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Democracia Política e novo Reformismo


O QUE PENSA A MÍDIA
EDITORIAIS DOS PRINCIPAIS JORNAIS DO BRASIL


Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 11h05
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WILLIAM MOREIRA LIMA: SAUDADES.

Tereza Vitale & Dina Lida Kinoshita

 

“Uma coisa que me encanta no nosso PPS é o respeito que aprendemos a ter com nossos "velhinhos".Todos bravíssimos camaradas,companheiros e eternos jovens em suas leituras da conjuntura brasileira. 

 

William mesmo do alto de seus 90 anos completados recentemente ainda esteve conosco na última reunião do diretório nacional. Durante as homenagens pelos 90 anos, a DN e o PPS do Maranhão o encheu de mimos e carinhos e ele orgulhosamente falava sobre isso a todos que dele se aproximavam.

 

Muitas de nós já cruzou com ele em aeroportos de qualquer parte do Brasil indo e vindo para as reuniões. E sempre sem depender de ninguém. Figura já fragilizada pela idade, não rejeitava uma taça de vinho nem um docinho bem lambrecado de açúcar. Mas do que mais gostava mesmo era de estar junto aos companheiros pelo país afora ou no seu Maranhão querido. Não perdia nenhuma oportunidade”.

 

Tereza Vitale

 


”Pouco tive oportunidade de privar da companhia do camarada William Moreira Lima. Encontrava-o nas reuniões do DN quando trocávamos idéias e batíamos um papo e sempre queria saber como andava a esquerda no exterior.


Há um episódio, no entanto que gostaria de rememorar. No começo dos anos 90, há quase 20 anos, eu coordenava um projeto sobre a questão ambiental no Brasil, financiado pelo CNPq. Viajei por todo o território nacional e meus contatos básicos eram vinculados à academia e aos movimentos sociais.

 

Ao chegar ao Maranhão, uma das regiões mais depredadas do Brasil graças aos "grandes projetos" instalados naquele Estado pela ditadura, havia uma cooptação geral pela oligarquia sarneysista e pouca gente se dispunha a dizer qual era a real situação ambiental naquela região. O Dr. William, já com idade avançada, mobilizou-se e não mediu esforços para que eu realizasse meu trabalho.

 

Marcando entrevistas,disponibilizando carro para que pudesse me movimentar com facilidade e quase sempre me acompanhando. Foi de uma solidariedade ímpar. Não se fazem mais camaradas assim.


Há poucos anos, num Congresso do PPS realizado em São Paulo, nosso
presidente Roberto Freire, chamou alguns companheiros para serem homenageados e afirmou que estes companheiros eram os fiadores do projeto do PPS. Entre eles, estava eu, a caçula do grupo, com idade para ser filha de vários deles. Alguns destes companheiros não estão mais entre nós e isto faz aumentar a nossa responsabilidade.

 

Nesta noite em que o Dr. William nos deixou, além dos pêsames à família, amigos  companheiros quero dizer que continuarei trilhando os caminhos por eles traçados, enfrentando dificuldades de toda ordem, na construção de uma sociedade mais democrática,libertária, justa e pacífica. Espero poder honrá-los e não decepcioná-los”.


Dina Lida Kinoshita



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 11h02
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DEU EM O GLOBO

AS CONTAS DO FUTURO

Merval Pereira

Se juntarmos as declarações do influente e normalmente discreto chefe de gabinete do Palácio do Planalto, Gilberto Carvalho, em entrevista à "Veja", com as informações que pesquisas de opinião nos trouxeram nos últimos dias, temos um bom quadro para fazer prospecções sobre o futuro político. Como revela Carvalho, o presidente Lula sabe que 90% de sua popularidade estão ligadas à melhora da economia, e apenas 10% ao seu propalado carisma. Tanto que, na crise política de 2005 desencadeada pelo mensalão, o que abalava o presidente era saber que a situação econômica não estava melhorando: a inflação de 5,69%, embora em queda, continuava alta, e o PIB crescera apenas 2,3% naquele ano, ficando à frente apenas do Haiti na região.

Quando, naquele momento delicado, se analisava a hipótese de que o presidente Lula não concorresse à reeleição, os petistas menos realistas que o rei acusavam a "mídia golpista" de trabalhar contra o governo. Gilberto Carvalho revela na entrevista que a hipótese foi longamente cogitada pela cúpula do governo, que considerava inclusive que o impeachment de Lula poderia acontecer. Os então ministros Antonio Palocci e Márcio Thomaz Bastos chegaram certa noite a sugerir ao presidente Lula que fizesse um acordo com a oposição: em troca de poder cumprir todo o seu mandato, abrirá mão da reeleição.

Esse desfecho só não se deu porque, de um lado, Lula em nenhum momento perdeu o controle da situação, segundo o relato de Gilberto Carvalho - embora na ocasião houvesse informações de que o presidente tinha fases de bastante depressão -, mas também porque a oposição temeu uma reação dos chamados "movimentos sociais". Difundiu-se a imagem, feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que havia o perigo de se criar um "Getulio vivo" com a deposição de Lula, e seria melhor deixá-lo "sangrando" até o fim do governo.

Não se sabe se a avaliação de que a deposição de Lula provocaria uma revolta popular estava correta, mas, pelo relato de Gilberto Carvalho, essa hipótese não era levada muito a sério pela cúpula do governo. Por outro lado, sabe-se que Lula, em vez de "sangrar em praça pública", recuperou o fôlego, a inflação caiu bastante, para 3,14% em 2006, e a economia melhorou um pouco, com o PIB crescendo 2,9% naquele ano de eleição, permitindo que Lula acenasse com anos melhores, que se concretizaram em 2007, com o PIB crescendo 5,4%.

Mas a inflação dava sinais de que não estava controlada, ficando em 4,5%, índice que, embora estivesse dentro das previsões do governo, era maior que o do ano anterior. Dois anos depois da reeleição, a inflação prevista para 2008 é mais do que o dobro da daquele ano, ficando próxima do teto da meta, de 6,5%, podendo mesmo ultrapassá-lo.

Não é, portanto, uma tendência de alta devido apenas a um fenômeno internacional, mas um processo inflacionário em progressão que, como revela a pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem, se ainda não atingiu a popularidade do presidente, que continua em níveis muito altos, está começando a afetar o grau de confiança dos brasileiros no futuro.

A popularidade do presidente e a confiança no governo estão sustentadas pelo índice de satisfação atual, mas as expectativas futuras da população, que ainda são otimistas, estão dando indicações de que estão sendo afetadas por um receio que indica possíveis quedas de popularidade à frente. O Ibope identificou os setores da população em que já se refletem em redução da aprovação os efeitos da inflação: nas regiões Norte e Centro-Oeste, entre os mais jovens, na faixa entre 30 e 39 anos, nas capitais, entre as mulheres e na faixa de renda até um salário mínimo.

A análise por estratos mostra ainda queda mais significativa da avaliação do governo nos municípios com mais de 20 mil habitantes e, na região agregada Norte/Centro-Oeste, a avaliação se aproxima da opinião dos habitantes das regiões Sul e Sudeste, enquanto no Nordeste a avaliação do governo é expressivamente superior.

Os brasileiros de modo geral revelam preocupação com a evolução da economia a curto prazo, nos próximos seis meses: 65% acreditam hoje que a inflação vai aumentar, enquanto há três meses eram 51%. O Ibope revela, enfim, "uma sensível piora na avaliação do governo nos itens que compõem a agenda econômica".

Entre os assuntos mais lembrados espontaneamente ligados ao governo, aparecem a tentativa de criação de um novo imposto do cheque, o aumento de preços e a elevação dos juros. Os brasileiros também passaram a ter uma visão "menos positiva" em relação à renda pessoal, segundo o Ibope. Há três meses, 42% tinham expectativa de que sua renda aumentaria nos próximos seis meses. Hoje, esse total é de 37%, e desses, apenas 6% acham que a renda "aumentará muito".

No plano político, há algumas indicações positivas para o plano do presidente Lula de fazer a ministra Dilma Rousseff, chefe do Gabinete Civil, como candidata oficial do PT à sua sucessão. Os casos que a envolveram em polêmicas nos últimos meses, como o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Dona Ruth, e sua interferência na venda da Varig para um grupo assessorado pelo compadre de Lula, o advogado Roberto Teixeira, não chamaram a atenção dos pesquisados pelo Ibope.

Em outra pesquisa divulgada no fim de semana, da Vox Populi, a ministra Dilma Rousseff já surge com cerca de 8% da preferência como candidata à Presidência, junto com a ex-prefeita Marta Suplicy. Embora seja pouco diante do patamar que já atingiu o governador de São Paulo, José Serra, ou o deputado Ciro Gomes, na casa dos 30% e 20% respectivamente, é uma boa posição para quem nunca disputou uma eleição na vida. A questão é saber se o presidente Lula continuará com essa popularidade até a campanha de 2010 e se, em caso positivo, se conseguirá transferi-la para seu candidato.

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 10h41
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DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

AQUELE ABRAÇO

Arnaldo Jabor

Lula e FH juntos e a entrevista de Gilberto Carvalho

Minhas mãos andam pesadas. Ao escrever sobre a política brasileira, meus dedos tremem, uma nuvem de desânimo cobre-me a cabeça. Falar o quê? Tudo bate no muro do castelo deste governo, numa trincheira defensiva, ocultando informações. Ainda imperam no Planalto restos de uma cepa herdada do velho autoritarismo bolchevista, cruzada com o germe do sindicalismo oportunista e populista, formando um novo tipo de micróbio que se espalha no organismo do Estado. Esta doença é dissimulada pelo carisma de Lula, em simpático getulismo pós-moderno. A obsessão paranóica da "conspiração" cria mecanismos de defesa que impedem um real contato com a opinião pública.

"Mas, porém, contudo, todavia", nestes dias tristes, houve dois fatos que me comoveram: o abraço de Lula em FH, no velório de D. Ruth, e a entrevista de Gilberto Carvalho, nas páginas amarelas de "Veja". Explico por quê.

Mas, antes, faço um parêntesis sobre minha vida sexual com Lula. Muito burguês idiota me cumprimenta na rua como se eu tivesse nascido com a missão de malhar o Lula. Não é assim - tenho outros ideais... (muitos outros idiotas vão se eriçar e dizer que estou virando casaca.)

Já votei em Lula contra o Collor e defendi seu governo até 2004/5 (podem olhar meus artigos), primeiro contra a gangue dos quatro carbonários que queriam fazer a "revolução" socialista e que o PT expulsou. Até o Dirceu eu cheguei a defender(!), até o caso do Waldomiro, quando me toquei. Só fui "cair de pau" mesmo quando explodiu o mensalão, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do bordel e expulsou os bolchevistas que envolviam o Lula em uma teia de picaretagens político-ideológicas, lideradas pelos comissários do povo que, graças a Deus, caíram. Critiquei também seu "não sei de nada". Hoje, minha pobre indignação (quem sou eu?) é contra o sindicalismo pelego que se infiltrou em cem mil buracos do Estado, minha raiva é contra o uso da máquina para o populismo na mídia, contra o aumento de gastos públicos, usando mal os bilhões de dólares que entram, contra o aliancismo com os piores canalhas da nação. Muito bem.

Acontece, senhores, que a inflação está despertando. Em vez de ser usada, a economia mundial bombando está sendo abusada como uma droga entorpecente. Pela ausência de projetos, resta aos donos do poder manter comprado o apoio das "massas", com bolsas-família, e aumentar gastos públicos em contratações e falsas iniciativas.

Tudo que o governo anterior introduziu e que poderia nos fazer avançar foi paralisado, pois "reformas" repugnam os "revolucionários". E Lula está preocupado porque seu prestígio pode ruir. Para além do sobe-e-desce dos juros, as medidas eficazes contra a inflação são óbvias, conhecidas por qualquer economista. Se Lula não quiser, por causa de ano eleitoral, interesses populistas, chantagem de tortos aliados, se Lula não quiser, nada será feito, e o dragão vai atacar de novo.

O Abraço

Aí, no meio da depressão do velório, aconteceu aquele abraço. Foi sincero e emocionado: FH e Lula estavam de novo juntos, distribuindo panfletos no ABC. Ali, se deu uma mágica e brevíssima coalizão, graças a Dona Ruth.

Ficou claro: Lula gosta de FH; e FH, de Lula. Sim. Nestes anos, Lula aprendeu muito com a sensatez e a cultura de FH, e, por outro lado, Lula influenciou a fundação do PSDB, sim; pasmem, mas a social-democracia espontânea de Lula e a fundação do PT ajudaram a fazer o ninho dos tucanos. Infelizmente, o PT foi logo loteado por bolchevo-dirceuzistas sem bandeira e emprego desde 68.

Em seguida, leio na "Veja" desta semana a entrevista de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. Através de suas respostas, tomamos conhecimento de alguns assuntos considerados "secretos": reações do presidente, suas preocupações principais, suas opiniões sobre Dirceu, Palocci, Meirelles, PT. Pela primeira vez, ouviu-se a voz do Executivo, sem mecanismos de defesa, com uma sincera franqueza. Certamente, será criticado por "cumpanheiros" paranóicos e oportunistas, mas, na entrevista, há indícios de uma disposição mais bipartidária, mais cooperativa e aberta a um diálogo com a opinião pública.

Aquele abraço e essa entrevista talvez anunciem que está na hora de gestos novos, atos inéditos, saltos qualitativos dentro de uma política que não pode continuar apenas com cacoetes soviéticos, com marketing na TV e com um programa de governo que parece um ensopadinho de sindicalismo com um desenvolvimentismo vulgar. O perigo da inflação talvez esteja ensinando ao Lula que é preciso também des-fazer, re-formar, des-construir as causas óbvias que a provocam, como a obesidade de um Estado com apenas 0,9 por cento do orçamento para investir. Lula tem de agir pelo bem do país, ele precisa assumir o poder simbólico que tem, além do poder real de seu imenso arco de alianças, adotar um pouco da agenda do governo anterior.

Não há nada de "reacionário" ou "direitista" nisso. Seria um grande bem privatizar estatais corruptas e desnecessárias, dar concessões para aeroportos que estão prestes a acabar, salvar estradas podres, usinas mortas, portos caros e congestionados, investir na educação de base. Lula tem de ir além de um PAC que já está sendo corroído pela corrupção, como o MP e a PF denunciaram (700 milhões de fraudes já em andamento).

Por que Lula pode se aliar ao PRB, PP, PTB, PMDB e não pode se aproximar do PSDB? Porque o Dirceu e o Berzoini não deixam? Porque os cupins empregados temem uma mudança nas "boquinhas"?

Talvez esteja na hora de uma mudança de atitude. Sei que tudo isso soa romântico, ingênuo, mas há um parentesco original entre tucanismo e lulismo que pode ser resgatado. E não é apenas por interesses eleitorais e sucessórios. É para reformar essa droga deste país, cacete, que está uma bacanal de sordidez, desmoralizando a democracia e chamando a inflação de volta.

Além dos abraços na hora da morte, há abraços de vida.

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 10h37
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DEU EM O GLOBO

 

AO LADO DE AÉCIO, LULA CRITICA PT

Rodrigo Taves

Presidente defende aliança com governador tucano e diz que subirá no palanque em BH

Ao lado do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a direção nacional do PT por ter tentado impedir a aliança entre petistas e tucanos em Belo Horizonte, e disse que pretende participar de comícios do candidato a prefeito Márcio Lacerda (PSB), apoiado pelo PT de Minas e por Aécio:

- No caso de Belo Horizonte, o prefeito e o governador têm um acordo, lançaram um candidato do PSB, o PT tem a vice, uma coisa aceitável, viável e importante. A participação do governador Aécio é importante, vai ajudar a gente a eleger o candidato. Depois de o PT de Minas aprovar, o municipal e o estadual, acho que a direção nacional poderia tranqüilamente ter confirmado o que já aconteceu.

Lula disse que a cidade é uma das poucas em que pretende participar da campanha. Para isso, deverá subir no mesmo palanque de Aécio:

- Terei imenso prazer de participar de comícios em Belo Horizonte. Vou participar pouco das eleições municipais, mas Belo Horizonte é uma cidade aonde quero ir. Acho que é importante a continuidade do projeto de BH, que está dando certo. A relação do prefeito e do governador está dando certo, as divergências políticas têm de ser encaradas com certa naturalidade - disse o presidente, que participou em Itajubá das comemorações do 30º aniversário da Helibrás, empresa fabricante de helicópteros.

Ao rejeitar a aliança em Belo Horizonte, a executiva nacional do PT mostrou temer o fortalecimento de Aécio, já pensando nas eleições presidenciais de 2010. Mas Lula disse que "é loucura" achar que o acordo terá reflexos daqui a dois anos:

- Tentar misturar eleição municipal com a de 2010 é loucura. Pode ser que prefeitos eleitos em 2008 não sejam bons cabos eleitorais em 2010, se não estiverem com administração boa. (...) Esta eleição pode ser civilizada, democrática, e 2010 vamos discutir quando chegar a hora.

Aécio agradeceu ao presidente o apoio a Lacerda e a disposição de participar de comícios. E aproveitou para criticar a direção nacional do PT:

- A presença do presidente celebra o que pessoas com visão distorcida da realidade de Minas tentaram impedir. Está consolidada a aliança.

"Se ficar mexendo, piora as coisas"

Formalmente, o PSDB continua fora da aliança PSB-PT, e não haverá coligação para vereador. Lula disse que o PT tem de evitar problemas entre os aliados em cidades onde não for possível reproduzir a aliança nacional:

- Precisamos administrar para que não haja fissuras entre os partidos políticos. Estamos construindo alianças, mas há lugares em que não podemos ficar reclamando, temos de tratar isso com certa naturalidade.

Para Lula, a direção nacional piora as coisas quando anuncia vetos:

- Política é assim mesmo: o que era quase natural não acontece, o que não era natural acontece. Não é problema da direção nacional, é problema municipal. Não quero que isso possa atrapalhar um acordo consolidado. Se ficar mexendo, piora as coisas.

Aécio ironizou a direção do PT:

- O presidente se disse disposto a participar da campanha. A conseqüência da intransigência da direção nacional do PT foi esta: nos uniu além das questões formais e trouxe o presidente para a campanha.

Em Itajubá, Lula assinou acordo com o governo francês para transferir tecnologia na produção de helicópteros. A Helibrás, associada à francesa Eurocopter, vai produzir no sul de Minas o modelo Super Cougar, investimento de 350 milhões.

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 10h26
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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

 

LIBERALISMO À BRASILEIRA

Marcos Nobre

O LIBERALISMO nunca se sentiu em casa no Brasil. A dependência do Estado sempre foi tão escancarada que fazer o elogio do "espírito animal do empresário" parecia piada pronta.

Isso mudou nos últimos vinte anos. Em parte por necessidade.

Porque, afinal, o Estado quebrou e não podia mais financiar como antes o liberalismo à brasileira. Mas houve também um outro lado da história. Defensores da modernidade liberal chegaram à conclusão de que o problema do ranço anticapitalista brasileiro era cultural. E se lançaram à batalha de convencer corações e mentes de que capitalismo é bom, de que lucro não é pecado, de que o talento deve ser reconhecido pela sua remuneração.

Há hoje no Brasil toda uma geração de empresários, executivos, acadêmicos e administradores que foi formada e que age segundo esses preceitos. Mas liberais discretos não fazem um grau de investimento. Os sóbrios defensores da revolução cultural capitalista necessitam de exemplos exuberantes e desinibidos.

Os novos ricos que não cansam de alardear a excelência da própria cobiça são o outro lado da longa busca de um liberalismo brasileiro. O discreto gestor de fundos não existe sem o bilionário extravagante.

Esse novo bloco conservador não parece ter até o momento outro horizonte que não o da democracia. Isso é certamente um avanço se se pensar no número e na duração das ditaduras e dos pactos oligárquicos na história brasileira recente. E é também um avanço que parte importante da economia brasileira tenha se desprendido de uma dependência estatal crônica.

Nem por isso o Estado deixou de ser o mais decisivo sustentáculo da nova etapa do capitalismo. E muito pouca gente realmente acha que a escandalosa desigualdade brasileira vai ser resolvida simplesmente com desenvolvimento econômico. Mas ideologia tem lá suas manhas teológicas.

Quando funciona, faz as pessoas realmente acreditarem no que dizem e fazem.
Foi o caso do empresário Eike Batista ao polemizar com a recente decisão do governo de proceder à licitação pública de concessões para construção e operação de portos privativos.

Interessado em construir três terminais de uso privativo misto, disse o seguinte: "Se sou dono da terra e do projeto não sou obrigado a vender nada. Uma licitação para hidrelétrica tem como base o curso de um rio que pertence à União, mas, na minha casa, faço o que eu quiser. Será que voltamos à era da estatização?".

A pergunta só pode ser respondida com outra: será que estamos em plena era do liberalismo da casa da mãe Joana?

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 10h20
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DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

 

ELEITOR REPROVA FORMA DE COMBATE À INFLAÇÃO, MAS AINDA PRESERVA LULA

Carlos Marchi

Segundo CNI/Ibope, 65% apostam em alta inflacionária; aprovação do governo é de 58% e a do presidente, 72%

Uma onda de pessimismo - a economia, sempre a economia - ronda as expectativas do eleitorado brasileiro e acende uma luz amarela para o longo idílio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o eleitorado brasileiro, que lhe tem garantido a imagem blindada a escândalos e problemas desde início de 2006. A imagem do presidente e do governo ainda não foram afetadas, mas a pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem mostrou que 65% dos brasileiros - o mais alto índice de todo o governo Lula - acham que a inflação vai aumentar (em março, 51% apostavam na alta).

Com exceção do curto período do mensalão, os escândalos não chegaram a afetar a imagem de Lula e do seu governo, por serem de difícil compreensão pelo eleitorado, explica Márcia Cavallari, diretora do Ibope. “Mas com os problemas da economia é diferente. O eleitor sente no bolso e percebe de forma concreta”, explica. Márcia acha que, se o governo não der respostas imediatas às vulnerabilidades da economia, as imagens de Lula e do governo poderão ser, afinal, arranhadas.

Ela registra que todos os indicadores de expectativa sobre a economia variaram negativamente. A aprovação da política do governo no combate à inflação caiu 10 pontos porcentuais (de 51%, em março, para 41%) e a desaprovação subiu 10 (de 43% para 53%). Para 46%, a inflação “vai aumentar” e, para 19%, “vai aumentar muito”.

E não é só. Em março, 42% diziam que o desemprego iria crescer ; agora, o número subiu para 52% (“vai aumentar” para 38% e “vai aumentar muito” para 14%), o que simboliza aumento da descrença nos fundamentos da economia. A mesma visão negativa impactou a expectativa de aumento da renda pessoal: em março, 42% acreditavam que sua renda pessoal cresceria nos seis meses seguintes; agora, apenas 37% continuam acreditando nisso.

A aprovação à política de juros do governo caiu 8 pontos (de 39% para 31%); a aprovação da política de impostos encolheu 4 pontos (de 35% para 31%), com o provável reflexo da tentativa de aprovar uma nova CPMF; o combate ao desemprego caiu 3 pontos, sempre acima da margem de erro da pesquisa. Uma queda de 7 pontos (de 60% para 53%) na aprovação da política de meio ambiente, um ícone que o governo Lula perdeu quando a ex-ministra Marina Silva pediu demissão, completa o quadro registrado pela pesquisa.

REFLEXOS NA IMAGEM

Por enquanto, as vulnerabilidades da economia que o eleitorado passou a enxergar não atingiram a imagem do presidente. Márcia revela que a pesquisa divulgada ontem não exibiu arranhões na imagem de Lula e do governo porque não houve tempo para que as vulnerabilidades afetassem a avaliação do eleitorado. “Mas isso pode acontecer, se o governo não reverter a situação logo”, diz.

Márcia reconhece que a pesquisa registrou um aparente descompasso: enquanto a expectativa do eleitorado piorou em todas as variáveis, a avaliação geral do governo se manteve intocada, com 58% de ótimo/bom (uma taxa muito próxima dos 60,82% de votos que Lula teve no 2º turno em 2006) e apenas 12% de ruim/péssimo.

A aprovação pessoal do presidente preservou espetaculares 72%, com 24% de desaprovação; o índice de confiança no presidente Lula continuou estável, registrando os mesmos 68% obtidos em março passado, e a nota média para o governo foi de 7,0 (7,1 em março).

A pesquisa CNI/Ibope entrevistou 2.002 eleitores entre os dias 20 e 23 de junho, com uma margem de erro de 2 pontos porcentuais.

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 09h51
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DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

 

ANALISTAS JÁ VÊEM IPCA ACIMA DE 6,5% NESTE ANO

Fernando Nakagawa

A expectativa para a inflação em 2008 está prestes a ultrapassar o teto da meta para o ano. Pesquisa divulgada ontem pelo Banco Central (BC) mostra que a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) das cinco instituições que mais acertam as projeções subiu de 6,16% para 6,44%. O limite superior da meta é de 6,50%. A expectativa de repasse de preços do atacado para o varejo reforça a aposta de que o teto deverá ser rompido em breve.

Levando em conta as 80 instituições consultadas pelo BC, a previsão para o IPCA em 2008 subiu de 6,08% para 6,30%, na 14.ª elevação consecutiva. “A alta registrada no atacado vai ser repassada, ainda que parcialmente, para o consumidor”, disse Luís Fernando Azevedo, economista da Rosenberg & Associados, que está entre as cinco instituições que mais acertam previsões para a inflação.

Segundo Azevedo, as previsões tendem a continuar subindo, motivadas pelo repasse dos aumentos em produtos como a carne bovina, que continua em entressafra, e produtos petroquímicos, que seguem os preços internacionais do petróleo.

Para 2009, a previsão para o IPCA subiu pela terceira semana, de 4,78% para 4,80%. A continuidade da alta de preços tem feito com que o mercado fique mais pessimista com a política monetária. Até a semana passada, o mercado apostava em redução da taxa Selic em 1,25 ponto porcentual em 2009. Agora, aposta em 0,75 ponto. Assim, o juro deve terminar 2009 em 13,50%.



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 09h42
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DEU EM O GLOBO

 

INFLAÇÃO TOMA A DIANTEIRA
Felipe Frisch

Todas as aplicações financeiras perderam para o IGP-M no mês de junho e no acumulado do ano

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), que corrige os aluguéis de imóveis, superou a rentabilidade de todas as aplicações financeiras em junho e no acumulado do primeiro semestre de 2008. Ou seja, os investidores não conseguiram sequer manter o poder de compra do dinheiro. Na prática, perderam e estão perdendo dinheiro. Enquanto o índice de preços subiu 1,98% no mês encerrado ontem e acumula alta de 6,82% no ano, as aplicações financeiras tiveram rentabilidade de até 5,62% nos primeiros seis meses do ano. É o caso dos fundos de renda fixa, que compram títulos com juros predefinidos.

Estes fundos tiveram o melhor rendimento no ano e no mês passado, quando ganharam 0,82% em junho, segundo dados até o dia 24 da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Os fundos DI, considerados mais conservadores por acompanharem a taxa básica de juros, a Selic - hoje em 12,25% ao ano -, vêm na seqüência, com rentabilidade de 5,14% no ano e 0,76% no mês.

Mesmo quem procurou a Bolsa não teve sucesso. O principal indicador do mercado de ações, o Índice Bovespa (Ibovespa), acumulou perda de 10,43% no sexto mês do ano. Com isso, teve o pior mês desde abril de 2004, quando caiu 11,45%. A maior desvalorização desde então havia sido de 9,50% em maio de 2006. A variação da Bolsa em 2008 ficou positiva em 1,77%.

Analistas não indicam mudança

Mas a pior aplicação financeira do mês passado foram os fundos de quem investiu o FGTS em ações da Vale, que registram queda de 12,26%. No ano, o dólar é a pior opção: cai 10,13%.

O administrador de investimentos Fabio Colombo destaca que, mesmo o IPCA - que serve como referência para o sistema de metas de inflação do governo -, deve superar algumas aplicações financeiras no ano, entre elas a caderneta de poupança. Segundo pesquisa da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), o índice deve ficar em 0,76% em junho, resultando em inflação de 3,66% no primeiro semestre.

- Enquanto a inflação está subindo de elevador, o Banco Central está indo de escada, com ajustes graduais na taxa de juros - diz.

A diferença entre os índices de inflação se deve ao fato de o IGP-M ser mais exposto aos preços de alimentos, em alta em todo o mundo. Isso porque 60% de sua composição são derivados do Índice de Preços do Atacado (IPA).

O superintendente de investimentos do Banco Real, Eduardo Jurcevic, não recomenda que o investidor faça alterações bruscas entre aplicações financeiras agora. Especialmente no mercado de ações, vendendo os papéis em queda e perdendo a oportunidade de reverter os prejuízos.

Na prática, essa diferença significa que os juros reais estão negativos, alerta Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Plenus Gestão de Recursos e diretor do curso de Relações Internacionais da ESPM:

- A política monetária começou a ser apertada corretamente há dois meses (com a elevação dos juros), mas isso só vai surtir efeito na virada para o próximo ano.

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 09h36
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VISÃO DE CESAR MAIA

 

AS DECISÕES DO -DEMOCRATAS- PARA 2008 NO ESTADO DO RIO!

CESAR MAIA
               
1. Com a decisão do PMDB de romper o acordo com o DEM na capital, o quadro eleitoral em diversos e importantes municípios sofreu mudança radical. O DEM firmou parceria com o PDT em Niterói, São Gonçalo e Campos. Passou a apoiar o PSDB em Caxias, Cabo Frio e Macaé. O PT em Nova Iguaçu, repetindo a aliança de 2004. O PT e o PSDB passam a apoiar o DEM em Resende.
             
2. Na Capital o quadro geral ficou pulverizado, como era do interesse do DEM, que trabalha com o piso de 20% no primeiro turno e que crescerá mais ou menos em função da dinâmica da campanha. Arredondando, o PMDB ficou com 7 minutos, PV/PSDB com 5, PT e DEM com 4, PCdoB com 3, PRB e PDT com 2 e PSOL com 1. O tempo de TV -como já disse este Ex-Blog- é fundamental ter, mas entre os que o têm, a TV perdeu força como instrumento para impactar o eleitor. Ou seja: não será decisiva entre os que têm 4 minutos ou mais, prejudicará algo quem tem 3 e assim progressivamente.

               
3. O eleitor continua alheio ao processo eleitoral, com metade sem nem saber que havia eleição na semana passada. O caso do Morro da Providência mexeu pouco com a intenção de voto no PRB no primeiro turno e muito com a intenção de voto nele no segundo turno. 

               
4. A diferença entre o primeiro e o segundo está na faixa de 5 pontos. A diferença do segundo para o quinto está também na faixa de cinco pontos. E a diferença entre o quinto e o sexto/sétimo está na faixa de 4 pontos. Ou seja: com o atraso no conhecimento do eleitor e a margem de erro das pesquisas que antes da campanha é ainda maior, temos um cenário parecido com o de 1992, com eleição pulverizada e os que lideram em situação volátil -lá por umas razões, e aqui por outras- citadas e conhecidas. Curiosamente, ambas eleitoralmente análogas embora politicamente distintas.



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 09h27
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DEU NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)

ROSSINI FARÁ A PONTE COM O PPS E O PV

ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Pouco antes da convenção, ontem, foi anunciado o nome do jornalista Rossini Barreira (PPS) como vice na chapa do candidato Carlos Eduardo Cadoca (PSC). Na campanha, ele terá a tarefa de fazer o “link da majoritária com o PPS e o PV”, partido com o qual também tem boa relação. Seu papel, portanto, será estratégico, uma vez que, no processo de consolidação das alianças, ficou claro que o principal atrativo para os aliados, especialmente para os verdes, foi a chapa proporcional.

Rossini iniciou a militância no movimento estudantil. Nos anos 80, foi filiado ao PT. Depois aproximou-se do antigo PCB, que deu origem à sua atual legenda. Antes, contudo, esteve muito próximo aos verdes, integrou a Aspan, uma das primeiras entidades ambientalistas do País. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco e atuou como vice-presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj). Rossini, que trabalhou no JC por 15 anos, é vice-presidente nacional da Comissão de Ética da categoria.

Ele, contudo, não foi a primeira opção de Cadoca, que esperava ter João Braga (PV) na chapa, mas este não mostrou interesse. Com a divisão entre os verdes sobre o apoio a Cadoca (muitos, inclusive Braga, defendiam coligação com Mendonça Filho), eles abriram mão da vaga, cabendo ao PPS a indicação.

Os pós-comunistas apresentaram três nomes, mas, sem consenso, Rossini teria funcionado como uma carta na manga. Na campanha, terá ainda papel importante na comunicação. “Vou à campanha de rua. Farei o link com o PPS e o PV, para fazer a militância se engajar.” Sobre seu passado no PT, ele afirmou que, apesar do respeito aos ex-correligionários, evoluiu politicamente.

A ida do PPS e do PV para o palanque de Cadoca se deu após a saída de Raul Jungmann (PPS) do pleito. Iniciou-se, aí, uma disputa entre os postulantes pelo apoio das legendas, que haviam acertado uma aliança proporcional, e findaram divididas. Tanto que o PV só anunciou sua adesão às vésperas da convenção, seguindo o PPS.

Jungmann, ontem, mostrou entusiasmo na convenção. Aos gritos, pediu que os militantes baixassem faixas para que pudessem ver “o novo prefeito do Recife”. E criticou o slogan da gestão do PT, afirmando que era “falta de vergonha na cara dizer que a grande obra é cuidar das pessoas, em um cidade violenta e sem rumo”. Já Braga foi mais contido. Defendeu uma campanha sem ataques.

“Novo pólo” e contradições políticas

A união PSC/PPS/PV/PP/PTC, que fortaleceu a candidatura de Cadoca, tem sido tratada por seus integrantes como o surgimento de um novo pólo de força dentro do cenário político pernambucano. A coligação seria uma espécie de “terceira via”, em contraposição à polarização entre os grupos encabeçados pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), de uma lado, e o prefeito João Paulo (PT) e o governador Eduardo Campos (PSB) do outro. A aliança, no entanto, já começa com contradições. Nos planos federal e estadual, várias são as divergências entre as siglas.

O desencontro ficou claro, ontem mesmo, quando o presidente nacional do PPS, Roberto freire - um dos principais opositores do governo Lula -, criticou de forma dura a condução do governo federal. Ele queixou-se, inclusive, da política econômica, que foi elogiada por Cadoca minutos depois.

Freire, a princípio, defendeu que o PPS se coligasse com o prefeiturável Raul Henry (PMDB) e, ontem, apesar de ter comparecido à convenção, não subiu ao palco nem discursou. Os faltosos foram os líderes do PP Eduardo da Fonte e Severino Cavalcanti – este último realizou convenção ontem em João Alfredo, onde disputará a prefeitura.

Em entrevista, Freire chegou a dizer que a ida do PPS e do PV para o palanque de Cadoca o ajudava a se situar melhor entre a oposição. E previu que, durante a campanha, o candidato, naturalmente, se afastaria do governo federal. Segundo ele, o PT nacional não saberia conviver com divergências. “Cadoca é nitidamente oposição e conosco isso fica mais claro. Na campanha, o PT nacional deve cobrar uma posição aqui. Ou seja, isso reflete em Brasília e é ótimo”, profetizou. Cadoca, contudo, apesar de dizer respeitar Freire, negou que isso possa ocorrer.

Apesar das contradições da coligação, com a adesão do PPS e do PV, a postulação de Cadoca se fortaleceu. O Clube Intenacional, onde ocorreu a convenção, ficou cheio. Enfeitada com balões laranjas e azuis, marca das antigas campanhas do candidato, a festa teve direito a batuqueiros e bandas de frevo. O mote da campanha era repetido animadamente pelo locutor: “Recife no peito, Cadoca prefeito”. No evento, aliados ressaltaram a capacidade de Cadoca e convocaram a militância a ganhar as ruas.

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 09h21
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O QUE PENSA A MÍDIA
EDITORIAIS DOS PRINCIPAIS JORNAIS DO BRASIL


Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 10h04
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DEU NO JORNAL DO BRASIL

 

SUCESSÃO COM OVOS DE CODORNA

Wilson Figueiredo

Para não manchar a futura biografia, que espera ler em vida, o presidente Lula encerrou a antecipação do grande espetáculo político nacional com apenas um candidato. As cabeças andam longe da sucessão presidencial e o assunto não interessou a ninguém, exceto os áulicos. Eleição gera candidaturas, mas por si só candidato não produz eleição. Na nossa República, a oferta de nomes era farta até quando faltava eleição direta. Enquanto administra a vasta popularidade, Lula degusta pesquisas.

Considerando que tanto quanto uma única andorinha não faz verão e um único nome não faz eleição, Lula terceirizou a solução. Coisa do presidencialismo. Como pretendente solo, precisaria sustentar monólogos, mas não cairia bem recitar o "ser ou não ser" em tradução. No papel de Hamlet, seria indispensável ser legendado. A rouquidão do Brutus (do Popeye e não o de Júlio César) soaria como ameaça. A aprovação do terceiro mandato não seria tão fácil como a solução para deixar de pé o ovo de Colombo, que o próprio quebrou de leve para responder ao desafio. Ora, o terceiro mandato não passa de ovo de codorna e Lula terceirizou a candidatura da ministra Dilma Rousseff, que está emergindo das pesquisas com ímpeto mitológico.

O brasileiro está de bem com a democracia, e não apenas pelo que ela oferece de melhor, mas também pelo que apresenta de pior: há mais roubalheira do que desenvolvimento, sem qualquer relação com o PAC e a mãe dele. Do jeito que vai, os cidadãos não demoram a voltar às ruas aos gritos de "pega ladrão!", embora em vão. Pega-se o ladrão, mas não se recupera o produto do furto. Mau negócio. Ainda bem que o presidente Lula não tem aquele apetite de Stalin, que sacava seu ditado predileto com o sorriso por baixo dos bastos bigodes: "não se fazem omeletes sem quebrar ovos". De fato. No caso, a coerência recomendaria ovo de codorna. Lula parece interessado em aclimatar às condições nacionais costumes a que foi apresentado às democracias no exterior.

A hipótese de terceira candidatura veio por fora da legislação eleitoral mas por dentro das pesquisas de opinião. Era demais. E, para candidato escolhido por ele, não há necessidade de mobilizar a choldra e enfrentar batalha de emenda constitucional. Dois nomes esquentados, a ministra Dilma Rousseff e o deputado Ciro Gomes, dividiam as expectativas da preferência oficial antes que o presidente desautorizasse o uso do seu nome. Depois, prevaleceu o fato consumado. A mãe do PAC assumiu na sucessão a importância de matrona romana com o porte da própria Cornélia, mãe dos Gracos. A questão ficou superada.

Já se foi o tempo em que candidatos eram apenas presidenciáveis. Em princípio, qualquer cidadão que não seja ladrão, é. Faltou a Lula, como presidente, candidato ou padrinho de candidato, um antagonista franco e leal, de preferência mais franco porque em política lealdade é relativa, e não se cobra do vencedor.

A candidatura da mãe do PAC foi lance que demanda adubo e água para responder com exuberância botânica. Entre madame Rousseff e o estridente Ciro Gomes o que havia em comum era a expectativa dividida ao meio, mas não dava para duas candidaturas. O pragmático presidente fez a escolha sem perder tempo. A candidatura da chefe da sua Casa Civil foi terceirização presidencial com tempero feminista. Tem a vantagem, em caso de urgente necessidade, de ser retirada sem causar estragos. Já a candidatura de Ciro Gomes exigiria trator para ser removida.

Ciro sentiu e saiu da maneira impulsiva que tem sua assinatura. Improvisou um daqueles finais dignos do empresário (da noite) Carlos Machado na apoteose dos espetáculos rebolados, quando o Rio era a capital e ditava modas e modos. Aquela cascata de mulheres, com plumas e pernas, refrigerava o ambiente político acima dos partidos e mesmo do regime.

Nas versões anteriores, nossa democracia se dava ao respeito e os candidatos também. Sentindo-se excluído por Lula, Ciro Gomes foi o primeiro a pegar pesado para começar a campanha solo. Investiu simbolicamente contra as mulheres que eram consideradas "da vida", com uma declaração de guerra: "Fortaleza é hoje um puteiro a céu aberto". As profissionais do ramo e as que não vivem disso entenderam que começou realmente a campanha eleitoral. Tempo é que não falta.

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 09h54
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ONTEM: DEU EM O ESTADO S. PAULO

 

PT ATROPELA ALIADOS PARA MANTER DOMÍNIO E CERCA REDUTOS DA OPOSIÇÃO

Christiane Samarco e Eugênia Lopes

Partido disputará 20 capitais, até contra nomes governistas mais fortes, e investe para enfraquecer Serra e Aécio

O quadro da disputa pelas prefeituras das 26 capitais não deixa dúvida de que o PT atuou em duas frentes, de olho em 2010. Além de usar a montagem dos palanques municipais para manter sua hegemonia na base governista, o partido operou para enfraquecer seus dois principais adversários na sucessão presidencial: os governadores tucanos de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves.

Foi o que deixou claro a cúpula do PT, incluindo aí o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando decidiu lançar candidato próprio em 20 capitais, a despeito da pressão dos aliados para compor onde a opção petista não era a favorita na disputa. Quem acompanhou de perto a movimentação do presidente no processo eleitoral sabe que, na prática, ele só interferiu em uma capital - São Paulo - empenhando-se para fortalecer a candidata de seu partido, Marta Suplicy. E não foi por acaso.

Lula sabe que o sucesso de Marta na capital paulista pode render uma vitória tripla ao partido. Além de enfraquecer a pré-candidatura presidencial de Serra, impõe uma derrota aos dois principais partidos de oposição: o PSDB, que disputará a prefeitura com Geraldo Alckmin, e o DEM, que trabalha para reeleger o prefeito Gilberto Kassab.

“Nossa vitória em São Paulo consolidará a vitória do PSDB no País”, prevê o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE). “Se não vencer em São Paulo e no Rio, a oposição sairá das urnas menor do que entrou”, adverte o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), queixoso do “comportamento inflexível do PT” com os aliados.

BLOQUINHO

Todos entendem que a eleição municipal é o momento de os partidos investirem em candidaturas próprias para crescer. Mas é a sucessão presidencial que explica a razão dos ouvidos moucos da direção nacional do PT aos apelos sem muita convicção de Lula em favor dos aliados. O presidente sugeriu que seu partido compusesse em várias cidades com as legendas do chamado bloquinho (PSB, PDT e PC do B), aliadas tradicionais dos petistas no Congresso e nos palanques Brasil afora.

Foi para tentar um acerto em torno das prefeituras de Belo Horizonte, Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo que Lula reuniu, no Palácio da Alvorada, líderes e presidentes dos quatro partidos. O único resultado desse encontro foi um entendimento para beneficiar o PT paulistano de Marta Suplicy. O PC do B abriu mão de lançar o deputado Aldo Rebelo, agora vice de Marta, na expectativa de colher boa vontade dos petistas nas outras três capitais. Mas o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), não moveu um dedo para ajudar socialistas e comunistas.

Nem mesmo em Belo Horizonte, onde o prefeito petista Fernando Pimentel apóia a candidatura de Márcio Lacerda, do PSB. O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, esticou a corda o quanto pôde. Ameaçou até lançar candidato contra Marta Suplicy em São Paulo, depois de acenar com a possibilidade de uma aliança, com a deputada Luiza Erundina (PSB) na vice. Em vão.

O PT se recusou a permitir a participação oficial do PSDB de Aécio na chapa do socialista Lacerda, em Belo Horizonte. Mais: rejeitou qualquer aliança para reeleger o prefeito de Manaus, Serafim Corrêa (PSB), embora os socialistas apoiassem candidatos petistas a prefeito das capitais dos três Estados que o partido governa: Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco. “O PT só gosta de aliança para ser apoiado”, protestou Eduardo Campos à época.

CASO MOLON

Também foram inúteis as múltiplas propostas de apoio cruzado no Rio de Janeiro, a despeito da fragilidade eleitoral do deputado estadual petista Alessandro Molon. Ali, a batalha do bloquinho foi para que o PT apoiasse a candidatura de Jandira Feghali (PC do B), que depois de quatro mandatos de deputada saiu da briga por uma vaga no Senado, em 2006, com 2,7 milhões de votos, contra os 3,3 milhões de votos que deram a vitória a Francisco Dornelles (PP). Na eleição que lhe garantiu uma cadeira na Assembléia Legislativa do Rio, Molon obteve 85.798 votos.

Jandira queria Molon em sua chapa, como candidato a vice, mas nenhum representante da direção nacional do PT lhe fez qualquer apelo para que abrisse mão de uma candidatura com poucas chances de vitória.

O fracasso dessas negociações entre os governistas explica o porquê de o PT ser, disparado, o recordista de candidaturas próprias nas capitais. Nem o PMDB, maior partido e estruturado em 4.301 dos 5.564 municípios, tem tantos candidatos a prefeito de capital. Nas eleições de 5 de outubro, serão 13 peemedebistas contra 20 petistas. “A prioridade do PMDB não é a vitória em nenhuma cidade em particular, mas o bom desempenho no conjunto do País, para que o partido se mantenha como força política imprescindível a qualquer governo”, diz o presidente nacional da legenda, deputado Michel Temer (SP).

Em seguida ao PT e ao PMDB vêm os dois maiores partidos de oposição: o DEM, que também encabeça a chapa em 13 capitais, e os tucanos, em 11.

“Nosso parceiro preferencial continua sendo o PSDB, mas a vontade regional falou mais alto que a vontade nacional e as questões locais prevaleceram”, resume o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). Entre as legendas menores da base governista, o PSB vem em terceiro lugar, com sete candidatos a prefeito, empatado com o PPS, que faz oposição ao Planalto.

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 09h39
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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

 

PROVIDÊNCIA DIABÓLICA

Sergio Costa

RIO DE JANEIRO - No lançamento da candidatura de Marcelo Crivella à prefeitura, o presidente em exercício, José Alencar, admitiu ao repórter Raphael Gomide que interveio politicamente para viabilizar obra do senador na Providência. Embargado pela Justiça Eleitoral, o projeto começou sem autorização do Congresso e contra parecer do Comando Militar do Leste, que não queria patrulhar favela. Esse rolo data do fim do ano passado. A obra se arrasta desde então.

Apenas 30 casas foram reformadas no período -cinco por mês-, para um total previsto de 782 residências. A licitação para conclusão da maior parte do projeto só foi realizada nestas últimas duas semanas em que o morro da Providência andou freqüentando manchetes nobres. O Exército estava na favela havia uns seis meses.

Isso quer dizer que o auge do projeto Cimento Social dar-se-ia em plena reta final da disputa pela prefeitura. Uma vitrine eleitoreira que incluiria a imagem de moradias populares dignas, protegidas pelo braço forte e a mão amiga do Exército. José Alencar disse no sábado que a candidatura do "ex-bispo" não será afetada pelos incidentes na Providência porque ficou "demonstrado esforço de Crivella para levar benefício à população".

O fato é que se jovens militares não tivessem se estranhado com funkeiros jovens como eles, e a coisa não degringolasse em assassinato, chamando a atenção para todo tipo de irregularidade -inclusive as eleitorais que suspenderam a temporada-, o teatrinho seria mantido até o grande final em outubro. A tragédia da Providência desnudou seus atores: do presidente ao preto pobre e favelado, todo mundo fez lambança em algum ato. Com graves conseqüências. Bem Brasil.

 



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 09h04
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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

ESTAGFLAÇÃO E QUEDA-DE-BRAÇO

Luiz Carlos Bresser-Pereira

 
EM TODO o mundo os preços sobem, a inflação volta a ser uma ameaça. Poder-se-ia pensar em uma clássica inflação de demanda porque apenas nos Estados Unidos esteja começando uma recessão, mas um número crescente de analistas adverte sobre os riscos de estagflação -ou seja, de inflação combinada com recessão ou crescimento muito baixo. A preocupação é legítima. A estagflação é uma combinação de inflação de custos com alguma indexação de preços. Não é a mesma coisa do que foi a nossa inflação inercial, que era indexada também formalmente, mas tem suficiente número de mecanismos de indexação de preços para que um aumento inicial de custos provoque em seguida um quadro temporário de estagflação.

A commodity que tem capacidade de provocar estagflação mundial é o petróleo. Em duas ocasiões nos anos 1970 (1973 e 1979) e uma vez nos anos 1990, em seguida à invasão do Kuait pelo Iraque, o aumento do preço do petróleo foi um fator detonador da inflação de custos que, em seguida, se inercializou por um ou dois anos (não por 14 anos, como aconteceu com o Brasil a partir de 1980). Agora, ainda que outros preços de commodities estejam crescendo, o petróleo, cujo preço aumentou 150% no mesmo período, é o fator decisivo a provocar uma inflação que ameaça se transformar em estagflação.

Diante desse quadro de forte mudança dos preços relativos em favor dos países produtores de petróleo e de outras commodities, que fazer? Economistas do Norte têm uma solução para o problema: esses países deveriam concordar com uma substancial apreciação de suas moedas.

De fato, se eles mais a China com seu superávit derivado de rendas do trabalho barato apreciassem suas moedas, haveria uma redução de preços de todos os bens comercializáveis que controlaria a inflação local. Os países ricos continuariam importando inflação porque os preços das commodities não cairiam, mas os Estados Unidos não precisariam mais enfraquecer o dólar para resolver o problema do seu déficit em conta corrente.

É pouco provável, entretanto, que os grandes países em desenvolvimento aceitem apreciar suas moedas. No caso do Brasil, porque a apreciação já lamentavelmente ocorreu. No caso de quase todos, porque significaria aceitarem o aprofundamento de sua própria doença holandesa -uma falha de mercado que deriva não apenas de recursos naturais, mas também de mão-de-obra barata que, para ser neutralizada, requer a depreciação de suas moedas ao invés da apreciação.

Além disso, para os exportadores de manufaturados, significaria perda de competitividade.

Se os Estados Unidos não resolverem essa queda-de-braço com os países em desenvolvimento, a solução clássica para seu déficit em conta corrente e para o controle da própria inflação seria a combinação de dois movimentos: de um lado, continuar a depreciar o dólar -uma medida que reduz o déficit em conta corrente, mas não implica diminuição da inflação; de outro, aumentar os juros e esperar que, com a diminuição da absorção, os preços afinal caiam.

Nesse segundo ponto, porém, o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) fazia o inverso e agora está paralisado -preso à armadilha da crise bancária interna e da ameaça de recessão. O problema fica, assim, sem saída fácil, e a estagflação torna-se cada vez mais provável.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 73, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994".



Escrito por Gilvan Cavalcanti de Melo às 08h58
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DEU EM VALOR ECONÔMICO

VOTAR E SER VOTADO

Fábio Wanderley Reis

 

As ações da Justiça eleitoral a propósito de entrevistas realizadas por órgãos da imprensa com pré-candidatos às eleições municipais chamam a atenção para as diferenças entre o direito de votar e o de ser votado. Com o sufrágio universal e a regra de uma pessoa, um voto, o direito de votar é estabelecido de maneira igualitária e passa a ser um componente importante dos mecanismos pelos quais o sistema político democrático busca assegurar a autonomia do cidadão. O direito de ser votado, porém, ou de candidatar-se à eleição para cargos públicos com alguma perspectiva de êxito, segue sendo fortemente condicionado pela desigualdade socioeconômica e pelo acesso diferencial a recursos privados.

 

É natural, assim, que a legislação que visa a regular o processo eleitoral - um processo de competição entre desiguais - se oriente pela preocupação de neutralizar ou reduzir os efeitos da desigualdade. As relações disso com a autonomia como valor são fatalmente complicadas. Os próprios meios de comunicação de massa têm salientado com insistência a tensão entre o zelo manifestado pela Justiça Eleitoral e o princípio constitucional que garante a liberdade de expressão, de que a liberdade de imprensa é instrumento importante. Mas mesmo o fato de que os candidatos potenciais contem com a possibilidade de iniciativa autônoma e sem restrições nas campanhas, incluindo a possibilidade de buscar recursos privados de vários tipos (e com eles obter, entre outras coisas, o acesso à imprensa), pode talvez ser defendido em nome da liberdade e da autonomia.

 

Os Estados Unidos do período mais ou menos recente ilustram os matizes que podem ocorrer aqui. Por um lado, como análises qualificadas têm apontado (veja-se, por exemplo, J. S. Hacker e P. Pierson, " Tax Politics and the Struggle over Activist Government " , 2007), os êxitos do Partido Republicano nos cortes regressivos de impostos e em debilitar a capacidade de taxação e o ativismo socialmente orientado do governo do país se ligam com a estratégia de mobilização de " bases " que resultam corresponder a uma elite financeiramente poderosa. Por outro lado, uma novidade positiva da campanha agora empreendida por Barack Obama foi a mobilização que se mostrou capaz de realizar de uma miríade de fontes de financiamento populares e dispersas. Aliás, a crer nas declarações do próprio Obama, o fato mesmo de que acabe de recuar, alegadamente por desconfiar dos trunfos republicanos, do compromisso de aceitar as limitações do financiamento público para sua campanha na eleição geral se seu concorrente fizesse o mesmo ressalta o que a situação contém de equívoco. É difícil imaginar, de qualquer forma, que o êxito obtido por Obama na mobilização de apoio financeiro disperso não dependa, em parte, justamente de condições de maior igualdade socioeconômica do que as que temos no Brasil. E, de passagem, a desigualdade brasileira traz muito boas razões, a meu ver, para a luta pelo financiamento público das campanhas eleitorais e da atividade política em geral.

A imprensa e a tarefa dos eleitores

Sem dúvida, a questão geral é a de sempre: como conciliar autonomia individual e interesse público, mercado (ou " comunidade " , com sua dinâmica espontânea) e regulação. Certos postulados de ampla vigência nas ciências sociais nas últimas décadas sustentam que os estímulos ou a coerção por parte do Estado tendem a ser necessários para a " ação coletiva " de grupos grandes e dispersos - e é possível contrapor-lhes, em particular em favor da dinâmica " comunitária " , as revelações de pesquisas recentes (E. Ostrom, " Policies that Crowd out Reciprocity and Collective Action " , 2005) em que os incentivos e pressões ou regulações governamentais surgem como resultando em criar obstáculos à operação dos estímulos que podem responder pela eficácia da ação espontânea ao nível popular ou de " grass-roots " . Como formula B. Frey (citado por Ostrom), " uma constituição concebida para tratantes tende a expulsar as virtudes cívicas " . Com certeza temos aí uma advertência bem-vinda quanto à necessidade de procurar o equilíbrio. Infelizmente, porém, há longa experiência a dar razão à prudência da perspectiva contrária, que, como em Madison, indica que é melhor, ao legislar, contar com os tratantes...

 

Seja como for, quanto à forma específica do problema no momento, é evidente que o empenho regulador e igualizante da legislação eleitoral se presta a confusões e exageros. É problemático lidar de maneira segura, por exemplo, com a idéia de determinar legalmente um período em que a propaganda se faria com legitimidade e pretender proibi-la fora dele. Essa idéia chega facilmente ao limite inaceitável em que a ação do governo como tal, ou da oposição que se choca com o governo, se torna passível de denúncia como propaganda imprópria - afinal, a democracia eleitoral se assenta, idealmente, na expectativa de que os eleitores observem a atuação de governo e oposição e decidam recompensá-la ou puni-la. E o que se esperaria dos meios de comunicação é que fossem os veículos de transmissão adequada das informações pertinentes e de discussão e avaliação criteriosa do mérito das ações correspondentes em qualquer momento dado - não falando da preferência de políticos e candidatos por gatos ou cachorros, mas discutindo, sim, idéias, biografias e programas. De maneira a facilitar a tarefa dos eleitores e dificultar a vida dos tratantes.

 

D´Alva e Ruth