociais que envolvem comportamento, se fortalece com a retirada da candidatura de Wagner Montes. O deputado estadual desistiu da disputa depois de participar de três debates internos do partido. Alegou que seu objetivo é o governo do Estado e pretende ser mais "assimilado´´ pelo PDT -onde enfrentava resistências.
Montes apresenta o programa "Balanço Geral" na TV Record, controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus, da qual Crivella é um dos dirigentes. A emissora acaba de repaginar o cenário do programa de Wagner Montes. Seu contrato foi renovado no final do ano passado. A legislação eleitoral o obrigaria a ficar três meses sem apresentar seu programa.
O PDT, que pretende ter candidato próprio no Rio, deve escolher o também deputado estadual Paulo Ramos, em encontro no próximo domingo. O partido não descarta, no entanto, uma aliança e composição no campo do Bloco de Esquerda, que envolve ainda o PC do B e o PSB.
No quadro carioca, a única aliança que começa a ser formar é a parceria PV/tucanos. A formação da frente em torno do nome de Gabeira começou a ser articulada dentro do PSDB por nomes do partido mais conhecidos por seus trabalhos técnicos e intelectuais, como o ex-presidente do IBGE Sérgio Bessermann e o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn. A idéia, segundo o Valor apurou, ganhou o apoio de lideranças nacionais do partido, como o governador de São Paulo, José Serra, e recebeu o aval do principal cacique tucano do Rio, o ex-governador Marcello Alencar.A vereadora Andréa Gouveia Vieira, um dos nomes do partido que se lançaram pré-candidatos a prefeito, já declarou apoio a Gabeira. "Com o nome do Gabeira, é claro que eu saio. Ele é capaz de articular pessoas muito competentes que hoje preferem estar fora da política", disse.
Além de vencer as resistências de outros nomes dentro do PSDB, a candidatura Gabeira ainda enfrenta outras interrogações entre os partidos que o apoiariam. Uma delas é a posição que tomará a juíza e ex-deputada federal Denise Frossard, que disputou o governo do Estado pelo PPS em 2006, obtendo mais de 2,4 milhões de votos, e é candidata natural a disputar a prefeitura pelo partido. "Seria muito importante ela vir para o lado do Gabeira", disse a vereadora Andréa. O Valor tentou falar com a juíza, mas ela não respondeu aos recados deixados nas secretárias eletrônicas dos seus telefones.
Denise Frossard dividia a liderança nas pesquisas de intenção de voto com Crivella e Wagner Montes. Mas, assim como o senador do PRB, dependerá de coligações com outras siglas para aumentar seu tempo no horário eleitoral de rádio e TV, já que o PPS dispõe de espaço limitado.(com agência Folha)
|
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h50
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO PORTAL DO PPS
PPS DIZ QUE LULA ESTÁ NA SOLEIRA DA DEMOCRACIA |
|
|
|
O Diretório Nacional do PPS, reunido nesta sexta-feira em Brasília, aprovou nota em que “repele” as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que os poderes Judiciário e Legislativo são contra a inclusão de 24 milhões de brasileiros que estão “na soleira da porta”. Lula sugeriu que o Judiciário “metesse o nariz apenas nas coisas dele”.
O PPS acusa o presidente de estar usando retórica populista para agredir os demais poderes da República e afirma que o presidente é “inapetente para a convivência democrática”. Para o partido, o discurso de Lula, feito na noite de quinta-feira, em Aracaju, usa “surrada retórica populista para intimidar o Judiciário e o Legislativo, como é cotidianamente utilizada contra a imprensa e a oposição”.
Na avaliação do PPS, a fala de Lula é “mais apropriada a um ditador do que a um dirigente em pleno estado democrático de direito”. Leia, abaixo, a íntegra da nota:
“Lula na soleira da democracia
Persistindo na sua prática de desrespeito à verdade e à realidade do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispara contra o Legislativo e o Judiciário um discurso desrespeitoso, com a justificativa de defender a inclusão de 24 milhões de brasileiros que estão, conforme ele mesmo admite, na soleira da porta, do lado de fora do Brasil. Tudo em nome da defesa de um programa eleitoreiro que agride frontalmente a legislação em vigor.
Após cinco anos de um governo que foi eleito para realizar mudanças, ainda assistimos à exclusão de milhões de brasileiros da vida nacional, à atitude assistencialista do Estado e à irresponsabilidade de um presidente que vive a jactar-se de distribuir esmolas que lhe rendem votos, em vez de oferecer políticas públicas que dêem a esses homens e mulheres perspectivas de uma vida melhor.
A surrada retórica populista que divide o país entre povo e elite, ricos e pobres, amigos e inimigos está sendo novamente usada pelo presidente para intimidar o Judiciário e o Legislativo, como é utilizada, cotidianamente, contra a imprensa e a oposição. É inaceitável que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva tenha perdido toda e qualquer noção do papel do presidente da República e do que dele exige a nação no relacionamento com os outros poderes.
A tentativa de desmoralizar o Judiciário e o Legislativo só demonstra a inapetência do presidente Lula para a convivência democrática.
O PPS repele, com veemência, o ataque inconcebível desferido contra dois poderes independentes da República e considera tal atitude mais apropriada a um ditador do que a um dirigente em pleno estado democrático de direito. A independência e a harmonia entre os poderes são pilares da democracia. A relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário é de fundamental importância no sistema de freios e contrapesos, de fiscalização de um sobre o outro. Assim como radicaliza na defesa da democracia, o PPS não poderia se furtar a perfilar-se ao lado dos preceitos que a fazem funcionar".
Brasília, 29 de fevereiro de 2008
Roberto Freire
Presidente Nacional do PPS |
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h43
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO PORTAL DO PPS
GOVERNO LULA NÃO RESPEITA INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS, DIZ GILVAN |
|
|
|
O dirigente Gilvan Cavalcanti criticou, nesta sexta-feira, na reunião do Diretório Nacional do PPS, em Brasília, a postura do governo Lula na condução do projeto de reforma tributária enviada esta semana ao Congresso Nacional.
Para Gilvan, depois de discutir a reforma com as centrais sindicais e os empresários, Lula deveria abrir o diálogo com o Parlamento. Em vez disso, segundo ele, o presidente preferiu jogar a responsabilidade da aprovação ou não da proposta nas costas dos partidos, deputados e senadores.“A atitude do governo é um verdadeiro desrespeito as instituições democrática”, protestou o dirigente.
|
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h36
[]
[envie esta mensagem]
[link]
DEU NO JORNAL DO BRASIL
O FUTURO DA POLÍTICA - PARTE II
Marco Maciel
Senador e membro da Academia Brasileira de Letras
A reforma política que interessa ao país transcende o universo de normas jurídicas, disposições legais e atos normativos que regulam os pleitos do segundo maior colégio eleitoral do mundo ocidental. Ela deve ser bem mais abrangente. Refiro-me, em especial, às instituições políticas, ao relacionamento entre os poderes do Estado, à organização federativa e, sobretudo, às práticas que constituem a nossa cultura política - velha de quinhentos anos - desde que aqui aportaram as estruturas do poder colonial, sob o qual vivemos por mais de três desses cinco séculos.
Quando me refiro às práticas, cito como exemplo o efetivo funcionamento do Poder Legislativo, no qual, de alguns anos até esta data, o formalismo dos atos se sobrepôs à relevância dos fatos. A reunião conjunta das duas Casas do Congresso se cinge, além da aprovação anual do Orçamento Geral da União; à instalação anual das sessões legislativas; a eventuais e episódicas sessões de homenagens; e à destinada a receber o compromisso do presidente e do vice-presidente da República a cada quadriênio, por ocasião de suas respectivas posses.
Na atual Legislatura, à semelhança do que ocorreu na anterior, mais de 500 vetos encontram-se pendentes de decisão do Congresso, fato que se repete há anos, deixando o processo legislativo inconcluso, a despeito do mandamento imperativo do art. 66, parágrafo 4º: "O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar do seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta de deputados e senadores, por escrutínio secreto." Vivemos, em conseqüência, uma espécie de limbo legislativo em que há relevantes dispositivos legais que não vigoram e sua vigência está pendente de decisão conjunta das duas Casas do Congresso.
O relacionamento entre o Poder Executivo e o Legislativo é outra das questões institucionais pendentes em nossa organização institucional. Enquanto o primeiro debita ao Congresso, sistematicamente, lentidão no complexo sistema de tomadas de decisões, que implica a apreciação das leis de diferentes níveis hierárquicos, este reclama do Executivo o uso imoderado e abusivo do instituto das Medidas Provisórias, instrumento desconhecido em nossa história constitucional, até a promulgação do texto em vigor, trasladado literalmente da constituição parlamentarista da Itália de 1946. É, em última análise, um mecanismo que provoca desequilíbrio no sistema de freios e contrapesos, essencial ao princípio da divisão dos poderes, existente há mais de dois séculos e que as Emendas Constitucionais nº 8/1995 e nº 32/2002 não foram capazes de solver.
O que ocorre nas relações Executivo-Legislativo verifica-se com igual ou maior intensidade entre o Executivo e o Judiciário. Em razão da insistência do Executivo na prática de atos já decididos pacífica e tranqüilamente em seu desfavor por todas as instâncias da Justiça, tumultua-se a rotina do Supremo e dos tribunais superiores. Da mesma forma, mas em direção oposta, a sucessão de recursos judiciais, cautelares uns, protelatórios outros, que perturbam a administração, quando não a imobilizam.
Entre o Legislativo e o Judiciário, há também um contencioso de razoável dimensão. No caso da Justiça Eleitoral, por decidir ultimamente sobre matérias que são substantivamente de natureza legal, como a questão das coligações para fins eleitorais. E da parte do Judiciário, pela lentidão com que o Legislativo atua na atualização da legislação processual, cujos ônus terminam debitados aos tribunais, por falta de operosidade do Congresso em matéria de sua competência.
São questões, portanto, mal resolvidas na Constituição, em face do desmedido crescimento do poder, das estruturas do Estado e do espírito corporativo que preponderou nas constituintes que, historicamente, jamais se preocuparam em definir, preliminarmente, o que é de natureza constitucional e o que deve ser deixado à competência da legislação ordinária.
Escrito por gilvan.cavalcantidemelo às 10h23
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|